01/10/2013
"A indústria de transformação é onde há geração do progresso técnico, onde estão os melhores empregos e encadeamentos produtivos para a economia como um todo", destacou Marcelo Miterhof, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para o país caminhar na direção da retomada dos investimentos industriais privados, porém, os economistas alertam que é necessário discutir o papel da política macroeconômica, para que esta esteja em linha com o setor industrial e não seja contrária a ele. Eles destacaram o papel crucial do câmbio (desvalorizado), dos juros (baixos) e da inflação (controlada).
Ficou claro no evento a preocupação em se discutir um "novo modelo" de crescimento, pelo entendimento de que a fórmula dos últimos anos, baseada no avanço do consumo, se esgotou. "Nós viemos de um modelo de consumo muito forte. Este modelo se esgotou e a gente está buscando uma forma de sair", diz Julio Sérgio Gomes de Almeida, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A alternativa seria o incremento do investimento tanto privado quanto público.
Além do tripé macroeconômico, de fato também ganhou espaço no evento a discussão sobre a necessidade de investimentos públicos em educação para qualificar a mão de obra e melhorar a produtividade do trabalhador e em infraestrutura.
"Infraestrutura é injeção na veia para aumento da produtividade, mas leilão não é coisa para amador, precisa ser bem feito. E nós não estamos levando a sério esses ganhos, estamos patinando", argumentou o economista e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto. Na avaliação do diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, Yoshiaki Nakano, as concessões de infraestrutura serão decisivas para aumentar a taxa de investimento do país do atual patamar de 18% para perto de 25%.
Para o diretor de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, entidade que propôs inicialmente a discussão sobre caminhos para dobrar a renda per capita em 15 anos, "múltiplas estratégias acabam resultam em nenhuma estratégia", criticou. Por conta disso, defendeu que é preciso dar prioridade a alguns setores, considerados vetores industriais indutores de um maior crescimento, como petroleiro, naval, siderúrgico, químico e de bens de capital.
A principal voz do governo no evento foi a do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que classificou como "ambiciosa" a proposta de dobrar a renda per capita no Brasil em 15 anos, mas avaliou que, com o impulso esperado para os investimentos daqui para frente, é possível que o PIB per capita acelere seu crescimento para 40% na década compreendida entre 2013 e 2022, ante expansão de 28% nos últimos dez anos. "Estamos em um novo ciclo de desenvolvimento", disse.
Para que a meta seja alcançada, Mantega calculou que será necessário um crescimento anual médio de 4% do PIB até 2022, acima da taxa de 3,6% registrada nos dez anos até 2012.
Fonte: Valor Econômico