18/05/2020
Fonte: Jornal Acrítica
Jakeline Xavier
Muito associada aos períodos
de guerra, reconversão industrial é um termo que define a
troca de fabricação de um produto obsoleto ou sem demanda, pela confecção de um item
essencial. É quando os países
impõem, às vezes por meio da
força do Estado, um recondicionamento de sua produção,
como faziam em períodos de
guerra para conseguir mais
tanques ou munição.
No Amazonas, iniciativas
voluntárias da indústria têm
chamado a atenção para a importância da ciência e da tecnologia para combaterapandemia do coronavírus, causador da Covid-19, doença que já
matou mais 1.200 pessoas no
estado.
A guerra contra o vírus mobilizou mais de 36 empresas e instituições do Polo Industrial de Manaus (PIM) a realizar doações para o combate à pandemia. As contribuições foram listadas no documento ‘Compilação das doações das indústrias do Polo Industrial de Manaus para o combate ao Covid19’, organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).
Entre as doações, estão máscaras de proteção, álcool em gel,
equipamento de proteção individual (EPI), grupos de trabalho
para restauração de respiradores e ventiladores mecânicos,
entre outros.
PROTETORES FACIAIS
A Visteon Amazonas é uma das
empresas que “vestiu a camisa”.
A filial da multinacional americana do segmento automotivo
que fornece para as principais
montadoras instaladas no Brasil, fabricou e doou 25 mil protetores faciais, a meta é atingir a
marca de 40 mil peças.
Os protetores, usados principalmente em hospitais, foram doados para diversos locais em
Manaus, como os hospitais Delphina Aziz, João Lúcio, Adriano
Jorge, Getúlio Vargas e 28 de
Agosto, além de diversas Unidades de Pronto Atendimento
(UPAs).
Outros locais beneficiados
foram os municípios de Presidente Figueiredo, Tefé e Careiro
da Várzea. Fora dos estado receberam as peças: comunidade
Paraisópolis em São Paulo (SP),
Hospital Geral de São Matheus,
também em São Paulo, e Secretaria de Saúde de Belém (PA).
A iniciativa de se produzir e
doar os protetores faciais partiu
da corporação daVisteon baseada
em Detroit nos Estados Unidos,
após a fábrica dePortugaliniciar a
produção e doação por lá.
A ideia da empresa era identificar outros países com fábricas da Visteon que estivessem
em situações críticas em função
da pandemia e que pudessem
também fabricar os protetores
para ajudar a comunidade local
Duas plantas no mundo foram
identificadas: uma é a fábrica de
Reynosa, no México, e a fábrica
de Manaus, no Amazonas.
FORÇA CONJUNTA
A empresa não tinha na fábrica
as máquinas capazes de realizar a injeção plástica do suporte
do protetor facial. Por isso, importaram a ferramenta (molde)
de Portugal para o Brasil e fizeram parceria com a Masa da
Amazônia Ltda, que é do segmento de injeção plástica. A Masa buscou a parceria com a Colortech para a matéria-prima e
assim fizeram força conjunta.
“O molde foi adaptado para a
produção do suporte dos protetores faciais em larga escala,
realizamos a importação em
tempo recorde de Portugal para
Manaus e iniciamos a produção
no mesmo dia em que o molde
chegou em Manaus”, disse o diretor da Planta Visteon Amazonas, Sergio Capela.
A ação conjunta das indúsDe acordo com a sondagem
especial que avalia o impacto da
pandemianaindústria,ainadimplênciaeocancelamentodepedidos foram apontados por 45% e
44% dos entrevistados, respectivamente.
Quando questionados sobre
como avaliavam os impactos da
pandemia,91%dasrelataramimpactos negativos, 6% dos empresários responderam que a empresa não foi impactada e para
outros3%oimpactofoipositivo.
Os setores que mais reportaram queda intensa da demanda
foram os de vestuário (82%); calçados (79%); móveis (76%); impressão e reprodução (65%); e
têxteis(60%).
trias Visteon, Masa e Colortech,
recebeu o nome de “Projeto Heróis - nem todos os heróis usam
capa”. A homenagem é para os
profissionais de saúde que
atuam na linha de frente de
combate à pandemia. “Nossos
profissionais da saúde são nossos heróis sem capas salvando
vidas dia a dia diante da pandemia que nos assola”, afirmou
Sergio.
TECNOLOGIA
“Não é mais questão de opção e
sim de sobrevivência. Temos
muito orgulho em poder estar
contribuindo com isso”, disse
Roberto Garcia, diretor de projetos e desenvolvimento de negócios da FPF Tech.
Ele acredita que as ações das indústrias e da tecnologia serão fundamentais para o pós-Covid. “As iniciativas que antes eram dadas como opção, agora são essenciais. Na realidade, se não fossem esses recursos de tecnologia os negócios sofreriam ainda mais”, diz. Paulo Melo, gerente sênior de Novos Negócios do Sidia, acrescenta que soluções digitais têm tido um papel importante na luta contra a pandemia. “Este papel tem sido destacado não apenas no Brasil, mas também em outros países que se tornaram referência no combate à Covid-19 como, por exemplo, a Coreia do Sul”.
O Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) deverá receber nos próximos dias, um lote de 5 mil testes para diagnóstico de Covid-19, doados pela Petrobras. Os testes são do tipo RTPCR, sigla para Reação em Cadeia da Proteína Transcriptase Reversa, considerados "padrão ouro" pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC), pois fornecem um diagnóstico preciso na identificação da presença do vírus. O teste identifica a cadeia de proteínas do genoma do vírus, a partir de amostras colhidas da narina e da garganta de pessoas com sintomas da doença ou que tiveram contato com elas. As amostras precisam ser analisadas em laboratórios que possuem equipamentos que estudam genomas, demandando de quatro a seis horas de processamento. “Estamos concentrando todos os esforços para ajudar a sociedade brasileira a atravessar esse momento. Importamos testes de alta qualidade que serão distribuídos em várias regiões do Brasil por meio do Sistema Único de Saúde”, informa a gerente executiva de Responsabilidade Social, Olinta Cardoso.