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Impacto da pandemia prevalente nas empresas do Norte

Fonte: Jornal do Commercio

A maioria (41,9%) das 61.790 empresas da Região Norte em funcionamento na primeira quinzena de agosto teve suas atividades prejudicadas pela pandemia. em contraste, 30,7% informaram que esse efeito foi “pequeno ou inexistente” e 27,1% dizem que saíram ganhando. Houve reversão nas expectativas e uma piora em relação à quinzena anterior, quando os percentuais foram 29,4%, 29,5% e 41,1%, respectivamente.

Ao contrário das quinzenas anteriores, o Sudeste (43,6%), foi o que mais sofreu com a crise da covid-19. Sul (39,9%) e Centro-Oeste (39,8%) vieram na sequência, enquanto o Nordeste (20,4%) é a região onde as empresas foram menos atingidas. É o que revela a quinta rodada da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da covid19 nas empresas, divulgada pelo IBGE, nesta terça (15).

A mesma involução nos números foi verificada no volume de comercialização de produtos e serviços. A pandemia afetou negativamente as vendas de 38,3% das empresas da região Norte, número superior aos 37,3% capturados na segunda quinzena de julho. Em contraste, 33,5% perceberam aumento – 3,1 pontos percentuais abaixo da marca anterior (36,6%).

Do lado mais especificamente da indústria, a situação é melhor. A maior parte das companhias (46,6%) informa ter passado incólume pela crise da covid-19 na primeira metade de agosto, em termos de fabricação de produtos ou capacidade de atendimento aos clientes. Uma minoria de 14,3% diz ter obtido ganhos no período e outras 39,1% relatou dificuldades. Quinze dias antes, as fatias foram de 60,2%, 16,6% e 23,3%, na ordem.

Fornecedores e pagamentos

Também foi maior, entre uma quinzena e outra, o percentual de empresas que reportaram ao IBGE o enfrentamento de dificuldades para manter acesso aos fornecedores de insumos, matérias-primas ou mesmo mercadorias prontas – o numero passou de 47% para 63,3%. Para 9,2% tudo ficou mais fácil – acima dos 8,2% anteriores – e 26,7% informam que tudo ficou na mesma – um decréscimo em relação aos 44,3% de 15 dias antes.

“Volta a crescer a percepção de dificuldades na capacidade de realizar pagamentos de rotina, passando de 38,8%, na segunda quinzena de julho, para 42,1%, na primeira quinzena de agosto. Por outro lado, caiu de 52,4% para 48,2%, o percentual de empresas sinalizando que não houve alteração significativa. As empresas que tiveram facilidade somaram 9,7%”, assinalou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.

Empregos e campanhas

A boa notícia é que a fatia de empresas nortistas que reportaram ao IBGE ter evitado desligamentos e mudanças no quadro de funcionários na primeira quinzena de agosto (86,8%) foi maior do que a registrada na quinzena anterior (78,9%). O percentual daquelas que perceberam redução no número de funcionários, no entanto, avançou de 7% para 10,6% e apenas 2,4% conseguiram contratar – contra os 14,1% anteriores.

Dentre as empresas da Região Norte que relataram redução sobre o número de funcionários, 41,4% informaram que a faixa de redução foi inferior a 25% do quadro de funcionários, 48,3% assinalaram que o corte ficou entre 26% e 50% dos quadros, e 10,3% admitiram que tiveram de mandar pelo menos metade de seu pessoal para casa. Os números respectivos da segunda quinzena de julho foram 42,5%, 39,1%, 18,4%.

Campanhas de informação, prevenção e adoção de medidas extras de higiene ainda são a principal iniciativa para enfrentar a pandemia entre as pessoas jurídicas do Norte (96,7%). O trabalho remoto para os funcionários foi reduzido de 34,9% para 19,6% das empresas, ao passo que a antecipação de férias foi a medida escolhida por 16,9% e o adiamento de pagamento de impostos foi adotado por 34,7%. As estratégias de sobrevivência empresarial incluem a mudança do método de entrega de produtos ou serviços para serviços online (35,8%) e demanda por linhas de crédito emergencial (7,1%).

“Rumo à normalidade”

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, em contraste com os dados do levantamento anterior, os números da primeira semana de agosto apontam novamente para um quadro comparativamente pior. Encerrada a euforia proporcionada pela reabertura, prossegue o pesquisador, os problemas do dia a dia começam a ter mais peso.

“De uma maneira geral, o quadro das empresas na região Norte, começou a piorar um pouco mais. O aumento da percepção do efeito negativo em relação à quinzena anterior, vem a revelar isso. No mesmo sentido, aumentou o percentual daquelas que sentiram efeito pequeno ou inexistente, e caiu o efeito positivo. À medida em que as empresas vão retomando suas atividades, as dificuldades em relação à quinzena anterior têm aumentado”, arrematou.

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