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Colônia das lideranças que não interagem

*Augusto César Barreto Rocha

Há um afastamento misterioso entre as instituições do Amazonas. Vê-se que as universidades poderiam ser muito mais próximas das indústrias e vice-versa. O mesmo acontece entre órgãos do governo. Por quais razões o INPA ou Embrapa estão longe da Suframa e da construção do CBA? Quais razões levam aos órgãos de trânsito e mobilidade urbana estarem distantes das universidades e dos cursos e alunos de arquitetura, engenharia civil, estatística e matemática? Existe por aqui uma distância onde todos ficam encastelados em suas fronteiras.

Augusto César Barreto Rocha é professor da UFAM

Quando estas instituições se conectam com outras para lidar com o dia a dia, é mais fácil vê-las interagindo com outros Estados ou com o exterior. Assim, veremos empresas de consultoria nacionais ou internacionais atuando por aqui, mas dificilmente veremos projetos que emergiram do Amazonas e para o Amazonas, a partir de uma interação institucional local. Acredito que algo está errado. O que nos levou a esta condição? Não sei ao certo, mas percebo claramente que isso é um problema real.

Encastelados e paralisados

Lembrei-me desta reflexão porque tive uma semana rara, onde concedi três entrevistas sobre o mesmo assunto: Sistema de Transporte da cidade. As perguntas foram semelhantes, em cada contexto, por qualquer dos entrevistadores. Refletindo, após o ciclo, vejo que são problemas conhecidos, com soluções conhecidas, mas com ações inexistentes. E este problema se repete noutros problemas. Por qual razão será que as ações não são tomadas? Parece que as lideranças ou não sabem como lidar com os problemas ou não possuem recursos para fazê-lo, quer sejam intelectuais, financeiros ou de vontade. Então interagir para solucionar os problemas vai apenas demonstrar uma ou todas as suas fragilidades, e isso poderá questionar se a liderança é legítima.

Algo está fora do lugar

Será que esta é uma percepção válida? Será que estas são respostas válidas? Não sei. É impossível afirmar categoricamente. Deixo as conclusões para o leitor atento de nossa realidade, nesta sequência de reflexões sobre o nosso posicionamento como Colônia autoimposta. Afinal, temos a liberdade relativa de todos os Estados do Brasil, mas aceitamos ficar amarrados em uma realidade onde há vantagens para alguns e desvantagens para outros, com os menores IDH do Brasil cobrindo a maior parte dos municípios do Amazonas e com as menores taxas de alfabetização, segundo dados do INEP. Os líderes são escolhidos pelos liderados e os liderados possuem as lideranças que merecem. Ou será que tem algo fora do lugar?

(*) professor da UFAM

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