19/05/2020
Fonte: Jornal do Commercio
Marcelo Peres
A maioria das empresas
da ZFM (Zona Franca de Manaus) já está operando neste
momento de pandemia de
coronavírus, apesar da capital do Amazonas figurar hoje
no ranking das cinco maiores
capitais brasileiras com maior
incidência de casos e número
de mortes pela covid-19.
Segundo o presidente do
Cieam (Centro das Indústrias
do Estado do Amazonas),
Wilson Perico, a retomada das
atividades das empresas da
Zona Franca segue à risca as
recomendações das autoridades de saúde para preservar
os trabalhadores e prevenir
possíveis novos infectados
pela doença.
Até esta segunda-feira
(18), o Estado do Amazonas
registrava aproximadamente
20 mil casos de coronavírus
e mais de 1,5 mil mortes confirmadas em Manaus e em 60
dos 62 municípios da região,
segundo estimativas das estatísticas oficiais.
“A maior parte das empresas já retomou os trabalhos.
Nosso objetivo é buscar que
não haja uma grande disseminação do vírus no ambiente fabril pelo contingente de trabalhadores que temos nas
linhas de produção das empresas”, disse Wilson Perico.
Ele ressaltou ser importante manter parcialmente
as atividades para garantir
a subsistência dos trabalhadores num momento em que
grande parte da economia do
país está praticamente paralisada devido à pandemia. “É
óbvio, não podemos parar
totalmente as empresas, mas
sem esquecer que é necessário
preservar a vida das pessoas,
que é o nosso maior bem nessa existência”, acrescenta o líder empresarial.
Por segurança, muitas empresas da ZFM fizeram teste
para detectar funcionários
assintomáticos ou não e, com
isso, evitar a contaminação
dentro das unidades das fábricas. Foi a forma encontrada
pelas indústrias para prevenir
possíveis novos casos da doença nas linhas de produção,
dando mais tranquilidade
para os operários e também
para seus familiares.
O superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, disse
que empresas da ZFM concederam férias coletivas para
seus funcionários por conta
da pandemia de coronavírus,
uma estratégia adotada para
conter o avanço da covid-19 com o isolamento social. “As
indústrias se ajustaram aos
protocolos de saúde com esse
objetivo, atendendo a determinações dos governos”, explicou o superintendente.
A Ducat, do polo de duas
rodas da ZFM, voltou aos trabalhos na semana passada somente depois de fazer um teste rápido em 46 dos seus 150
funcionários. Dos testados,
mais de 30% testaram positivo
para o novo coronavírus, mas
a maioria não apresentou nenhum sintoma.
“Fiquei surpreso quando
fui fazer o exame e testei positivo. A minha esposa e minha
mãe também se surpreenderam, mas graças a Deus não
senti nada”, contou Wallison
Belfort, um dos funcionários
da Ducat.
Rafael Lacerda, gerente
operacional da Ducat, explicou que o teste rápido é a
melhor garantia de que cada
trabalhador pode exercer sua
função com saúde, mais tranquilidade, prevenindo a covid-19. E também dá maior
segurança à empresa.
“Testamos para identificar
quem está ou não com coronavírus. Quem testou positivo,
mandamos para se recuperar
em casa, de forma isolada, e os
que testaram negativo estão
trabalhando normalmente”, informou Rafael Lacerda.
O setor de duas rodas é um
dos maiores de Manaus. As
fábricas do segmento operam
com 70% de sua capacidade
por conta da pandemia, mas
aos poucos (e com muita cautela) as atividades começam a
voltar ao normal.
É consenso geral entre as
empesas da ZFM a expectativa de que cada indústria de
Manaus adote esses cuidados
antes de voltar a operar normalmente. Seguindo as recomendações da saúde, cada
trabalhador exerce suas funções paramentado com EPIs
(Equipamentos de Proteção
Individual), mantendo o distanciamento de até 1,5 metro
entre os operários nas fábricas.
Na parte administrativa
das empresas da ZFM, onde
trabalham o primeiro e segundo escalão das fábricas,
também não é diferente, mas
alguns trabalhadores ainda
operam pelo sistema ‘home
office’. As orientações de saúde são seguidas à risca, com
EPIs e evitando aglomerações.
Segundo o ex-ministro da
Saúde Luiz Henrique Mandetta, Manaus deverá ser a primeira grande cidade do país
a conter o avanço do coronavírus. Ele estima que a doença chegou primeiro na capital
do Amazonas em função do
trânsito constante de pessoas
oriundas da China, que tem
hoje dezenas de empresas instaladas na ZFM.
“Até agosto deste ano, a
doença deverá começar a arrefecer em Manaus porque a
maioria da população já terá
anticorpos, ao contrário de
outras cidades que ainda experimentam o pico da doença ou vão experienciar esse
maior aumento da Covid-19
mais tarde”, explicou o ex-ministro.
O infectologista Bernardino Albuquerque compartilha
também destas estimativas,
mas ressalta que a pandemia
de coronavírus só alcançou
essa proporção no Amazonas
porque a maioria das pessoas
continua negligenciando cuidados básicos. “Ainda se vê
muito gente sem máscara nas
ruas. Tudo isso facilita a propagação da doença”, alerta.
No último domingo, o programa Fantástico, da Rede
Globo de Televisão, exibiu
uma reportagem mostrando
dezenas de pessoas circulando
sem máscara na área da Ponta
Negra, com grande aglomeração de transeuntes. O local é
um dos principais ‘points’ de
atração de Manaus.