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Polo de bicicletas avança, mesmo com falta de insumos

  • Postado em: 28/09/2021
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Apesar das oscilações nos índices de produção dos últimos meses, em função do desabastecimento de insumos, e de demais fatores econômicos e políticos que formam a atual ‘tempestade perfeita’ sobre a indústria nacional, os fabricantes de bicicletas ainda apostam que encerrarão o ano com crescimento. Em agosto, a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) já haviam corrigido para cima sua projeção para 2021, de 750 mil para 850 mil unidades, o equivalente a uma alta de 27,8% sobre 2020 (665.186 bicicletas).

A estimativa foi mantida neste mês, a despeito da nova desaceleração registrada pelo segmento – majoritariamente concentrado na ZFM. A fabricação de bicicletas totalizou 72.293 unidades em agosto, 3,3% a menos do que em julho de 2021 (74.760), e 13,1% a mais do que em agosto de 2020 (63.908). No acumulado do ano, foram fabricadas 502.770 bicicletas, volume 34,2% superior ao registrado no mesmo período de 2020 (374.685). A base de dados da entidade mostra, contudo, que a desaceleração se seguiu a três recordes sucessivos de produção, culminando com as variações mensal (+12%) e anual (+22%) de julho de 2021 (74.760 bicicletas).

Em termos proporcionais, as vendas foram lideradas pela categoria Elétrica (1.043 unidades), que viu seu volume de produção disparar 371,9% ante julho (221) e decolar 7.923,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado (13). Em números absolutos, a Moutain Bike (MTB) foi a categoria mais produzida, com 42.158 unidades (58,3% do volume total) e, embora tenha recuado na variação mensal (-3,4%), subiu na anual (33,8%).

Na sequência, vieram as categorias Urbana/Lazer (19.754 bicicletas e 27,3% do total fabricado) – com decréscimo de 12%, ante julho de 2021, e de 0,6%, em relação a agosto de 2020 – e a Infanto-Juvenil (6.872 unidades e 9,5%) – que cresceu 5,3%, no primeiro caso, e desabou %, no segundo. Os três primeiros lugares no ranking do acumulado do ano foram ocupados pela MTB (300.177 unidades e 59,7% do volume fabricado), Urbana/Lazer (145.959 unidades e 29%) e Infanto-Juvenil (39.409 unidades e 7,8%).

“Planejamento aguçado”

De acordo com o diretor executivo da Abraciclo, Paulo Takeuchi, explica que o desempenho foi “ligeiramente inferior” ao do mês anterior em razão principalmente dos gargalos no fornecimento de insumos, com sistemas de freios e de transmissões. Ele ressalta que as dificuldades se dão em nível global, não deixando os associados da entidade de fora. “Porém, vale destacar que o acumulado do ano está conforme o previsto e recuperando o setor. Acredito que devemos manter esse mesmo ritmo de crescimento [até o final do ano]”, amenizou o dirigente, por meio da assessoria de imprensa da entidade.

Paulo Takeuchi ressalta que, apesar da crise dos insumos, há muitos motivos para impulsionar a produção e vendas de bicicletas, inclusive a própria pandemia. “A demanda por bicicletas deve continuar em alta, principalmente pela necessidade de transporte individual, nesta fase de pandemia. E também porque é uma opção muito sadia, além de ser um meio de locomoção com agilidade e economia, que faz muito bem à saúde e ao meio ambiente”, listou.

O diretor executivo da Abraciclo diz que é muito difícil prever, na atual situação, quando se dará a volta a um quadro de “normalidade”, em termos de ritmo de fornecimento de partes e peças para a indústria de bicicletas brasileira. Mas, o dirigente estima que dificuldade ainda deve prosseguir ao longo de 2022, em função da demanda aquecida em âmbito mundial, e também pela dificuldade de obter insumos procurados por outros segmentos industriais.

“Isso acontece pincipalmente no caso dos componentes de alta tecnologia, que são muito procurados, e esbarram nas dificuldades dos fornecedores de aumentar a produção no curto prazo. Acredito que, até final do próximo ano, deveremos estar trabalhando com um planejamento muito mais aguçado, para podermos anteceder os pedidos de encomenda [das concessionárias] e não termos mais problemas na produção”, ponderou.

“Prazer de pedalar”

Na mesma linha, o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, afirma que, apesar da retração registrada em agosto, a indústria dá sinais de recuperação, a despeito do estrangulamento nas cadeias globais de produção, em virtude do desequilíbrio entre oferta e demanda de matérias primas. Segundo o dirigente, todas as associadas da entidade fabril estão se esforçando para atender aos consumidores que aguardam por uma bicicleta, embora projete que a curva de demanda pelo produto deve seguir ascendente no curto prazo.

“Afinal, muitas pessoas descobriram o prazer de pedalar e os benefícios dessa prática. A demanda por bicicletas segue alta e deve continuar assim. A bicicleta hoje é uma alternativa de mobilidade urbana por ser um veículo que une sustentabilidade, economia e hábitos saudáveis. A pandemia permitiu que muitas pessoas descobrissem o prazer de pedalar e os benefícios dessa prática”, comentou, no texto distribuído à imprensa.

Exportações em alta

As exportações de bicicletas totalizaram 3.618 bicicletas, conforme a Abraciclo. Trata-se de um aumento de 229,8% na comparação com julho (1.097 unidades) e de 16,6% em relação ao mesmo mês do ano passado (3.103 bicicletas). Analise da entidade sobre os dados do portal Comex Stat, índica que os maiores embarques foram para os países da América do Sul: Paraguai (1.929 bicicletas e 53,3% do volume total exportado) e Uruguai (1.652 unidades e 45,7%).

De janeiro a agosto, foram exportadas 12.970 bicicletas, o que corresponde a um aumento de 40,7% na comparação com o mesmo período do ano passado (9.217 unidades). As posições no ranking do acumulado do ano foram as mesmas do levantamento mensal: Paraguai (7.473 bicicletas e 57,6% do volume total exportado), Uruguai (4.967 unidades e 38,3%) e Bolívia (452 unidades e 3,5%).

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, estimou um cenário significativamente mais positivo para as exportações do Amazonas, ao projetar crescimento “bem superior” ao do ano passado, levando o Estado a encerrar 2021 com US$ 1 bilhão em vendas externas.

Os motivos para tanto seriam a “desaceleração da pandemia” e a abertura de novos negócios no comércio exterior. Outros fatores também teriam contribuído, como o próprio “aumento vegetativo” do mercado e a reação da economia mundial, na nova fase que veio com a vacinação contra a covid-19. Marcelo Lima lembra que os países vizinhos “têm comprado muito” da Zona Franca, ajudando a fortalecer o comércio exterior amazonense, assim como a valorização do dólar ante o real.

Fonte: JCAM