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Mais de 45 mil bicicletas produzidas no PIM em junho

Fonte: Antonio Parente

Retorno gradativo das atividades nos diferentes setores da economia impulsionou a fabricação de bicicleta do PIM (Polo Industrial de Manaus) no mês de junho. O setor registrou no período, a fabricação de 46.913 unidades. Conforme a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) a quantidade representou uma alta de 117,3% em relação a maio deste ano, quando foram contabilizados 21.587 unidades fabricadas. Em relação a junho do ano passado (58.467 unidades) houve queda de 19,8%.

Para o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, os números positivos trazem uma recuperação do setor e uma expectativa de melhora para os próximos meses. Outro fator que segundo ele tem contribuído para a leve aquecida no segmento, é o estímulo das autoridades ao uso de bicicletas como alternativa de mobilidade urbana.

“A recomendação de utilizar a bicicleta para locomoção durante e pós pandemia nos deslocamentos vem da própria Organização Mundial da Saúde – OMS. É um modal individual que ajuda a evitar a disseminação do vírus da covid-19”, destaca.

Na análise da economista Denise Kassama, um dos principais fatores que provocaram o aumento na produção bicicletas foi o crescimento de atividades que buscam meios de transporte de menor custo. “Um grande exemplo disso é o setor de delivery, que cresceu exponencialmente neste período de pandemia, chegando a apresentar em algumas cidades um aumento de até 400%. Esta expansão é visível tanto nos aplicativos específicos que têm apresentado cada vez mais diversidade de ofertante, como em, situações mais comuns como mercadinhos de bairro, feiras livres e até bebidas e artigos específicos”, disse.

Outro fator citado por Kassama foi o atual cenário de paralisação das atividades econômicas por conta do decreto de isolamento governamental durante a pandemia. Tal decisão levou muitos profissionais a perderam seus empregos, e o cenário ficou propício para o aumento da procura da atividade como alternativa econômica.

“Devido à baixa remuneração, muitos entregadores estão escolhendo como meio de transporte a bicicleta, evitando o custo com combustível. Mesmo em uma cidade como Manaus, que além de clima quente, possui uma geografia bastante diversificada com ladeiras , já é bastante comum observar entregadores em bicicletas”, explicou.

Segundo Denise, a indústria está tentando buscar sua recuperação em meio a processos lentos, pois tudo vai depender nos próximos meses, das condições econômicas da população. Ela ressalta que o empenho de políticas públicas será fundamental para a forma que o mercado vai reagir nos próximos meses.

“A indústria é um dos principais vetores de crescimento econômico, gerando arrecadação para o Estado, emprego e renda para a sociedade, contribuindo para a movimentação da roda da economia. É importante que neste processo hajam políticas públicas nas esferas federal, estadual e municipal que estimulem a indústria e o consumo de seus produtos aqui fabricados”, destacou.

Cautela

De acordo com a Abraciclo, apesar do ânimo que a produtividade do setor mostrou em junho, os números do primeiro semestre deste ano não foram muito animadores. O setor registrou a fabricação de 249.494 bicicletas. A quantidade mostra uma diminuição de 36,2% no volume em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o segmento contabilizou 391.188 unidades.

Para Gazola, o comportamento do mercado e postura das autoridades em relação ao período pós pandemia, será fundamental para o desempenho do setor para o resto do ano.“Ainda há muita incerteza em todos os setores, não apenas no que se refere à economia. Precisamos acompanhar não só os indicadores, mas também a implementação das medidas de saúde pública para termos condições de fazer novas projeções”, explica.

Segundo o economista Marcus Evangelista, o panorama concreto do setor só poderá ser definido após o comportamento do consumidor frente ao seu poder econômico no período pós pandemia “A estabilização do segmento nós só vamos poder confirmar isso no decorrer dos dias onde o consumidor vai dispor a fazer as suas compras. O que acontece? O fator pós pandemia vai ser um diferencial nessa decisão. Enquanto não tivermos realmente a superação desse assunto, não vamos poder prever quando é que nossa economia vai se estabilizar a nível de consumo”, disse.

