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Indústria de bicicletas busca superar a escassez de insumos

  • Postado em: 26/01/2022
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Marco Dassori

A escassez de componentes gerada pela crise global nas cadeias de abastecimento comprometeu a meta de produção de bicicletas no PIM. Com isso, o resultado de 2021 ficou 8,6% abaixo do projetado pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), embora tenha avançado 12,6% sobre 2020. Confiante na alta da demanda, a entidade projeta expansão de 17,4% para 2022 e frisa que as empresas estão apostando no incremento da capacidade fabril.

Números da Abraciclo, apresentados em coletiva de imprensa realizada na semana passada, mostram que o polo de bicicletas do PIM pedalou com mais força e velocidade no ano passado, apesar das dificuldades. As fabricantes produziram 749.320 unidades, no ano passado, 12,6% a mais na comparação com 2020 (665.186), mas 8,6% aquém da projeção da entidade (820.000) – que sofreu duas correções, ao longo de 2021. O ritmo, contudo, desacelerou em dezembro (25.370), ao derrapar 35,6% em relação ao resultado de 12 meses atrás (39.400) e desabar 65,8% ante novembro de 2021 (74.078).

Sem mencionar a queda anual, o vice-presidente do Segmento de Bicicletas, Cyro Gazola, explicou que o volume de fabricação costuma sofrer sazonalidade em dezembro, sendo menor do que nos meses anteriores, devido à parada das fábricas para as férias coletivas. Em contrapartida, o período costuma ser aproveitado pelas montadoras para a realização de serviços de manutenção e ajustes necessários em suas linhas de produção.

Embora enfatize que o PIM tem capacidade para produzir mais, o executivo ressalta que a crise de abastecimento minou os resultados. Em torno de 50% das partes e peças de uma bicicleta são importados de fornecedores globais – a exemplo de sistemas de freios, transmissões, suspensões e selins. “A falta de insumos foi o principal gargalo para a retomada. Tivemos muitos problemas devido à escassez de componentes, o que dificultou a montagem de alguns modelos e limitou o processo produtivo”, lamentou.

Aposta redobrada

Em divulgação anterior, o vice-presidente do Segmento de Bicicletas que o desabastecimento deve se prolongar até o fim deste semestre. O executivo avalia, entretanto, que o ano “bastante conturbado” de 2021 deve ser seguido por uma retomada gradativa no ritmo de produção. “Além de todo o impacto da pandemia, a escassez de peças e componentes travou o ritmo das unidades fabris. Esse problema ainda vai persistir por mais alguns meses, mas acreditamos que em uma intensidade menor. Dessa forma, teremos capacidade para atender à demanda que mantém tendência de alta”, frisou.

Por conta disso, a Abraciclo está redobrando as apostas e calcula que as fabricantes do Polo Industrial de Manaus devem elevar o ritmo de produção em 17,4%, neste ano, e atingir um patamar de 880 mil unidades, em dezembro de 2022. Segundo Cyro Gazola, as associadas da entidade estão trabalhando em melhorias na infraestrutura e em novas tecnologias nas linhas de produção para garantir que a meta estabelecida seja efetivamente atingida, desta vez. O dirigente lembra que, na reta final de 2021, duas fabricantes do subsetor já anunciaram ampliação da capacidade produtiva.

“As associadas investem para atender ao crescimento da demanda e ao consumidor, que aderiu ao hábito de pedalar na busca por um transporte seguro e uma vida saudável durante a pandemia. Além disso, a bicicleta também passou a ser instrumento de trabalho para os profissionais que atuam nos serviços de entrega”, justificou. “Com mais pessoas pedalando, é preciso que haja mais investimentos também na melhoria da malha cicloviária, para garantir segurança aos ciclistas”, completou, acrescentando que “a constante alta nos preços dos combustíveis” também impulsiona a procura pelo modal.

