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Amazônia – FGV leva o Brasil a passear na floresta

  • Postado em: 15/12/2021 09:05
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Mais uma oportunidade do Brasil conhecer este Brasil onde borbulham mais de 20% dos princípios ativos da Terra, nossa biodiversidade, e também a reserva natural de recursos hídricos, mais de 1/5 da água potável disponível para a Humanidade.

Wilson Périco

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É preciso experimentar, saborear e amar a Amazônia antes de se tornar especialista em floresta. Nesta segunda-feira, 13 de dezembro, tive a oportunidade de participar do 20° Diálogos Amazônicos, da Fundação Getúlio Vargas, na companhia do de Antônio Silva, presidente da FIEAM, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, e de Algacir Polsin, superintendente da Zona Franca de Manaus, sobre as oportunidades de desenvolvimento sustentável de nossa região. Mais uma oportunidade do Brasil conhecer este Brasil onde borbulham mais de 20% dos princípios ativos da Terra, nossa biodiversidade, e também a reserva natural de recursos hídricos, mais de 1/5 da água potável disponível para a Humanidade. Foram 20 conferências em 2021, sob a coordenação acadêmica de Márcio Holland e Daniel Vargas, dois professores da

FGV, que debateram ao longo do ano com renomados especialistas do país e do exterior em desenvolvimento regional, economia da sustentabilidade, Bioeconomia, piscicultura, entre outras vertentes desta imensidade verde do patrimônio natural amazônico.

As conferências da Fundação Getúlio Vargas – disponíveis na página da FGV do YouTube – são verdadeiros arsenais de uma guerra na floresta, como dizia Samuel Benchimol, e cruciais para a compreensão da necessidade do desenvolvimento da Amazônia, e do Brasil, claro, dentro de parâmetros climáticos equilibrados e benéficos para o planeta. Destacamos dois episódios, entusiasmante para arregaçar as mangas e frustrantes se considerarmos que, na relação com a Amazônia, o Brasil continua deitado em berço esplêndido.

O primeiro episódio, 17/05/21, tratou do empreendedorismo sustentável e ficou a cargo do empresário e economista Denis Minev, diretor e presidente da Grupo Bemol – um empreendimento com 80 anos de pioneirismo empreendedor, que ilustra a saga judaica na Amazônia, seus avanços e contribuições. “Desenvolver a Amazônia é proteger a floresta com iniciativas sustentáveis e inovadoras que mantenham a floresta em pé”. Denis ilustrou suas considerações com a piscicultura, ao responder o que faria se dispusesse de 1% do território amazônico para empreender. Detalhou as etapas dessa atividade e assegurou que ela tem potencial para inserir o país entre as nações mais ricas do mundo. 1% da Amazônia permitem 5 milhões de tanques para criação de peixe em cativeiro de 1 hectare, onde seria possível produzir 10 toneladas de proteína de peixe(pirarucu, tambaqui ou matrinxã, para dar exemplo de primícias gastronômicas) por hectare. Já temos tecnologia para 22 ton/hectare. O quilo de peixe vendido diretamente pelo produtor pode ser estimado em R$5, +ou-, U$1. Façam as contas!

E com relação ao que não pode ser feito, Denis Minev mencionou a atividade agropecuária a partir do desmatamento ou queimadas. Isso está associado a pobreza extrema, desemprego, violência, destruição e fome. “Este é o pior sistema que poderia ser usado com a desculpa de desenvolver a Amazônia”. As principais e indispensáveis cadeias produtivas da Amazônia são as cadeias do conhecimento, que usa inovação tecnológica para agregar valor aos extratos vegetais, beneficiamento do pescado, manejo florestal, recuperando áreas degradadas para produção de alimentos, fármacos, partindo da biologia molecular para construir ativos com aplicação industrial. Não há outro caminho para proteger um bem natural que não seja atribuir-lhe uma finalidade econômica e sustentável. Para empinar a curica da Bioeconomia, insiste frequentemente Denis Minev, precisamos flexibilizar a burocracia, e no lugar de proibir, fazer juntos. Investimentos robustos em qualificação de recursos humanos e muita vontade política. “O Brasil precisa abraçar a Amazônia como fez com o Programa do Álcool, com a Embraer, com a Embrapa na produção de alimentos.”

Outro destaque do ano foi o debate entre Celso Moretti presidente da Embrapa e Jório Veiga, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do governo do Amazonas. A partir do plano de Trabalho Embrapa 20/30, Moretti sublinhou o capítulo inteiro dedicado à Bioeconomia, lembrando que a empresa trabalha com sustentabilidade em seus projetos de Sistemas Florestais. Insistiu na identificação de atividades econômicas baseadas nos bioativos florestais amazônicos. Lembrou que a Embrapa atua através de propósitos e que há duas décadas trabalha com a integração lavoura/pecuária/floresta e agricultura, numa equação sustentável e de aproveitamento integral dos recursos naturais. Detalhou uma expedição de pesquisadores da Embrapa através de 6000km de rios amazônicos, coletando material genético com múltiplas aplicações nas atividades agrossilvopastoris. No debate com seu interlocutor, Jorio Veiga, deixou claro seu interesse em associar-se ao setor privado como parceiro empreendedor para disseminar a economia baseada na diversidade biológica da Amazônia.

Por sua vez, o secretário Jorio Veiga mencionou as diversas linhas de planejamento e detalhamento das atividades de seu planejamento plurianual PPA, onde a Bioeconomia é a grande vedete. Mencionou suas negociações preliminares com a Embrapa Amazônia Ofidental, órgãos e agências de fomento, sublinhando o papel da Fapeam, Fundação de Amparo à Pesquisa, e do BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento e CAF, Conselho Andino de Fomento, parceiros em planos, metas e pilotos de demonstração. Lembrou que o polo industrial de Manaus recolhe cerca de R$4 bi/ano, para fomentar o desenvolvimento e legalmente aplicáveis nestes projetos e programas de desenvolvimento regional. Enfatizou ainda a interconexão dos programas de bioeconomia com as contribuições de inovação tecnológica das instituições locais de tecnologia da comunicação e informação.

E quais são as premissas necessárias para transformar esse acervo de proposições em ações concretas? A primeira delas é adensar, diversificar

consolidar o Polo Industrial de Manaus, a principal fonte de recursos gerados neste programa de desenvolvimento regional chamado ZFM. A segunda exigência é assegurar um Conselho Gestor interinstitucional, público/privado dos recursos gerados na região pela política de Estado baseada em contrapartida fiscal. Esses recursos vão além do montante mencionado pelo secretário Jório Veiga. O polo industrial de Manaus recolhe a cada ano R$19bi para os cofres federais. Esse recurso, ao menos parte dele, deveria somar-se à contribuição estadual da indústria e viabilizar os programas e projetos debatidos e detalhados nas 20 conferências dos Diálogos Amazônicos. Entre os resultados desta iniciativa, a Fundação Getúlio Vargas, com a participação de estudiosos, empresários e empreendedores locais e regionais, especializados em desenvolvimento regional, está o documento Amazônia do Futuro que reúne o passo a passo da efetiva redução das desigualdades regionais e a viabilidade de transformação do Brasil numa das nações mais destacadas no desenvolvimento econômico e na sustentabilidade ambiental de que somos capazes.

Clique aqui para ler o documento Amazônia do Futuro