28/04/2020
Fonte: Jornal do Commercio
Acrise da Covid-19 brecou, fechou o comércio,
gerou demissões em
massa em diversos setores e interrompeu o consumo.
Diante disso, o PIM foi forçado
a se reinventar. Em um período
em que várias fábricas estenderam as paralisações temporárias,
e outras retornaram apenas para
reajustes de estoques, na iminência de novas paradas decorrentes
do estreitamento do mercado, o
setor arregaçou as mangas, saiu
da zona de conforto e reforçou
o combate ao novo coronavírus.
Empresas de portes variados
estão reagindo à crise com a produção e doação de equipamentos
hospitalares, material de consumo
e alimentos para as instituições
de saúde e segurança do governo
estadual e da prefeitura de Manaus –tomógrafos, respiradores
artificiais, máscaras de proteção
facial, óculos cirúrgicos, e duas
toneladas de álcool em gel.
No final de março, os sindicatos patronais da indústria de
Bebidas e das indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material
Elétrico de Manaus repassaram
ao Estado 20 máquinas de costura para produção de máscaras
descartáveis pelos internos do
sistema prisional sob a responsabilidade da Seap (Secretaria de
Administração Penitenciária). As
máquinas reforçaram a produção
em pelo menos quatro unidades
carcerárias, que passaram de 1.500
para 10 mil máscaras produzidas
por semana.;
No mesmo período, a Seap
formalizou parceria com a Distribuidora Atem e a Indústria e
Química Credie para a produção
de 250 mil garrafas de 100 ml
de álcool 70%. A distribuidora
de petróleo fez a doação de 20
mil litros de álcool e a empresa
química foi encarregada de envasar o produto, que foi doado aos
sistemas de saúde e de segurança pública do Amazonas.
Álcool em gel
Muitas empresas do PIM
usaram da própria expertise industrial para aumentar o estoque
de álcool em gel nos hospitais e
outros locais públicos de Manaus.
Das duas toneladas do produto
doadas na campanha, a metade vem da Magama Industrial.
O restante está dividido entre
a Recofarma (51 mil litros), a
Pharmakos D’Amazônia (2.750
litros), a Ambev (3,5 mil litros) e
a Transire, que vai disponibilizar
100 litros de álcool em gel por
semana.
A Magistral doou 30 mil garrafas pet 250 ml para envase de
álcool em gel, assim como, a Real
Bebidas que doou 10 mil garrafas.
A Bic já doou 20 mil visores para
máscaras de proteção facial, além
de 30 mil barbeadores e 10 mil
protetores faciais descartáveis.
O estoque será reforçado
ainda por meio de parceria do
Laboratório de Química da Universidade Federal do Amazonas
e Fieam, envolvendo as empresas Virrosas, Grupo Simões, Via
Certa, Rede Atem, além dos sindicatos patronais de Alimentação
e de Bebidas. Inicialmente, essa
produção será de 3.600 litros de
álcool em gel e líquido a 70%
Outras empresas entram na
parceria, fornecendo a embalagem para o envase do álcool em
gel ou líquido. A própria Virrosas
vai fornecer 4,6 mil embalagens
de 500 mililitros, e de 5, 25 e 50
litros, além de fornecer 270 litros
de hipoclorito e glicerina, a matéria-prima para o produto. Brasil
Norte Bebidas, Real Bebidas e
Magistral também vão fornecer
embalagens PET para o envase
do álcool em gel. Serão 16 mil
garrafas de 200ml e 500ml, 30
mil de 250ml, e 10 mil de 1 litro,
respectivamente. A produção de
álcool em gel se completa com a
doação, da empresa Midea, de
dois compressores exclusivos
para este fim.
EPIs e respiradores
A empresa Videolar vai oferecer 140 circuitos respiratórios para
ajudar no tratamento de pacientes
internados com Covid-19, assim
como a Eneva vai disponibilizar
cinco respiradores de uso hospitalar. A Moto Honda da Amazônia assumiu o compromisso de
recuperar 14 dos aparelhos que
estavam fora de uso por problemas mecânicos na rede estadual.
A montadora também vai fornecer duas refeições ao dia para 150
leitos do Hospital de Campanha,
além de doar 10 motores bomba
para a defesa civil e 15 mil protetores faciais.
