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Interior segue contratando

  • Postado em: 04/07/2022
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MARCO DASSORI

@marco.dassori @jcommercio

O interior do Amazonas registrou seu quarto mês seguido de saldo positivo de empregos formais, em maio. As contratações (+1.519) superaram as demissões (-1.013), gerando acréscimo de 506 postos de trabalho com carteira assinada e alta de 1,30% sobre o estoque anterior. Foi um resultado abaixo do registrado em abril de 2022 (+620 e +1,31%), mas bem superior ao de 12 meses atrás (+275 e +0,76%) –período em que o Estado já deixava para trás os impactos econômicos da segunda onda. Os municípios também conseguiram se manter no azul nos acumulados do ano (+1.633) e dos últimos 12 meses (+3.481).

A nova alta nas contratações foi sustentada pela maior oferta de vagas nos serviços e no comércio, que foram seguidos de longe por construção e indústria. A agropecuária saiu do campo negativo, mas praticamente empatou. A quantidade de municípios com saldo positivo aumentou, mas os resultados vieram novamente concentrados em poucas localidades, com destaque para Parintins.

Em sintonia com o aumento dos custos dos insumos agrícolas e as incertezas no polo de concentrados em decorrência da crise do IPI, Presidente Figueiredo concentrou a maior parte dos cortes. Em maio, 41 dos 61 dos municípios do interior do Amazonas tiveram mais admissões do que desligamentos –contra 29, em abril. Ao menos oito pontuaram estabilidade e os 12 restantes extinguiram empregos. Mas, o volume de vagas geradas na maioria das cidades ficou novamente na casa de um dígito.

Em termos absolutos, os melhores resultados vieram de Parintins (+96 vagas e +3,28% de alta), Manacapuru (+61e +2,02%) e Humaitá (+37 e +1,48%). A maior expansão proporcional veio do Careiro (17,06%), que criou 36 postos de trabalho. Em contraste, maio também foi um mês de poucos cortes, sendo que os piores números ficaram em Itamarati (-4 e -6,15%). No quadrimestre, 42 prefeituras comemoram geração de empregos, cinco ficaram na mesma e 14 amargaram destruição de empregos. Parintins (+282 e +10,30%), Manacapuru (+198 e +6,85%), Boca do Acre (+175 e +11,74%), Iranduba (+166 e +7,06%) e Humaitá (+163 e +6,89%) encabeçaram a lista. Já Presidente Figueiredo (-191 e -5,75%) foi novamente o único a amargar cortes de três dígitos.

Em 12 meses, o rol de municípios com empregabilidade no azul sobe para 52. Somente três estancaram e seis fecharam no vermelho. Parintins (+440 e +17,06%) e Codajás (-37 e -23,72%) ficaram nos extremos. Estoques e atividades Os números de maio confirmaram ainda que a oferta de trabalho formal no interior segue concentrada. A soma dos estoques de empregos –que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos –dos seis municípios mais populosos do interior respondeu por mais da metade de todo o volume de vagas contabilizadas fora da capital (39.480). A lista inclui Itacoatiara (6.553), Presidente Figueiredo (3.132), Manacapuru (3.108), Parintins (2.922), Tabatinga (2.868) e Iranduba (2.529).

A distribuição da oferta pelos setores econômicos veio mais diluída. Diferente dos últimos meses, todos os setores econômicos conseguiram saldos positivos, na passagem de abril para maio de 2022. O interior superou a capital, que voltou a amargar eliminação de vagas na indústria. As contratações nos municípios foram carreadas por serviços (+2.15) e comércio (+145), embora construção (+80) e indústria (+63) também não tenham se saído mal.

A agropecuária saiu do vermelho, mas gerou apenas três vagas. No quadrimestre, a agropecuária (-273) eliminou empregos e a construção (+85) seguiu em recuperação. Serviços (+703), comércio (+664) e indústria (+454) puxaram as contratações. Destaques em todas as comparações, Parintins foi alavancado por serviços pessoais, de atividades associativas e de manutenção de equipamentos (+76). Manacapuru teve suas contratações sustentadas pelo varejo (+20) e pela indústria alimentícia (+10). As demissões de Presidente Figueiredo, por outro lado, se concentraram principalmente em produção de lavouras temporárias (-9) e no comércio em geral (-13). “Abaixo do esperado” Para a economista, consultora e professora, Denise Kassama, os números do Novo Caged indicam o processo de retomada do crescimento no interior, mesmo que “lento” e “abaixo do esperado”. “Um ano atrás, a economia começava a se abrir e superar as restrições da pandemia, sendo que serviços e comércio foram os mais afetados.

É natural que os dados superem 2021 e 2020. Mas, as empresas se organizaram em estruturas mais enxutas e com maior suporte da tecnologia. Postos de trabalho que ficaram vagos, em sua maioria, deixaram de existir”, frisou. Denise Kassama lembra que o interior é “atípico”, marcado por distâncias, “difícil acesso” e pouca comunicação, sendo que a principal fonte de empregos são as prefeituras, que dependem de repasses federais e estaduais. “Em 2021, houve uma arrecadação significativa de ICMS pelo governo estadual.

A dificuldade e o grande desafio dos futuros governantes é melhorar os canais logísticos, possibilitando que a sua produção alcance outros municípios de forma competitiva”, assinalou. Na análise da economista, diante da atual conjuntura, a tendência é que o cenário inflacionário e de juros altos se mantenha ao longo de 2022 e parte do próximo ano, inibindo a geração de empregos formais. “A guerra da Ucrânia estimula o aumento da demanda das commodities brasileiras, o que é bom para os produtores, mas pressiona os preços, se não houver políticas públicas para estimular a venda interna. A questão dos combustíveis também tende a se perpetuar e a situação não se resolverá nem no longo prazo, pois o Brasil é autossuficiente na produção, mas reduzindo sua estrutura de refino. Já a questão [dos insumos] da China afeta a economia global e é preocupante para a ZFM”, lamentou.

Decretos e projetos Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o consultor econômico e coordenador regional da Abed (Associação Brasileira de Economistas pela Democracia), Inaldo Seixas, observou que a economia do interior é lastreada por “pequenos estabelecimentos” de comércio e serviços e muito “atrelada à capital”. “Por conta dos decretos de IPI, temos empregos afetados no polo de concentrados, com impactos em Presidente Figueiredo, Maués e outros municípios”, lamentou, acrescentando que o contingente de pessoas que dependem do Auxílio Brasil supera o estoque de empregos.

Também em entrevista anterior, o economista, advogado, administrador e consultor, Farid Mendonça, avaliou que parte do crescimento da oferta de empregos pode estar se dando em decorrência de projetos de agroindústrias aprovados pelo Codam e pelo CAS, mas o movimento apontaria mais para “um andar de lado”. Também concorda que o panorama apresenta entraves globais, mas destacou que o fato de o ano ser político mantém os agentes econômicos na expectativa. “Acho que a gente já está sentindo o impacto dos decretos, apesar da liminar. O interior acaba pegando a rebarba da capital e sente o pé no freio dos investimentos.”, encerrou.

Fonte: Jornal do Commercio