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Diferença de gênero é crescente no mercado do Amazonas

Fonte: Jornal do Commercio

Marco Dassori

Assim como ocorrido em relação às etnias, as diferenças entre homens e mulheres no que se refere a oportunidades no mercado de trabalho do Amazonas e de Manaus foram acentuadas no primeiro trimestre de 2020. O mesmo pode ser dito das diferenças salariais entre gêneros, que voltaram a ganhar impulso às vésperas da crise do Covid-19. A conclusão vem dos dados mais recentes da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem Domicilar) Contínua, do IBGE.

Do ponto de vista do crescimento vegetativo, a vantagem é feminina. As mulheres com 14 anos ou mais e aptas a trabalhar (1,546 milhão) respondem por 50,6% da população total do Amazonas (3,053 milhões), um contingente pouco superior ao dos homens (49,4% e 1,507 milhão). A diferença em favor das primeiras é maior em Manaus: 52,9% (921 mil) contra 47,1% (822 mil).

Os números se invertem em favor dos homens quando se leva em conta apenas a força de trabalho do Estado – 57,2% (1,094 milhão) contra 42,8% (819 mil) – e da capital – 53,4% (623 mil) contra 46,6% (544 mil). O mesmo se dá no caso da população ocupada, que foi majoritariamente masculina no Amazonas (59,3% e 971 mil) e em Manaus (55,8% e 531 mil), no acumulado até 2020. Em contrapartida, a taxa de desocupação feminina foi muito maior, tanto a estadual (55,5% e 154 mil), quanto a municipal (57,3% e 124 mil).

“As mulheres são a maioria. No entanto, entre os que estão trabalhando e os que estão na busca por trabalho, os homens ainda estão em número superior. A taxa de desocupação das mulheres é bem maior do que a dos homens, o que indica fortemente que as mulheres enfrentam muito mais dificuldades para se inserir no mercado de trabalho”, assinalou a Jornal do Commercio o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Rendimento médio

O rendimento médio nominal no Amazonas em todas as atividades remuneradas foi de R$ 1.783, no primeiro trimestre de 2020, durante a semana de referência da pesquisa. Homens ganhavam R$ 1.812 e as mulheres (R$ 1.737) recebiam 4,14% a menos. Na capital, a média salarial é um pouco maior (R$ 2.185), assim como a diferença entre gêneros. As trabalhadoras tinham salário médio de R$ 1.999, valor 14,17% abaixo da remuneração dos colegas do sexo oposto (R$ 2.329).

A evolução salarial também se deu de forma diferente. No Amazonas e em Manaus, as remunerações femininas médias oscilaram do primeiro (R$ 1.676 e R$ 1.991, respectivamente) para o último trimestre de 2019 (R$ 1.674 e R$ 1.923), para chegarem a um valor levemente maior nos três meses iniciais de 2020 (R$ 1.737 e R$ 1.999). Em contraste, os vencimentos dos trabalhadores do sexo masculino avançaram de forma ininterrupta no Estado (R$ 1.711, R$ 1.763 e R$ 1.812) e na capital (R$ 2.237, R$ 2.262 e R$ 2.329).

“Embora a diferença média seja pequena, os homens ainda levam vantagem no rendimento médio nominal ‘de todos os trabalhos’ no Estado. Já em Manaus, a distância entre as remunerações é bem superior, o que demonstra que a urbanização do trabalho aumenta a diferença salarial entre os gêneros”, avaliou o pesquisador do IBGE-AM.

Horas e subutilização

Homens ganham mais e também consomem mais horas no trabalho, conforme apontam os dados da PNAD Contínua para o período de janeiro a março de 2020. Da média de horas trabalhadas em todas as ocupações remuneradas no Amazonas (36,4) e em Manaus (38,5), os trabalhadores do sexo masculino (37,9 horas no Estado e 40,4 na capital) superam com folga o contingente feminino (34,1 e 36,1 horas, respectivamente).

Em contraste, o fosso entre os gêneros é mais bem percebido no grupo de pessoas que trabalham menos do que poderiam e desejariam. A taxa média de subutilização de trabalho foi de 28,5% no Amazonas e de 27,7% em Manaus, nos três meses iniciais de 2020. Tanto no Estado, quanto na capital, as mulheres (35,4% e 34,1%, na ordem) superam em largam margem os homens (22,9% e 22%), nessa situação.

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM salientou ao Jornal do Commercio que a média de horas trabalhadas dos homens é “tradicionalmente” superior ao das mulheres na região e que isso pode ser confirmado nos dados da série histórica da PNAD Contínua, tanto para o Amazonas quanto para Manaus. O contraponto, conforme Adjalma Nogueira Jaques, também gera desconforto.

“A taxa composta por subutilização de trabalho na capital amazonense mostra que a mulher urbana tem seu tempo menos preenchido do que o dos homens. Ou seja, a manauense sente que poderia preenche-lo com mais ocupações. Assim, a taxa de subutilização mostra uma trabalhadora muito mais descontente do que o homem quanto a sua condição em relação à ocupação”, arrematou.

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