19/05/2020
Fonte: Jornal do Commercio
Marco Dasori
Em sintonia com a divisão motorizada do
polo de duas rodas, o
segmento de bicicletas do PIM (Polo Industrial de
Manaus) desabou sob a crise
da covid-19, em abril. A produção não passou de 10.071
unidades, 81,4% menor que a
de março (54.115 unidades) e
86,7% inferior a do mesmo mês
de 2019 (75.680 unidades). Foi
o pior resultado registrado para
o subsetor nos meses de abril,
desde 2011 (53.850).
A performance negativa
comprometeu ainda mais o
acumulado, que já havia entrado no vermelho no mês passado, após meses seguidos no
azul. O balanço quadrimestral
aponta para um recuo de 30,2%,
de 259.422 (2019) para 180.994
(2020) unidades. Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos
Fabricantes de Motocicletas,
Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta segunda (18).
A entidade informa que, em
virtude da mudança brusca no
cenário, vai rever suas projeções para 2020, mas ainda não
arrisca números. Até fevereiro, a Abraciclo ainda esperava
chegar a dezembro deste ano
com um total de 987.000 bicicletas produzidas no PIM, resultado que apontaria para um
acréscimo de 7,3% sobre 2019
(919.924). A pandemia do novo
coronavírus, contudo, abortou
essa estimativa.
“Registramos em abril um
dos piores meses para o segmento no ano, com cerca de
75% das fábricas de bicicletas
instaladas no PIM tendo suas
operações paralisadas, diante
da necessidade de preservação da saúde de seus colaboradores”, lamentou vice-presidente
do Segmento de Bicicletas da
Abraciclo, Cyro Gazola, no texto divulgado pela assessoria
de comunicação da entidade.
Segundo o dirigente, no
início de maio, somente 25%
das fábricas de bicicletas instaladas no PIM estavam com
a produção paralisada. O executivo destaca ainda que, entre
as unidades fabris em operação, foi adotada uma série de
medidas preventivas para os
funcionários. Estas incluem o
uso de termômetros digitais
para a medição de temperatura
antes da entrada, mudança no
layout da linha de produção,
fornecimento de máscaras de
proteção, ampla distribuição de
álcool em gel 70% e alterações
no sistema de ônibus fretado.
Gazola destaca que a Abraciclo está buscando formas de
minimizar as dificuldades de
caixa dos associados e dos
“parceiros no varejo”, que também foram impactados pela
paralisação. “Estamos apresentando pleitos junto ao governo
federal sobre as necessidades
operacionais das fabricantes
de bicicletas. Com os governos estaduais e municipais,
solicitamos permissão para a
abertura de bike shops e bicicletarias, desde que estas atendam
aos protocolos recomendados
pelas autoridades de saúde”,
informou.
O pedido para reabertura
dos estabelecimentos está baseado, conforme o vice-presidente do Segmento de Bicicletas
da Abraciclo, no fato de que a
bicicleta representa uma boa
opção de mobilidade urbana
em tempos de pandemia. “Muitos países, como França e Reino
Unido, estão estimulando a população a pedalar para reduzir
a disseminação da covid-19.
Esta forma de mobilidade ajuda
a evitar as aglomerações típicas dos transportes públicos”,
frisou.
Demissões e indenizações
Na mesma linha, o vice-presidente da Fieam e presidente
do Sindicato das Indústrias
Metalúrgicas, Mecânicas e de
Material Elétrico de Manaus,
Nelson Azevedo, também não
vê luz no fim do túnel para
o polo de bicicletas do PIM,
assim como para os demais
segmentos industriais no curto prazo. No entendimento
do dirigente, nem mesmo o
aquecimento do mercado de
delivery e a maior demanda
de entregadores salvam o subsetor, dado o fechamento dos
pontos de venda.
“Estamos com a economia
completamente parada por
causa dessa pandemia. Principalmente no caso da Zona Franca, que produz quase que
exclusivamente para o mercado
interno. O setor vinha de uma
boa recuperação, mas começou
a sentir dificuldades em sua
cadeia de suprimentos. A coisa
piorou e já temos comércio e
serviços de portas fechadas,
enquanto a indústria trabalha
com jornadas e salários reduzidos. Tem empresa que não
tem como pagar a indenização
de seus funcionários, e temo
que teremos estatísticas ainda
piores de desemprego, mais
adiante”, lamentou.
Regiões e categorias
A categoria Bicicleta Elétrica foi a que registrou melhores números
n o v o l u m e
de produção,
em função da
base depreciada. Em abril,
foram fabricadas 251 unidades, queda
de 27,7% ante
março (347) e
alta de 274,6%
na comparação com abril
do ano passado (67). A Mountain Bike (MTB) seguiu na
liderança, com 7.112 bicicletas –contra 32.277 em março
(-78%) e 42.344 em abril de 2019
(-83,2%).
Com 3.987 unidades, o Sudeste foi a região que mais
recebeu bicicletas produzidas
no PIM, 87,9% a menos do que
março (39.992) e 90,6% aquém
há 12 meses atrás (45.522). O
Nordeste (2.740) veio em segundo lugar, com recuos de
60,8% (6.988) e de 65,9% (8.043),
respectivamente. Sul (2.389,
-71,2% e -77,2%), Centro-Oeste
(749, -79,7% e -83,5%) e Norte
(206, -90,5% e -98%) vieram na
sequência.
Importações e exportações
A crise da covid-19 também
se fez sentir no volume de comércio exterior do polo de bicicletas, tanto nas importações de
produtos similares, quanto nas
exportações de ‘bikes’ ‘made
in Manaus’. Dados do Comex
Stat analisados pela Abraciclo
apontam que foram importadas
732 bicicletas, em abril, em todo
o território nacional. Na comparação com março, houve queda
de 91,4% (8.495). Em relação ao
mesmo mês de 2019 (3.892), o
recuo foi de 81,2%. Os produtos vieram principalmente da
China (78,1% e 572 unidades),
Taiwan (14,5% e 106) e Vietnã
(6,7% e 49).
As exportações de
bicicletas fabricadas no
PIM, por sua
vez, somaram
15 unidades
em abril, sendo que todas
foram destinadas à Coreia do Sul.
Esse volume
r e p r e s e n t a
uma queda de 98% ante as 749
unidades registradas em março
de 2020 e de 99,6% na comparação com abril do ano passado
(3.982).
Em depoimento ao Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, informou que as vendas externas do PIM seguiram o trimestre em trajetória “dentro do esperado”, para caírem com força em abril. “A emissão de certificados de origem está caindo muito. Normalmente, temos mais de cem, mas abril registrou menos de 50, com apenas dois ou três exportadores. E a situação tende a piorar”, concluiu.