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Projeto ajuda empresas a se adequam a indústria 4.0

Fonte: Jornal do Commercio

Antonio Parente

Projeto AMa (Advanced Manufacturing assessment) surge como importante aliada do PIM (Polo Industrial de Manaus) no processo de adequação das empresas ao modelo de indústria 4.0. Fruto de parceria entre INDT (Instituto de Desenvolvimento Tecnológico) e Schneider Electric, a metodologia auxilia na elaboração de análises e diagnósticos da estrutura dos processos de produção das companhias e de seus recursos tecnológicos. A finalidade é detectar o grau de maturidade de cada organização, e a partir daí implementar adequações alinhadas às necessidades levantadas.

O modelo pode ser aplicado em diversos segmentos industriais, como agronegócio, alimentos e bebidas, automotivo, aviação e aeroespacial, biotecnologia, construção civil, cosméticos, energia, farmacêutica, mineração, plásticos, telecomunicações, têxtil, entre outros. De acordo com o idealizador da metodologia, o professor e doutor em engenharia da produção da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), Sandro Breval Santiago, o princípio básico da Indústria 4.0 é a interoperabilidade, capacidade de compartilhar, integrar e compatibilizar informações, sistemas e ativos no âmbito da planta industrial.

“É muito importante que as empresas possuam o entendimento sobre os requisitos da Indústria 4.0 no Brasil, compreendendo melhor as suas tecnologias e usabilidades. Contudo, também é preciso que elas conheçam a sua realidade fabril, ou seja, a estrutura de sua empresa, considerando todas as dimensões do negócio: produto, manufatura, estratégia, logística, negócios e interoperabilidade, possibilitando a visualização objetiva das lacunas existentes. Desta forma, elas podem encontrar meios de implementar soluções tecnológicas para melhorar os processos e avançar da forma certa”, explica.

De acordo com o professor, o modelo em questão possui três grandes eixos de medição: tecnologia e operações, ecossistema de negócios e interoperabilidade, subdivididos nas dimensões de Produtos, Manufatura, Estratégia, Logística e Modelo de Negócios. Após uma análise e diagnóstico de resultados das empresas, é possível classificá-las por meio do modelo PIMM 4.0, que, por sua vez, possui 4 níveis de medição: Digital, Tecnológico, Transição e Avançado. “Com a pesquisa, pode-se detectar uma série de iniciativas que contribuirão para a interoperabilidade com impactos na logística, no processo produtivo e, sobretudo na gestão objetivando ganhos de eficiência”, ressaltou.

Necessidade de adequação

Segundo Sandro, a demanda de transição para os padrões deste novo modelo tem sido cada vez mais urgente em grandes parques do Brasil. E dentro da realidade das empresas instaladas no Amazonas a necessidade de mudança tornar-se mais urgente. Conforme a análise do professor, um dos principais desafios das empresas instaladas no PIM é o de oferecer qualificação e suporte de aprendizado ao colaborador, preparando-o para este novo momento.

“O modelo visa apoiar integralmente as indústrias nessa transição, a fim de promover maior agilidade, flexibilidade, integração e rentabilidade nos seus negócios. Ele vai mostrar às empresas como está sua atual posição e com isso, identificar suas lacunas em relação ao conceito de indústria 4.0 nas áreas de manufatura, logística, produtos e negócios. Os principais desafios estão na baixa habilidade digital dos colaboradores, cadeia logística sem agilidade, diferença técnica entre os grandes fabricantes e o cluster de fornecedores locais”, explica.

Desafio

De acordo com o professor, a ideia de criar o projeto, surgiu a partir de uma pesquisa realizada pela Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e Ufam (Universidade Federal do Amazonas). O resultado detectou que 92% dos colaboradores das empresas têm pouca ou nenhuma habilidade digital. A pesquisa também apontou que 57% das empresas reconhecem a importância dos avanços da Indústria 4.0, mas desconhecem as estratégias e conceitos para melhor adequação. Dessa forma, o PIM ficou com uma média 2,54 dentro da escala de 1 a 4, ou seja, encontra-se exatamente no momento de transição em seu nível de maturidade.

“Dentro da pesquisa se detectou a existência de diversos modelos de aplicação dos conceitos da indústria 4.0 no ecossistema brasileiro, analisando-se o cenário do avanço industrial da região Norte em relação às novas tecnologias”, explica Breval.

Com base no modelo PIMM 4.0, Sandro explica que as empresas do PIM estão em diversas situações: algumas sem nenhuma iniciativa e outras com iniciativas importantes. A implantação do modelo visa apoiar integralmente as indústrias nessa transição, a fim de promover maior agilidade, flexibilidade, integração e rentabilidade nos seus negócios.

“É importante enfatizar que o enfoque do modelo e plataforma não é a questão dos colaboradores, apesar do treinamento e workshop vão ajudá-los na sensibilização do modelo indústria 4.0”, ressaltou.

Importância

O professor explica, que a importância do estudo é a informação da posição do PIM quanto à Indústria 4.0, bem como, das empresas da região, pois elas poderão desenvolver seus planos de ação (roadmaps) para se adequarem à gestão da organização de acordo com o novo cenário da Quarta Revolução Industrial. “A principal finalidade do projeto é a de colocar as empresas no rumo certo da inovação tecnológica e adequação a Indústria 4.0”, disse.

Parcerias

Segundo o INDT, o projeto AMa é uma extensão da parceria que foi estabelecida para a criação do FabLab da Indústria 4.0 em Manaus, inaugurado no final do ano passado. Todas estas iniciativas têm o cunho de alavancar a transformação digital do PIM, por meio da exposição às tecnologias indutoras da Indústria 4.0, o diagnóstico dos níveis de maturidade, a correta priorização de investimentos e o empoderamento de sua força de trabalho. A Schneider Electric, um dos parceiros tecnológicos do projeto, contribui através da plataforma EcoStruxure.

“Com a nossa plataforma será possível responder rapidamente às necessidades de modernização dos sistemas de automação, controle e gerenciamento de energia. Criando a infraestrutura de IoT necessária para fomentar um novo salto de produtividade na região, com o estabelecimento de sistemas de manufatura enxutos, flexíveis e aptos a serem conectados a diferentes cadeias de valor e/ou ecossistemas”, destacou João Carlos Salgueiro de Souza, gerente sênior de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Schneider.

“Todas as plataformas de hardware e software passíveis de serem empregadas foram amplamente testadas, documentadas e validadas globalmente pela Schneider, reduzindo os riscos e custos de implementação, independente do porte da empresa”, finalizou.

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