26/03/2020
Fonte: Valor Econômico
Cibelle Bouças
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) defende um modelo mais sofisticado de quarentena para conter a pandemia de covid-19 sem paralisar totalmente a economia.
“Temos que cuidar das pessoas e cuidar da economia. Temos que encontrar um
equilíbrio, com a adoção de ações coordenadas”, afirmou Fernando Pimentel,
presidente da Abit. O executivo considera importante que o país observe os
resultados da quarentena nesta semana e na semana que vem para, a partir daí,
definir um novo plano de ação
“Os resultados da quarentena vão indicar a velocidade de contaminação e onde a
situação é mais crítica. O ideal seria já começar a avaliar as informações e começar a
ter uma volta das atividades econômicas de forma controlada”, disse Pimentel.
O executivo sugere manter em isolamento os grupos de risco — como pessoas com
diabetes, hipertensão, doenças pulmonares, imunossuprimidos e idosos — com a
liberação gradual de outros grupos para voltar ao trabalho.
“Poderia ser feito, por exemplo, um isolamento de bairros ou cidades com mais
casos da doença. Em cidades onde não existem casos, o comércio e a indústria
poderiam voltar normalmente. Seria um sistema de mapeamento e análise mais
sofisticado, mas que permitiria uma retomada da economia”, afirmou.
O executivo acrescentou que as indústrias do setor têm consciência da gravidade da
pandemia, mas estão preocupadas com a possibilidade de terem de demitir por
falta de recursos financeiros.
Pimentel disse ainda que muitas indústrias deram férias coletivas aos funcionários,
mas não teriam condições de ficar mais de 30 dias paradas.
O presidente a Abit criticou o aumento dos juros pelos bancos e defendeu a aprovação pelo governo de alguma linha para refinanciamento de dívidas com fundo garantidor.