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Indústria do AM recua em faturamento, produção e massa salarial em julho

  • Postado em: 14/09/2021
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Marco Dassori

A indústria do Amazonas encerrou julho com números negativos em praticamente todas as frentes. O maior tombo foi sentido no faturamento, mas houve perdas significativas nas horas trabalhadas, em que pese o discreto crescimento no uso da capacidade instalada do setor. Os empregos experimentaram um segundo mês de estabilidade – com viés de baixa –, enquanto a massa salarial amargou queda de dois dígitos na massa salarial. É o que revelam os números locais dos Indicadores Industriais da CNI, compilados em parceria com a Fieam.

Conforme o estudo, o faturamento real da manufatura local encolheu 10,9% na variação mensal. Foi um tombo bem mais severo do que o capturado no levantamento precedente (-3%). Confrontado com o valor de julho de 2020 – quando o PIM já ensaiava sua retomada pós-primeira onda –, as vendas decolaram 128,8%. Em sete meses, o aumento foi de 170,9%. Na média brasileira, a retração mensal (-0,4%) foi mais baixa, a anual também sofreu retração (-0,2%) e a acumulado foi mais baixa (+14,1%).

Em paralelo, as horas trabalhadas nas linhas de produção da indústria amazonense caíram 2%, entre junho e julho deste ano, em desempenho comparativamente melhor do que o dado anterior (-6,3%). Na comparação com a marca de 12 meses atrás, o indicador ainda se apresenta no azul (+3,1%), segurando o acumulado em alta de 24,8%. Em todo o país, o setor foi na direção contraria na variação mensal (+0,3%) e foi melhor nas demais comparações (+9,4% e +14,6%, respectivamente).

O único dado positivo registrado pelo parque industrial amazonense, em julho, veio da UCI (utilização da capacidade instalada) – que trata do percentual de máquinas comprometidas na produção. O indicador retomou ao campo positivo (+0,89%), entre o sexto (78,2%) e o sétimo (78,9%) mês deste ano. Em relação a julho do ano passado (69%), houve expansão de 14,35%. Na média do acumulado do ano (75,77%), ficou 2,1 pontos percentuais acima da marca do mesmo intervalo de 2020 (72,87%), segundo análise da Fieam.

Em contraste, o indicador nacional caiu de 82,6% para 76,2%, na variação mensal dessazonalizada, além de ficar acima da marca de junho de 2020 (70,1%).“Apesar da leve queda ocorrida no mês, a Utilização da Capacidade Instalada está acima de 80% há cinco meses”, ressalvou o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, em texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNI.

Empregos e salários

Os dados relativos à mão de obra da indústria do Amazonas, por outro lado, voltaram ao vermelho. O saldo de contratações das fábricas instaladas no Estado sinalizou queda (-0,1%), na comparação com junho de 2021, após a estabilidade anterior. No confronto com o mesmo mês do ano passado, houve um novo acréscimo de 7,2%, fortalecendo o acumulado dos sete meses iniciais do ano (+8%). Em âmbito nacional, houve nova elevação mensal (+0,5%), sendo acompanhada pelos respectivos comparativos (+7% e +3,7%). Na análise da CNI, o emprego está no maior patamar desde abril de 2016.

Já a massa salarial da manufatura amazonense segue oscilando. Despencou 14,7%, praticamente eliminando o ganho de junho (+19,5%) e reforçando as perdas de maio (-2,6%) e abril (-1%). A variação anual foi negativa em 1%, mas o acumulado do ano (+4,4%) se manteve no azul. A média brasileira foi 2,3% mais baixa, no confronto com junho deste ano, mas conseguiu manter altas na comparação com julho de 2020 (+5,5%) e no aglutinado do ano (+2,4%).

Desconfiança e desabastecimento

Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, o presidente da e da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, salientou que os recuos mais acentuados se deram nos segmentos de duas rodas, eletroeletrônicos e bens de informática. Segundo o dirigente, o tropeço se deu especialmente em virtude do impacto da crise “na área política e institucional” na confiança dos empresários e suas intenções de investir, contratar e produzir.

“O que está ocorrendo na produção local não é problema apenas do Amazonas, mas de todo o país. (…) Infelizmente, esse é o quadro”, lamentou. “A estratégia para lidar com situações iguais a essa varia de acordo com o planejamento de cada empresa. Umas reduzem o volume produzido, ou tentam eliminar custos possíveis, a fim de não perder competitividade no mercado e poder colocar seus produtos a disposição do consumidor”, explicou.

À reportagem do Jornal do Commercio, Antonio Silva, acrescentou que a inflexão negativa registrada pelo levantamento de julho pode ser explicada também em decorrência das férias coletivas do período, problemas de abastecimento de partes e peças para as linhas de produção e a própria desaceleração do PIB brasileiro, entre outros fatores.

“O valor do frete, em razão dessa insuficiência de insumos, praticamente triplicou desde o início do ano. É preciso salientar, contudo, que os números globais continuam positivos. Devemos atentar que a retração no consumo, oriunda da crise econômica, e da instabilidade política podem afetar a atividade industrial, bem como a inflação. Esses fatores, aliados à escassez, impõem um cenário que demanda atenção do segmento”, concluiu.

Fonte: JCAM