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ZFM 2050: Geopolítica e infraestrutura marcam os debates da conferência sobre o futuro da Amazônia

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10/06/2026

No evento de lançamento da agenda estratégica "Zona Franca de Manaus 2050", nesta terça-feira (9/6), em Brasília, a mesa de debates intitulada "Amazônia: visão geopolítica, socioeconômica e ambiental", reuniu o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) e o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia do MCTI, Dorival da Costa dos Santos, sob a moderação do professor da FGV, Márcio Holland.

O debate focou na defesa do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) como peça fundamental para a soberania nacional e na urgência de soluções logísticas perenes para a região.

O deputado Capitão Alberto Neto iniciou sua fala destacando que a ZFM é o único projeto de Estado de longo prazo no Brasil, criado inicialmente para integrar o norte e evitar a perda de território, como ocorreu no ciclo da borracha.

Ele rebateu as críticas sobre a renúncia fiscal, classificando-as como "falácia" e defendendo um investimento pesado em comunicação para contrapor ataques de outras federações industriais.

“Se a gente perder a indústria da Zona Franca de Manaus, ela não vai para São Paulo, ela vai para o México, para o Paraguai. Então o Brasil não está perdendo nada nessa renúncia fiscal. Muito pelo contrário, nós somos superavitários”, afirmou o parlamentar.

Alberto Neto também trouxe exemplos práticos do impacto no bolso do consumidor:

“Se você for comprar a TV que o Brasil assiste, é produzida pelo amazonense. Se for querer comprar essa TV lá no Paraguai, vai estar mais caro. É mais barato no Brasil porque é produzido na Zona Franca de Manaus”. Em contraste, citou o iPhone, que não é produzido no polo e possui preços elevados.

Segurança x economia

Alberto Neto também trouxe para o debate uma análise contundente sobre a segurança pública e a economia na região de fronteira, destacando que Tabatinga, na tríplice fronteira com Peru e Colômbia, é atualmente uma das principais portas de entrada de cocaína e maconha para o Brasil.

Segundo o parlamentar, essa vulnerabilidade faz com que Manaus acabe funcionando como uma base de distribuição de entorpecentes para o restante do país e para o exterior.

Para reverter esse quadro nefasto do crime organizado, Alberto Neto defende o uso estratégico da Área de Livre Comércio (ALC) de Tabatinga, mas aponta que o modelo atual é equivocado.

O deputado criticou o fato de a ALC atual estar limitada a apenas 20 km², o que ele considera insuficiente para atrair investimentos de impacto. Ele propõe a ampliação dessa área para todo o território, visando beneficiar e desenvolver efetivamente o Alto Solimões.

Dessa forma, Alberto Neto acredita que a Zona Franca de Manaus e as Áreas de Livre Comércio são ferramentas de soberania nacional essenciais para integrar para não entregar= o território ao domínio de organizações criminosas.

ZFM: maior experimento do mundo

Dorival da Costa dos Santos, representante do MCTI, reforçou o caráter singular do modelo amazonense. Para ele, a ZFM é o maior experimento de desenvolvimento regional não do Brasil, mas do mundo”.

O subsecretário enfatizou que a nova geopolítica climática coloca a Amazônia no centro das atenções, mas que o Brasil deve liderar com dados e tecnologia próprios.

Sobre o futuro da produção na floresta, Dorival foi categórico: “A agenda não é mais produzir ou preservar. É produzir preservando”.

Ele defendeu a integração do Polo Industrial de Manaus com as cadeias da biodiversidade, como fármacos e cosméticos, utilizando a ciência para garantir uma decisão autônoma sobre o território.

O gargalo das hidrovias

Um dos pontos mais críticos do debate foi a infraestrutura logística. Alberto Neto fez uma autocrítica parlamentar, admitindo que o foco excessivo na rodovia BR-319 fez com que se negligenciasse a pauta das hidrovias, que são as verdadeiras estradas da região. Ele defendeu uma dragagem permanente nos rios Madeira e Solimões para evitar o isolamento de municípios durante a estiagem.

O setor produtivo também se manifestou através de Marcelo Di Gregorio, da Superterminais. Ele questionou a execução prática das propostas do documento ZFM 2050:

“Qual será o mecanismo capaz de garantir que esses investimentos [em dragagem e sinalização] aconteçam de forma permanente? A experiência de 2023, 2024 e 2025 mostrou que o modelo atual não tem sido suficiente. Tivemos prejuízos bilionários”, alertou Di Gregorio, sugerindo modelos de concessão para garantir navegabilidade 365 dias por ano.

Custo logístico e BR-319

O superintendente da Federação das Indústrias de Rondônia (FIERO), Gilberto Baptista, contribuiu para o debate apontando o alto custo logístico:

“Levar um contêiner de Porto Velho a Manaus é o mesmo preço de Manaus a Xangai”, disse. Ele defendeu a pavimentação da BR-319 como um vetor essencial de concorrência e segurança para o transporte de cargas, especialmente carnes, que hoje sofrem com a sazonalidade dos rios.

O evento encerrou-se com um apelo pela união entre ciência, indústria e governo para que a Amazônia deixe de ser vista como um problema e passe a ser reconhecida como a solução para o Brasil, especialmente em setores como gás natural, terras raras e fertilizantes.

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