11/03/2026
Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) leva lideranças amazônicas para discutir economia, política e desenvolvimento sustentável em encontros realizados em Brasília e São Paulo
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), em parceria com o Portal Metrópoles, iniciou nesta quarta-feira (11/3) o Talk “Vozes da Amazônia”.
O projeto tem o objetivo de ampliar a presença de lideranças da região amazônica no debate nacional sobre desenvolvimento, economia e preservação ambiental. O talk “Vozes da Amazônia foi transmitido pelo canal youtube do Metrópoles.
Segundo o presidente do Conselho Superior do CIEAM, Luiz Augusto Barreto Rocha, a iniciativa surge da necessidade de ampliar o espaço de fala de quem vive e atua na região há décadas. Ele explicou que a proposta é reunir representantes do setor empresarial, especialistas e autoridades públicas para discutir o papel estratégico da Amazônia para o país.
“A ideia do Vozes da Amazônia é podermos dar um recado na perspectiva das pessoas que na nossa visão têm direito de fala sobre a Amazônia. Nós, que estamos lá há décadas, que temos as nossas empresas, assim como as lideranças da nossa região precisam ocupar esse espaço de fala. Precisamos que nos façam escutar”, destacou.
Além do presidente Luiz Augusto Rocha, também estiveram presentes no Talk “Vozes da Amazônia, em Brasília, o presidente-executivo do CIEAM, Lúcio Flávio de Oliveira, os conselheiros Rebecca Garcia, Jeanete Portela, Armando Ennes e o representante da FIEAM/CIEAM em Brasília, Saleh Hamdeh.
Defensores da Amazônia
O primeiro encontro da série reuniu o senador do Amazonas, Eduardo Braga, grande defensor da região, e o economista Márcio Ronald, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), que tem atuado em estudos sobre a economia amazônica.

A ideia, segundo o presidente do CIEAM, é realizar encontros periódicos para ampliar o conhecimento do país sobre a região. “A gente quer ter, pelo menos trimestralmente, uma perspectiva de termos essas pessoas da região participando desses encontros”, ressaltou.
Os debates devem ocorrer tanto em Brasília quanto em São Paulo, maior centro financeiro do país, para que o Brasil perceba a dimensão do que a Amazônia contribui para a nação brasileira.
Temas dos debates
Durante os encontros estão previstos temas ligados ao ambiente de negócios, ao desenvolvimento regional e às políticas públicas voltadas à Amazônia.
“Vamos falar a respeito da reforma tributária e também sobre e como empreender na Amazônia. Outro tema importante é a perspectiva de segurança jurídica que permeia sempre os investimentos na Zona Franca de Manaus e, sobre bioeconomia, sobre interiorização e desenvolvimento”, adiantou Luiz Augusto.
Reforma tributária
Em sua manifestação, Luiz Augusto Rocha, afirmou que a reforma tributária trouxe avanços importantes para o sistema de impostos no país e destacou que, no caso da Zona Franca de Manaus, o principal resultado foi a preservação da segurança jurídica do modelo.
Segundo ele, o próximo desafio será acompanhar o processo de regulamentação da reforma tributária, garantindo que as peculiaridades da região amazônica sejam respeitadas.

“A grande característica para a Zona Franca de Manaus foi a manutenção da proteção constitucional. O parlamento brasileiro reconheceu a importância dos investimentos na nossa região e assegurou a segurança jurídica, que hoje é uma exigência fundamental do capital nacional e internacional”, afirmou.
Impacto econômico e social do PIM
O presidente do CIEAM destacou ainda o impacto econômico e social do Polo Industrial para a população do Amazonas e para o país, citando os mais de 500 mil empregos que o polo gera na região. "É uma política pública de redução das desigualdades regionais. Em praticamente todas as casas do Brasil há produtos fabricados em Manaus. Cem por cento dos televisores produzidos no país são fabricados na Zona Franca, por exemplo. Isso mostra a importância desse modelo para a economia brasileira e para a sobrevivência digna de milhares de famílias na nossa região”, ressaltou. Ele citou também a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que é financiada pela zona industrial e que hoje atende dezenas de cidades de todo o Estado”.
Segurança de investimentos
O senador Eduardo Braga afirmou que modelo da Zona Franca ganhou mais estabilidade após a aprovação da reforma tributária, que consolidou os incentivos fiscais no texto permanente da Constituição. “Hoje o modelo da Zona Franca de Manaus é o mais seguro do ponto de vista do investimento, porque os benefícios fiscais passaram a estar assegurados no texto permanente da Constituição. Isso garante segurança jurídica para os investimentos e reforça a importância do modelo para o desenvolvimento da região e do país”, avaliou.
Braga também destacou o papel da Zona Franca no financiamento de políticas públicas no Amazonas e a necessidade de políticas específicas para o desenvolvimento do interior do estado. “A Zona Franca de Manaus é responsável pelo financiamento do Estado do Amazonas. Se as escolas públicas de São Gabriel da Cachoeira existem, é porque existe o polo da Zona Franca de Manaus. Se o hospital público de Iauretê existe, é porque a Zona Franca contribui com os impostos que ajudam a pagar os insumos e os salários desses serviços públicos”, afirmou.
Planejamento e políticas públicas
O economista Márcio Ronald, afirmou que o desenvolvimento da Amazônia exige planejamento e políticas públicas voltadas para as características econômicas e ambientais da região. Para o professor, os indicadores mostram que, apesar da grande preservação ambiental, o interior do Amazonas ainda apresenta baixos índices de desenvolvimento. “Em todo o bioma da Amazônia Legal, a devastação gira em torno de 16% ou 17%. No estado do Amazonas é cerca de 3%, o que mostra que é uma região extremamente preservada", frisou. Ele disse que o maior desafio é promover a interiorização do desenvolvimento mantendo a floresta em pé. "É possível crescer sem desmatar, é possível crescer com sustentabilidade socioeconômica e ambiental. Para isso, o zoneamento econômico e ecológico é uma ferramenta fundamental para identificar as vocações e potencialidades de cada região”, finalizou.
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