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Impactos no PIM com a saída da Sony preocupam

Fonte: Jornal do Commercio

Antonio Parente

O fechamento de fábrica da Sony no PIM (Polo Industrial de Manaus) prevista para março de 2021, pode gerar impactos negativos na economia local. Perda de postos de trabalho, queda na produção e declínio nos indicadores do PIB Amazonense (Produto Interno Bruto), estão entre as principais preocupações. A decisão anunciada na manhã de ontem (15), trouxe incertezas para o segmento de eletroeletrônico. Segunda a companhia, a medida visa fortalecer a estrutura e a sustentabilidade de seus negócios, para responder às rápidas mudanças no ambiente externo. Decisão foi motivada pelo ambiente recente do mercado.

Apesar do encerramento das atividades, a empresa emitiu um comunicado que “continuará mantendo sua operação local para oferecer todo suporte ao consumidor para os produtos sob a sua responsabilidade comercial de acordo com as leis aplicáveis e sua política de garantia de produtos”. Os demais negócios do grupo games, soluções profissionais, música e entretenimento vão continuar atuando no mercado local.

Na análise do economista Farid de Mendonça Júnior, o fechamento de uma fábrica no polo industrial de Manaus ocasiona menor renda, redução do consumo na economia, pessimismo dos agentes econômicos e queda nos investimentos. Além desses fatores, ele ressalta que algumas exigência da política econômica do governo acabam sendo fatores que dificultam a atuação das empresas no país.

“É inegável que está cada dia mais difícil investir no setor produtivo no Brasil. Os custos são muito altos (funcionários, energia elétrica, etc) e a burocracia é muito grande. Dentro deste último tópico (a burocracia) está também as maiores exigências do governo, tal como a exigência do novo PPB (Processo produtivo Básico) de TV com tela de LCD. Como se sabe, a empresa Sony é produtora de TV e deve ter avaliado que mais esta exigência em seu processo produtivo não justifica a sua permanência no Brasil. É muito simples. Empresário faz conta. Se a conta não fecha, ele arruma a mala e vai para o local onde a conta possa funcionar de forma positiva para ele”, explicou.

Para a economista e vice presidente da Cofecon-AM (Conselho Federal de Economia do Amazonas),Denise Kassama, a notícia de uma empresa fechando as portas afeta diretamente nos postos de trabalho direto e de toda uma cadeia de fornecedores que serão prejudicados com o fim das operações. “O fechamento de uma empresa é sempre ruim. Além dos empregos diretos que ela deixa de gerar, que são cerca de 400, existe toda uma cadeia de fornecedores, que igualmente vão sofrer os prejuízos. Desde fornecedores de refeição para os funcionários a fornecedores de insumos e suporte. Todo esses vão ter um cliente a menos. Então, a economia toda sofre com essa saída da Sony”, explica.

Segundo o presidente do Cieam (Centros das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, há algum tempo, a Sony já vinha tendo dificuldade dentro do mercado, com quedas nos volumes da produção e por conta das empresas coreanas e chinesas que surgiram como grandes concorrentes. O economista enfatizou que o encerramento das atividades da empresa vai ocasionar perdas para a economia local, e destacou que o momento, deve servir de alerta para o governo repensar sua política econômica.

“É ruim para o Brasil perder uma marca como a Sony, na questão dos empregos, espero que o impacto seja o menor possível. Isso serve para nós também pensarmos, principalmente como governo, que o país não conta com grandes indústrias brasileiras. Nós temos grande multinacionais, gerando empregos para brasileiros aqui. Se o Brasil não corrigir as suas deficiências de infraestrutura e logísticas, comunicação, eletricidade. Se não corrigir a insegurança jurídica que tem e essa instabilidade política, é muito difícil de nós garantirmos o crescimento desses investimentos”, disse.

Wilson explica, que é importante que as empresas saibam acompanhar as inovações tecnológicas no mercado e adaptar sua forma de trabalho dentro dos diferentes avanços. “O mesmo aconteceu lá atrás com a Philips, que deixou de produzir no Brasil exatamente por conta dessas mudanças no cenário e no mercado global. Somado a isso tem as questões das inovações tecnológicas que são cada vez mais rápida, e as empresas que não tiverem escalas para implementar e editar tendências, acabam sofrendo um pouco mais. Isso pode ter ajudado (a Sony) na tomada de decisão aqui no Brasil”, disse.

Kassama explica, que o cenário mercadológico atual apresentou mudanças significativas com investimento em novas tecnologias e o surgimento de grandes concorrentes. Grandes empresas coreanas apresentaram novos modelos de negócios e produtos com inovação. O quadro gerou um ambiente de competição onde se destaca aquelas que possuem maior investimento e melhor tecnologia.

“O mercado mudou. As pessoas não estão mais procurando um produto caro e bonito. O brasileiro com a surra da economia passou a procurar o ‘Bom, bonito e barato’. E nesse momento veio a entrada das empresas coreanas, com produtos novos, tecnologia e muitos investimento no PIM com preços competitivos. Com isso quebrou não só a Sony, mas Philips, Gradiente e Toshiba. Hoje vivemos a época das Coreanas no PIM”, disse.

“A saída da empresa não foi só por conta da política econômica brasileira. O mercado tornou-se diferenciado. Vale lembrar que a empresa se desfez de linhas importantes a nível mundial que geraram um faturamento bom para o grupo e que tinham um alto valor agregado. Eram sinônimos de ótimos produtos. Ela negociou e vendeu essas marcas. O próprio comunicado da empresa mostra que a decisão da Sony foi uma decisão do grupo em si”, finalizou.

Apesar do fechamento, a empresa emitiu um comunicado de que “continuará mantendo sua operação local para oferecer todo suporte ao consumidor para os produtos sob a sua responsabilidade comercial de acordo com as leis aplicáveis e sua política de garantia de produtos”. Os negócios de games, soluções profissionais, música e entretenimento vão continuar atuando em Manaus.

Por dentro

A Sony é uma das principais empresas fabricantes de televisores no PIM, e faz parte do setor de eletroeletrônico. Segundo indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o setor tem a participação de 25,67% no faturamento do PIM. O setor produziu até maio 4,4 milhões de Televisor com tela LCD com um faturamento de R$ 6,6 bilhões até maio. O setor registrou até maio 30.133 mão de obra ocupada, incluindo bem de informática.

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