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MPEs do Amazonas tem maior otimismo no cenário atual

Fonte: Jornal do Commercio

Os micro e pequenos empresários do Amazonas ainda são os mais otimistas do país ao apontar que, dentro de nove meses, a economia deve voltar ao “normal” e deixar de sofrer efeitos da pandemia. A média brasileira supera um ano e há Estados que apostam que a crise da covid-19 se estende por mais 16 meses. A maioria absoluta dos empreendedores locais (52%) espera que, dentro de um mês, apenas menos da metade da clientela vai voltar a frequentar o negócio – percentual inferior ao do levantamento anterior (90%).

É o que mostra a sexta edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa). Realizada entre 27 e 30 de julho, a sondagem ouviu representantes de 6.506 micro e pequenas empresas em todo o país, assim como microempreendedores individuais, sendo que 86 deles estão no Amazonas (ver boxe).

Os dados da pesquisa indicam um cenário difícil, embora comparativa melhor do que o dos meses anteriores. A maioria esmagadora dos pequenos negócios do Amazonas informa que o fluxo de negócios diminuiu (77%), com queda média de 43%, em relação a uma semana normal. Os percentuais capturados um mês antes foram 80,8% e 56%, respectivamente. Em contrapartida, 74% tiveram de implementar mudanças para sobreviver à crise – como a adoção de vendas à distância – e 13% saíram temporária ou definitivamente do mercado – contra os 60% e 29% anteriores.

Entre os 8% dos empreendimentos locais que relataram ter conseguido aumentar as vendas em meio à pandemia, o crescimento médio semanal foi de 49% em relação ao padrão anterior. Os motivos mais comuns apontados para o crescimento foram o fato de a empresa trabalhar com produtos e serviços considerados essenciais ou favorecidos pela pandemia (22%) ou por ter mudado de linha de produtos e serviços (22%).

Em meio à crise, o conhecimento e adoção dos protocolos de segurança definidos pelo poder público para funcionamento da atividade se tornou mais comum. A maioria (54%) dos micro e pequenos empresários amazonenses ouvidos disseram que conhecem e já implementaram as medidas e 23% disseram que estão fazendo isso, enquanto 12% desconhecem as regras e 11% alegam dificuldades para coloca-las em prática. Na pesquisa anterior, os percentuais foram 47%, 34%, 14% e 6%, na ordem.

Demissões e contratações

As micro e pequenas empresas do Amazonas ouvidas pelo Sebrae contam com quatro colaboradores, em média, e estão empatadas com o número nacional nesse quesito. Os quadros incluem familiares, empregados fixos e temporários, formais ou informais, mas 54% relatou não contar com nenhum funcionário celetista – fatia menor do que os 79% da sondagem do mês passado.

A boa notícia é que 33% dos pequenos negócios locais conseguiram evitar desligamentos nos 30 dias anteriores à pesquisa – contra os 17% anteriores. Dentro da parcela de 13% de empresas que optaram por demitir, a média de funcionários desligados no Amazonas não passou de 2, uma melhora substancial em relação aos 14 registrados pelo Sebrae 30 dias antes. Uma minoria (5%) ainda conseguiu contratar funcionários de carteira assinada e a média de admitidos no Estado foi de 1,7, superando o número brasileiro (1,4).

As principais ferramentas utilizadas pelos micro e pequenos empreendedores do Amazonas para manter empregos incluíram redução de jornada e salários (28%), suspensão de contratos de trabalho (16%), férias coletivas (13%) e redução de salário com complemento do seguro desemprego (7%), mas a maioria absoluta (55%) informa que não adotou nenhuma das medidas citadas. Os respectivos números levantados antes pelo Sebrae foram 45%, 39%, 22%, 5% e 13%. Pelo menos 83% das empresas amazonenses que reduziram jornadas ou suspenderam contratos implementaram a medida por 90 dias.

“Sinais de melhora”

O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, avalia que a pesquisa confirma que o cenário começa a melhorar para o empreendedor amazonense, com uma economia que dá sinais de retomada, redução de demissões, e início das primeiras contratações. “Acreditamos nesta tendência e o cenário se deve a vários fatores. Entre eles, estão as medidas do governo, como a liberação de crédito e do auxílio emergencial”, afiançou.

Pantoja avalia que a maioria das empresas está conseguindo se adaptar à nova realidade de mercado imposta pela pandemia, como a venda à distância, mas salienta que crédito e auxílio emergencial não bastarão para manter as empresas no mercado – especialmente quando os estímulos federais cessarem. “As coisas estão voltando ao normal e as empresas caminharão com suas próprias pernas como antes. Mas, ainda temos um longo trabalho em auxiliá-las na melhoria. Grande parte delas poderia estar enfrentando a crise com menos dificuldades, se tivessem uma boa gestão”, finalizou.

Perfil do micro e pequeno empreendedor do Amazonas

Dos 86 entrevistados no Amazonas, 51% são MEIs, 42% são microempresas e 7% são empresas de pequeno porte (7%), sendo distribuídos em serviços (52%), comércio (46%) e indústria (2%). Em termo de tempo de mercado, 28% dos empreendedores locais têm entre um e dois anos operações, seguidas por aqueles que já contam com cinco a dez anos de atividade (21%). A maioria (42%) faturava até R$ 6.000 mensais, nos dias pré-pandemia e tinha seu negócio em loja ou sala de rua (33%). As estatísticas apontam ainda que o empreendedor amazonense é majoritariamente do sexo masculino, tem de 36 a 45 anos de idade (38%), conta com ensino médio completo (39%) e se declara “pardo” (65%).

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