Em sintonia, em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, e vice presidente da Fieam, Nelson Azevedo, disse que 2022 ainda será de recuperação para o polo de duas rodas. O dirigente estimou que os empregos devem ter acréscimo de 6% a 7%, mas também manifestou expectativa de que o PIM volte a “fortalecer a cadeia produtiva, que já foi mais robusta, para não ficar nessa total dependência da Ásia”.

MTB e Elétrica

Com 465.095 unidades fabricadas e sendo responsável por 62,1% do volume total, a MTB (Moutain Bike) liderou o ranking das categorias de bicicletas mais produzidas pelo PIM, de janeiro a dezembro, ao avançar 28,7% sobre o dado de 2020 (361.379). Em contraste, a produção de dezembro (19.429) ficou 62,3% abaixo do registro de novembro (51.456) e caiu 25,9% ante o resultado apresentado no mesmo mês de 2020 (26.234).

“A Moutain Bike encara qualquer tipo de terreno: pode ser usada nos deslocamentos diários e para a prática esportiva. Essa versatilidade caiu no gosto dos brasileiros, que agora também está descobrindo as vantagens de ter uma bicicleta elétrica. É uma opção para quem quer aderir ao transporte limpo e sustentável”, comemorou Cyro Gazola.

Com fatia de 26,3%, a categoria Urbana/Lazer (196.784) foi na direção contrária, na variação acumulada (-8,7%). Na sequência está a Infanto-Juvenil (62.002 unidades e 11,2% de participação), com decréscimo de 17%. Os melhores resultados vieram dos modelos com produção minoritária. A maior elevação proporcional (+119%) ficou na categoria Elétrica (10.294), que ainda responde por 1,4% do total, mas mostra tendência de alta. Com volume de fabricação pouco superior em representatividade (2%), a Estrada somou 15.145 unidades manufaturadas em 2021, montante 70,4% superior ao de 2020 (8.886).

Na divulgação anterior, Gazola assinalou que a bicicleta elétrica é “uma boa opção de deslocamento nas cidades” e avaliou que será cada vez mais comum ver modelos como esse na rua. “O mercado para esta categoria cresce ano a ano e a perspectiva é que continue em alta. É uma tendência global de consumo: optar por produtos em sintonia com o meio-ambiente e adotar um estilo de vida mais saudável”, apontou.

Exportações em alta

O segmento também teve boas vendas no estrangeiro. A Abraciclo informa que o PIM exportou 4.959 bicicletas, em dezembro, o que equivale a um decréscimo de 0,3% na comparação com novembro (4.976), mas também a uma escalada de 82% em relação ao mesmo mês de 2020 (2.724). Dados do portal Comex Stat informam que o principal destino foi o Paraguai (47,3% do volume total), para onde foram embarcadas 2.345 bicicletas. Na sequência vieram o Uruguai (1.892 e 38,2%) e a Bolívia (467 e 9,4%).

De janeiro a dezembro de 2021, as vendas externas de bicicletas totalizaram 28.414 unidades, uma elevação de 96,3% ante as 14.473 bicicletas registradas ao longo dos 12 meses do exercício anterior. De acordo com levantamento do portal Comex Stat, o ranking se repetiu nesse tipo de comparação. O Paraguai manteve a liderança deste ranking, com 14.291 unidades, respondendo por 50,3% das exportações. Foi seguido pelo Uruguai, que adquiriu 11.182 bicicletas (39,4% do volume exportado) e pela Bolívia (2.179 e 7,7%).

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do Centro Internacional de Negócios da Fieam, Marcelo Lima, lembrou que os países que adquirem os produtos do polo de duas rodas do PIM adquiriam similares mais baratos da China, mas passaram a comprar da indústria incentivada de Manaus. O motivo seria a melhor qualidade e a oferta de assistência técnica. “Havia alguma dificuldade logística, que foi superada. Por esse motivo, e pelo próprio crescimento vegetativo do mercado, a tendência é que a alta se mantenha em 2022”, arrematou.

Fonte: Agência Brasil