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Há dois tipos de sustentabilidade. A primeira vive de adjetivos.
A segunda vive de engenharia. A primeira mora no palco.
A segunda mora no cano, no chão, na estação de tratamento, no relatório que aguenta luz forte.
Por Alfredo Lopes BrasilAmazoniaAgora - Follow Up 14.01.2025
O Relatório de Sustentabilidade 2024 da Honda South America - um documento admirável- desce ao nível em que a verdade costuma morar: o nível do processo. E quando desce, Manaus aparece não como caricatura, mas como fato — e como uma peça que o Brasil precisa enxergar com maturidade: a indústria organizada como forma concreta de proteger território, ordenar trabalho, educar técnica, reduzir risco e, sim, sustentar a floresta em pé com economia legal e verificável.
A Moto Honda da Amazônia, ali, não é coadjuvante. É vitrine.
E vitrine de verdade não mostra maquiagem: mostra estrutura.
A seguir, três destaques que transformam a Honda em Manaus numa referência fabril avançada — um cartão de visitas daquilo que chamamos, sem poesia barata, de indústria da floresta.
Manaus além da montagem: a fábrica que fabrica a própria fábrica
O primeiro destaque não é “ambiental”. É industrial.
E por isso é decisivo.
O relatório descreve a unidade de Manaus como um complexo que vai além da montagem e a define como a mais verticalizada do mundo na produção de motos Honda. Um lugar onde se fabricam não apenas produtos, mas partes da própria infraestrutura produtiva: embalagens metálicas, moldes, tubos, escapamentos, rodas, guidões, chassis — e outros componentes e estruturas de fabricação.
Isso significa densidade. Significa conhecimento aplicado.
Significa controle. Significa cadeia.
E, sobretudo, significa uma coisa que Brasília e São Paulo entendem quando querem: previsibilidade é investimento.
Energia limpa com prova: neutralização total e impacto regional
O segundo destaque é o tipo de fato que derruba conversa fiada.
O relatório afirma que, desde abril de 2023, a Moto Honda da Amazônia vem alcançando a neutralização de 100% do consumo de energia elétrica, combinando I-REC e aquisição de energia renovável no mercado livre.
E o efeito não para no portão da fábrica.
O texto sustenta um impacto sistêmico: por iniciativas como as da Moto Honda da Amazônia, a Honda South America registra cerca de 99% da energia elétrica proveniente de fontes limpas.
Aqui está a linha que deveria virar manchete:
energia limpa não é enfeite moral — é atributo de competitividade e reputação.
Num mundo de barreiras climáticas, a energia virou passaporte.
ESG de verdade mora na água: efluente tratado, devolução responsável e disciplina industrial
O terceiro destaque é o mais simbólico, porque é o mais concreto.
A Moto Honda da Amazônia opera uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) capaz de tratar 1.449 m³ por dia, com capacidade de até 2.500 m³ por dia, com purificação antes de devolução ao meio ambiente.
Esse é o ponto.
A fábrica não terceiriza impacto.
Ela trata. Ela mede. Ela devolve com método.
E a mesma lógica aparece na circularidade: o relatório reforça que a Moto Honda da Amazônia e unidades de automóveis no Brasil já são “aterro zero” e registra elevação da taxa de reciclagem em 2024 para 82,1%.
Quando a sustentabilidade é real, ela não pede aplauso.
Ela pede auditoria — e entrega.
A Honda em Manaus e a narrativa que o Brasil precisa conhecer
O Brasil tem o hábito de depreciar o que deveria defender.
E, às vezes, faz isso por ignorância. Outras vezes, por conveniência.
O caso de Manaus — como aparece neste relatório — é um convite à sobriedade:
a indústria incentivada pode ser densa, pode ser limpa com evidência, pode ser responsável no processo, e pode ser, por isso, um instrumento indireto de política climática e de coesão territorial.
Não é romantismo.
É contabilidade do real.
(*) Follow Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal
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