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E já provou que reduz o desmatamento – e evita emissões bilionárias de carbono
Por Alfredo Lopes - BrasilAmazoniaAgora- Follow-up 08.01.2026
Há uma crença recorrente — quase um vício analítico — na discussão nacional sobre desenvolvimento e meio ambiente: a de que a Zona Franca de Manaus é apenas um arranjo fiscal, uma renúncia localizada, uma política regional compensatória. Mas essa leitura, além de rasa, omite o que a ciência brasileira já demonstrou, com dados, modelos e rigor internacional:
o Polo Industrial de Manaus é uma das políticas ambientais mais efetivas da história do país — mesmo sem nunca ter sido reconhecido como tal.
E não se trata de opinião. Trata-se de evidência econométrica revisada por pares, exposta no estudo financiado pela SUFRAMA e pela Nokia, e desenvolvido por alguns dos maiores pesquisadores da região. I n s t r u m e n t o s E c o n ô m i c o s para a Proteção da Amazônia - A experiência do PÓLO INDUSTRIAL DE MANAUS, José Alberto Costa Machado, José A.Mota, Alexandre Rivas e Denis Minev.
1. O resultado que ninguém quis ver: o PIM reduz entre 70% e 84% do desmatamento potencial no Amazonas
O estudo construiu três modelos econométricos independentes. O terceiro — o mais robusto — estimou diretamente o “Efeito PIM”, isto é, a capacidade do Polo de reduzir o desmatamento em comparação com um cenário sem PIM.
E o resultado foi monumental:
- 70% a 77% de redução do desmatamento segundo a r modelagem econométrica;
- chegando a 84% dependendo da configuração do modelo.(Resultados descritos no estudo: linhas L5–L14 do trecho )
Esse percentual não é inferência política — é cálculo, com base em dados de 2000 a 2006, utilizando painel econométrico e análises contrafactuais.
O que isso significa?
Significa que, sem o Polo Industrial, o Amazonas teria desmatado ate cinco vezes mais.
E se o Amazonas tivesse seguido a trajetória do Pará no mesmo período, como o próprio estudo compara, a perda florestal seria ecologicamente catastrófica e politicamente irreversível.
2. A evidência do carbono: bilhões de dólares em emissões evitadas
O estudo avançou além da redução do desmatamento. Ele estimou a quantidade de carbono cuja emissão foi evitada graças à floresta que deixou de ser derrubada pela presença do PIM.
Resultado:
- Entre 1,1 bilhão e 10 bilhões de dólares em emissões evitadas no período analisado (2000–2006).
- Um benefício anual entre US$ 160 milhões e US$ 1,4 bilhão.
Esses valores consideram apenas o carbono estocado, sem incluir serviços ecossistêmicos adicionais, como:
- ciclagem da água, que viabiliza o agronegócio do Centro-Oeste, prevenção de incêndios, proteção da biodiversidade e sua expansão, oferta de bioativos e respectiva bioprospecção.
O estudo reconhece explicitamente que, se esses fatores fossem incluídos, o valor seria muito maior.
3. O que o estudo conclui — e o País não quis acolher…
O PIM cria uma “contraforça” ao desmatamento, sustentando um modelo de desenvolvimento urbano-industrial que impede a migração rural predatória, reduz a pressão sobre a floresta e estabiliza o território.
(Síntese do capítulo contrafactual e conclusões gerais)
O estudo chega a afirmar que uma eventual extinção do Polo:
* aumentaria o desmatamento,
- criaria novos vetores de degradação em áreas hoje estáveis,
- e poderia até comprometer a soberania nacional sobre regiões remotas.
Em outras palavras:
O Brasil sabe, há quase 20 anos, que a Zona Franca de Manaus é uma política ambiental.
Mas decidiu ignorar.
4. Por que ignorar uma verdade tão poderosa?
Porque reconhecer a ZFM como política ambiental obrigaria o país a reescrever seu próprio debate climático:
- Não se trata apenas de incentivos fiscais;
- Não se trata apenas de desenvolvimento regional;
- Não se trata apenas da Amazônia.
Trata-se de um modelo único no planeta, onde atividade industrial reduz desmatamento, o inverso do que ocorre em todos os outros biomas tropicais industrializados.
E isso incomoda.
Incomoda porque desmonta a narrativa simplista de que a Amazônia só pode ser preservada através da contenção da economia.
A ciência mostra o contrário:
Quando a economia é legal, complexa e urbana, a floresta respira.
5. O que a Follow Up propõe agora
Se a ciência já demonstrou, por que o debate público continua agachado?
A partir de 2026, o desafio é outro:
- Atualizar o estudo com dados de 2007–2025.
- Recalcular o Efeito PIM em um período de expansão industrial e transformações climáticas.
- Incorporar métricas de emissões reais e potenciais pela metodologia do IPCC.
- Construir um sistema de MRV (Monitoramento, Relato e Verificação) que permita certificar o PIM como política ambiental de preservação indireta — algo já sugerido pela literatura desde 2008.
E, sobretudo:
Tornar impossível para o Brasil continuar fingindo que não sabe o que a ciência já provou.
E assim, a pergunta pede passagem…
A pergunta que abriu esta reflexão —
“O que significaria demonstrar com ciência e transparência, que o PIM neutraliza — por preservação indireta — o carbono que emite?”
— já tem resposta:
Significaria reconhecer que o Polo Industrial de Manaus é um ativo climático global.
E que, sem ele, a Amazônia estaria menor, mais vulnerável e mais distante do Brasil.
O estudo existe. Os números existem. A ciência existe. Falta apenas coragem para admitir o óbvio.
A propósito,
O Brasil prometeu ao mundo - no Acordo de Paris de 2015 - reconstruir 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. A Amazônia — por um caminho menos celebrado — já oferece uma “obra” paralela: a floresta que não caiu. E aqui emerge a tese que incomoda os mapas mentais fáceis: o Polo Industrial de Manaus, ao concentrar emprego, renda e cadeia urbana numa economia de baixa dependência direta da derrubada, pode operar como infraestrutura econômica de contenção do desmatamento.
No recorte 2000–2006, o “efeito PIM” é traduzido como desmatamento evitado entre 1,53 e 2,19 milhões de hectares no Estado do Amazonas — o que recoloca a ZFM no lugar que falta na política climática: não apenas indústria na floresta, mas floresta preservada por uma engenharia econômica
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