02/04/2020
Fonte: Jornal do Commercio
Marco Dassori
O governo estadual lançou, nesta quarta (1º), um
pacote de medidas para sustentação econômica do setor primário do Amazonas,
diante da crise da Covid-19.
Em síntese as ações focam
em reforço ao crédito, aquisição de produção regional,
renegociação de dívidas e
investimentos na atividade,
sem descuidar de sua sustentabilidade ambiental.
Entre as medidas está o
pedido feito ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento para ampliar
recursos para aquisição de
produtos do Programa de
Aquisição de Alimentos estadual, de R$ 4 milhões para
R$ 31 milhões. Há ainda a liberação de R$ 25 milhões do
FMPS para linhas de crédito
Afeam-Agro, Pró-mecanização, Pró-Calcário e PróSementes e Mudas –com
60% destinados ao interior
A redução no preço do milho e a renegociação das dívidas dos produtores rurais
nos bancos oficiais também
fazem parte da lista.
O governo estadual
anunciou também a compra
de 50% da produção dos feirantes da ADS, de metade
da produção das feiras de
produtos regionais, de 70
toneladas da piscicultura –
todos destinados a doações
a entidades filantrópicas –,
além de determinar o funcionamento de lojas agropecuárias e revogar a Portaria
087/18 do Ipaam, que regulamenta o licenciamento
ambiental para agricultura
familiar.
“Estamos criando também um comitê permanente
para tratar dessas questões
do setor primário durante
esse período de pandemia
do coronavírus, formado
por Ipaam, Sema, Sepror,
Idam, ADS, Adaf e PGE.
Então durante esse período, esse comitê é estratégico
para tomar decisões relacionadas ao setor primário”,
declarou o governador Wilson Lima, em live pelas redes sociais.
“O agro terá um papel
fundamental para superarmos esse momento, porque
é quem garante o alimento
na mesa do cidadão. Esse
pacote veio em uma hora
oportuna para nosso agricultor, porque ameniza os
prejuízos. Todos os produtos da agricultura estão em
produção para abastecer as
cidades e era preciso ter medidas para garantir que chegue efetivamente na mesa
do consumidor”, emendou
o titular da Sepror, Petrucio
Magalhães Júnior.
Renegociação de dívidas
O presidente da Faea
(Federação da Agricultura
e Pecuária do Amazonas),
Muni Lourenço, disse ao
Jornal do Commercio que
a entidade já havia encaminhado pleitos nesse sentido,
na semana passada, sendo
que todos foram atendidos
pelo governo. Para o dirigente, o pacote estadual é
“muito bem-vindo” e contempla políticas públicas
emergenciais que vão contribuir para minimizar os
impactos do coronavírus e
da “forte retração econômica decorrente dela”.
“As medidas de renegociação e prorrogação de dívidas, disponibilização de
linha de crédito com juros
e condições diferenciadas,
bem como o apoio à comercialização, são vitais para a
manutenção da atividade
rural, dos milhares de empregos e de ocupações do
setor primário. Muito relevante também é a facilitação
do licenciamento ambiental,
com vistas ao acesso à linha
de crédito”, afiançou.
“Mesa redonda”
Na mesma linha, o exsuperintendente da Conab,
administrador com especialização no agronegócio
e colaborador do Jornal do
Commercio, Thomaz Meirelles, considerou que uma
das melhores iniciativas governamentais foi a revogação da Portaria do Ipaam,
dado seu reflexo na efetividade e extensão das demais
medidas anunciadas. Mas o
especialista destacou que o
processo não pode parar aí.
“Para mim, a mais importante foi essa revogação
da portaria 87. Porque ela
travou a concessão do crédito para o setor primário,
assim como prejudicou a
gestão dos programas estaduais para o setor, no ano
passado. Esse crédito anunciado de R$ 25 milhões só
vai rodar e sai da Afeam,
com essa flexibilização.
Mas, a nova portaria deve
ser construída por várias
mãos: pelo setor ambiental,
pelo setor produtivo, e pela
PGE-AM. As entidades do
setor devem ser chamadas
à mesa-redonda também”,
concluiu.