No campo dos EPIs, a Tutiplast entra com 20 mil protetores
faciais, enquanto a Michelin oferece 50 mil máscaras. A SR (Saldanha Rodrigues), fornecedora
de artigos hospitalares, completa o bloco com 30 mil toucas, 50
macacões e 50 botas, todos esses
equipamentos de proteção individual exclusivos para uso de
profissionais de saúde.
A empresa do ramo de eletroeletrônicos de linha branca Whirlpool já doou 1.500 máscaras de
proteção facial. Já a norte-americana 3M da Amazônia entregou
3.000 máscaras de proteção para
profissionais da saúde e 5.000
máscaras N95.
Outros materiais doados visam ajudar a atenuar a falta de
recursos no setor público. A Michelin já ofereceu 60 pneus para
ambulâncias do Samu, e a RD Engenharia ofereceu 20 celulares
para reforçar o atendimento médico a distância. A Brasil Norte
Bebidas, empresa do Grupo Simões, vai doar para a campanha
mil óculos cirúrgicos e, de quebra,
2.400 latas de refrigerantes exclusivamente para as equipes médicas.
O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado
do Amazonas), Antonio Silva,
destaca que o setor não poderia
ficar alheio à crise mundial agora
enfrentada duramente pelo Brasil
e pelo Amazonas. “A pandemia
da Covid-19 tem mobilizado
diferentes setores da sociedade.
Temos que trabalhar em conjunto
e organizados para superar este
momento tão difícil”, declarou,
em texto distribuído por sua assessoria de comunicação.
Técnica compartilhada
No caso da Ambev, após
anunciar a produção e doação de
3 milhões de máscaras de proteção facial para o Ministério da
Saúde, a companhia vai disponibilizar gratuitamente a técnica de
confecção dos protetores faciais
para serem produzidos por outras
empresas. Para isso, foi criado um
toolkit com todas as informações
de estruturas e materiais necessários, disponível para download na
página https://www.ambev.com.
br/, ou direto no link.
A Ambev já conta com outros
projetos para reforçar a luta contra
a expansão do contagio do novo
coronavírus no Brasil, como produção e doação de álcool em gel e construção de leitos de hospital.
“Entendemos que, em momentos
como esse, todos que puderem
devem fazer o que está ao seu
alcance para ajudar no combate à
Covid-19”, frisou o CEO da Ambev, Jean Jereissati, em material
distribuído por sua assessoria.
Cozinha Comunitária
Já a Electrolux do Brasil vem
apoiando a rede de saúde pública
com a distribuição de 1.800 máscaras de proteção e doação de
eletrodomésticos para a Cozinha
Comunitária, que atende famílias
em situação de risco e moradores de rua em seis unidades na
região, auxiliando na preservação de alimentos, uma vez que a
demanda dobrou desde o início
da pandemia.
A empresa já doou mais de
600 produtos para dar suporte
aos hospitais em que a companhia tem unidades fabris, além de
disponibilizar a planta de Curitiba
para produzir 4.000 máscaras por
semana e que estão abastecendo
45 hospitais entre Curitiba, São
Carlos (SP) e Manaus.
“Em um momento difícil e inédito para todos nós, queremos,
com essas doações, reforçar a
conduta humana e sustentável
da Electrolux. Acreditamos que
superaremos este momento atuando nos pilares público, social e
privado”, comentou a vice-presidente de Recursos Humanos da
Electrolux América Latina Valéria
Balasteguim, em texto distribuído
pela assessoria da empresa.
Novos equipamentos
Empresa parceira do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e junto com a Samel, no desenvolvimento de um respirador pneumático, atualmente em fase de testes, a Transire Tecnologia e Biotecnologia da Amazônia doou equipamentos para o Hospital de Campanha Municipal, incluindo, além de um tomógrafo e um aparelho de Raio X com digitalizador, 278 compressores BiPAP, um tipo de respirador mecânico empregado para ventilação não invasiva, acompanhados das respectivas máscaras.
Indústria de médio porte e
capital nacional, que se instalou
em 2015 no PIM e, desde então,
se tornou líder no país na produção de máquinas de cartão
de crédito e débito, a Transire incluiu na lista de doações 1 milhão de máscaras reutilizáveis
para a população em geral, 30
mil máscaras em acrílico para
uso dos profissionais de saúde,
além de 650 quilos de linguiça
de peixe para o Hospital de
Campanha.