Resultado por categoria

Segundo a Abraciclo, categoria mais produzida em junho foi a Mountain Bike com 26.536 unidades. O volume foi 59,3% superior ao registrado em maio (16.657 unidades) e 4,5% maior ante as 25.394 bicicletas fabricadas no mesmo mês de 2019. Com 19.011 unidades, a categoria Urbana/Lazer ficou em segundo lugar do ranking. Na comparação com maio (4.471 unidades), a alta foi de 325,2% e em relação a junho do ano passado (18.549 unidades), o crescimento foi de 2,5%

A MTB também liderou o ranking das categorias mais produzidas no primeiro semestre de 2020. Foram fabricadas 151.307 unidades, volume que corresponde a 60,6% de participação no total. Na sequência, vieram Urbana/Lazer (76.077 unidades e 30,5% de participação), Infantojuvenil (15.125 unidades e 6,1%), Estrada (4.576 unidades e 1,8%) e Elétrica (2.409 unidades e 1%).

Distribuição por região

A região Sudeste foi a que recebeu o maior volume de bicicletas fabricadas no PIM. Foram enviadas 25.005 unidades, alta de 100,7% na comparação com maio (12.457 unidades). Em relação ao mesmo mês do ano passado, foi registrada queda de 26,3% (33.949 unidades). A região Sul, com 9.159 bicicletas. O volume foi 107,4% superior ao registrado em maio (4.417 unidades) e 17,9% maior ante as 7.770 unidades enviadas em junho de 2019. Com 6.531 unidades, a região Nordeste apareceu em terceiro lugar. Na comparação com maio, o crescimento foi de 114,3% (3.048 unidades) e em relação ao mesmo mês do ano passado, houve aumento de 4,3% (6.261 unidades). A região Centro-Oeste, com 3.695 bicicletas, correspondendo a uma alta de 180,6% ante as 1.317 unidades enviadas em maio e de 13,5% na comparação com junho de 2019 (3.256 unidades). A região Norte ficou com 2.523 unidades, que representou alta de 625% em relação ao mês anterior (348 unidades) e recuo de 65,1% na comparação com junho do ano passado (7.231 unidades).

No ranking do primeiro semestre, a região Sudeste liderou com 134.417 unidades recebidas, volume que correspondeu a 53,9% do total distribuído. Em segundo lugar, ficou a região Sul (44.836 unidades e 18% do volume total), seguida pela Nordeste (38.478 unidades e 15,4%), Centro-Oeste (18.793 unidades e 7,5%) e Norte (12.970 unidades e 5,2%).

IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat analisados, em junho foram importadas 1.998 bicicletas em todo o território nacional. O volume foi 22,7% superior ante as 1.629 unidades registradas em maio do presente ano. Na comparação com junho do ano passado (3.695 unidades), houve retração de 45,9%.

O maior volume de bicicletas veio da China (1.390 unidades e 69,6% do volume importado). Na sequência do ranking vieram Taiwan (497 unidades e 24,9%) e Camboja (64 unidades e 3,2%). No primeiro semestre de 2020, as importações somaram 25.672 unidades, correspondendo a uma alta de 5,1% na comparação com o mesmo período do ano passado (24.432 unidades).

Já as exportações brasileiras de bicicletas atingiram 1.049 unidades, resultado 21,8% maior que o alcançado em maio (861 unidades). No primeiro semestre, os números somaram 3.887 unidades, representando uma queda de 58,1% em relação ao mesmo período do ano passado (9.269 unidades). As bicicletas produzidas em todo o território nacional foram embarcadas para o Uruguai (1.000 unidades e 95,3% do total) e Bolívia (49 unidades e 4,7%). O Paraguai foi o principal parceiro comercial em junho com 1.636 unidades e 42,1% do total embarcado. Em segundo lugar ficou o Uruguai (1.150 unidades e 29,6% do total), seguido pela Bolívia (554 e 14,3%).

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