11/04/2020
Fonte: Jornal do Commercio
Marco Dassori
A crise da Covid-19 já
levou pelo menos 22
indústrias do PIM a
adotarem paralisação
parcial ou total de suas atividades,
com férias coletivas ou licença remunerada para seus contingentes.
A expectativa das lideranças do
setor é que parte das empresas
já comece a retomar o trabalho
nesta semana e que as restantes
façam o mesmo na próxima, perto
do dia 20.
“Esperamos que o comércio
retome também, para que nós possamos manter as atividades. Isso
impactou perto de 50 mil trabalhadores e as empresas não estão
medindo esforços para manter os
empregos”, declarou o presidente
do Cieam (Centro da Indústria
do Estado do Amazonas), Wilson
Périco, em vídeo postado em sua
conta no Instagram, nesta quinta
(9).
Parte da indústria incentivada
de Manaus já vinha desligando os
motores de suas linhas de produção nas últimas semanas, inicialmente pela escassez de insumos
importados –que sofreram atraso
na saída da China e da Coreia do
Sul. A retração na demanda e os
efeitos das medidas de contenção
à curva de contágio do novo coronavírus no Brasil foram decisivos para as paralisações
Com bloqueio logístico para
o translado de produtos não essenciais nos Estados brasileiros,
e com o fechamento do comércio varejista em todo o território
nacional, a indústria incentivada
de Manaus sofreu, em questão de
dias, uma elevação expressiva sem
seus estoques. Na semana passada, boa parte das empresas que
seguiram produzindo já sofriam
escassez de insumos nacionais.
A relação de companhias do
PIM forçadas a desligar, total ou
parcialmente, os motores de suas
linhas de produção, por força da
crise, inclui gigantes dos polos
eletroeletrônico e de duas rodas,
além de diversos componentistas:
Honda, Yamaha, BMW, Samsung,
Technicolor, Transire, Harley Davidson, Panasonic e Whirlpool,
entre outras. Todo o polo relojoeiro está parado também.
Sem mudanças
Indagado pelo Jornal do Commercio se teria havido alguma
mudança de cenário na crise da
Covid-19 que amparasse a esperança de um retorno às atividades
das indústrias do PIM, o presidente do Cieam observou que os
motivos que levaram às paralisações temporárias foram diferentes
para cada empresa.
“As empresas adotaram medidas diferentes umas das outras. Em relação a férias coletivas, umas adotaram 15 dias, outras optaram por 20. Há aquelas que deram licenças ou férias parciais para uma linha, mas não pararam totalmente. Não teve nenhuma mudança no mercado. Pode ser que essas empresas encontrem a necessidade de dar mais uma paralisação, encontrando uma ferramenta que agora foi disponibilizada pelo governo. O que estamos buscando, a todo custo, é evitar demissões. Vamos acompanhar”, explicou.
Wilson Périco reforça que a indústria só vai conseguir se recuperar depois do comércio, dado que o setor depende da reativação da atividade do varejo e da demanda do consumidor para voltar a aquecer os motores de suas linhas de produção novamente.
Crédito e tributos
O dirigente informou também,
em sua live no Instagram, que as
lideranças do Polo Industrial de Manaus já tiveram pelo menos três
reuniões com representantes do
governo do Estado, em busca de
linhas de crédito. O pleito não se
resumiu apenas à indústria, mas
incluiu também o comércio e as
micros e pequenas empresas de
diversos setores.
“Pedimos que ajudassem a
indústria a conseguir recursos
a juros bem convidativos, quase
subsidiados, no sistema financeiro, principalmente no Banco da
Amazônia. Isso ajudaria a sustentar a folha de pagamento e
as operações, principalmente das
micros e pequenas empresas. Em
um segundo momento, viriam as
médias e grandes. Já tem alguma
coisa nesse sentido, pois o Basa já
anunciou. A Fapeam (Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado
do Amazonas) também está com
uma linha de crédito. Essas conversas vão continuar”, contou o
presidente do Cieam, ao Jornal
do Commercio.
Os pleitos da indústria ao governo estadual incluíram também
outras formas de ajuda às empresas, incluindo as possibilidades de
o Estado reduzir ou postergar a
cobrança do ICMS (Imposto sobre
Circulação e Mercadorias e Serviços), ou mesmo de multa decorrente de tributos administrados
pela Sefaz (Secretaria de Estado
da Fazenda), bem como a redução
do ICMS sobre energia elétrica.
Ventilador pulmonar
Os desdobramentos do desenvolvimento do protótipo do
ventilador pulmonar para fabricação na ZFM também pautaram
os encontros com o Executivo. O
projeto está sendo desenvolvido
por uma equipe multidisciplinar
de médicos e pesquisadores da
UEA (Universidade do Estado do
Amazonas), FPF (Fundação Paulo
Feitoza), Senai (Serviço Nacional
de Aprendizagem Profissional),
Transire e Samel.
A iniciativa conta ainda com
o apoio do Cieam e a colaboração
direta da Jabil do Brasil Indústria
Eletroeletrônica Ltda e do INDT
(Instituto de Desenvolvimento
Tecnológico), além de ter ganhado reforço da Moto Honda,
há uma semana. A meta inicial,
segundo a Fieam, é fabricar pelo
menos 1.000 respiradores para
abastecimento do Amazonas e,
mais adiante, expandir a escala
de fabricação para suprir outras
unidades federativas do país.
“A Fundação Paulo Feitoza e o Senai trabalharam bastante nesse protótipo. Estamos muito próximos de ter esse produto para ser testado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pelo Ministério da Saúde, para capacitar a produção do aparelho, a partir da semana que vem. Vai dar certo”, finalizou o presidente do Cieam.