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Cresce a demanda por notebooks

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21/01/2021

Por Daniele Braun 20/01/2021

Os notebooks dominaram as vendas de eletroeletrônicos em 2020, por conta da pandemia, incluindo máquinas mais caras e robustas. O salto na demanda levou fabricantes a aumentar e reorganizar a produção no país, abrindo mais espaço para fabricar notebooks em detrimento de máquinas corporativas ou mesmo smartphones.

Dados da consultoria GfK mostram que a participação dos notebooks que partem de R$ 6 mil nas vendas totais desse tipo de computador subiu de 1,7% em 2019 para 4,2% em 2020.

“Ao contrário do smartphone, onde o consumidor já está fazendo atualização, ainda há muita demanda reprimida e muitas residências sem notebooks”, diz Fernando Baialuna, diretor da GfK. A maior participação em faturamento no setor ainda é concentrada em máquinas de R$ 2 mil a R$ 4 mil, que representaram 65% das vendas em 2020.


Fabricantes especializados em máquinas de alta performance como a Avell, viram o reflexo direto das buscas por máquinas mais robustas durante a pandemia. Em 2020, a empresa de Florianópolis faturou R$ 110 milhões, um incremento de 70% nas vendas de 2019.

“No nosso mercado há um crescimento bem forte na demanda por arquitetos, engenheiros, dentistas, profissionais de audiovisual e ‘gamers’ “, diz Emerson Salomão, CEO da Avell. Máquinas de alta performance, geralmente, incluem processadores de última geração, partem de 8 gigabytes (GB) de memória, placa de vídeo com memória dedicada e armazenamento em unidades de disco sólido (SSD), no lugar do disco rígido (HD).

No início de 2020, a empresa investiu R$ 10 milhões em uma fábrica na Zona Franca de Manaus e observou um avanço de 30% na demanda a partir de março, quando veio a pandemia. “Uma grande preocupação nossa, no ano passado, era investir na fábrica prevendo um pico que não se sustentaria após a pandemia”, afirma o executivo.

Em 2020, a produção de notebooks da Avell foi de 10 mil notebooks e deve chegar a 15 mil em 2021. No segundo semestre, a empresa abre dois show rooms em São Paulo, em um shopping center e em um centro comercial da capital paulista. Salomão diz que a ideia é ampliar o contato do consumidor com a marca. Ele prevê um aumento de pelo menos 30% nas vendas esse ano.

Grandes fabricantes como Dell e Lenovo, que dominam as vendas de computadores no país, não revelam números locais, mas observam a mesma tendência de aumento nas buscas por máquinas mais poderosas.

No ano passado, a Dell reorganizou a produção de sua fábrica em Hortolândia, no interior de São Paulo, para produzir mais notebooks a pessoas físicas do que servidores. “A linha entre trabalho e uso doméstico está cada vez mais indefinida”, afirma Diego Puerta, diretor-geral da empresa. Em julho, a Dell apostou alto na linha XPS, de notebooks topo de linha com design mais fino e preços a partir de R$ 7.500. “A linha chegou a esgotar nos primeiros meses”, lembra o executivo.

O aumento na demanda por notebooks levou a linha de produção da Lenovo, em Indaiatuba (SP), ao nível máximo, em meados do ano passado. Luiz Sakuma, diretor de produtos de consumo da Lenovo, diz que o aumento na demanda ocorreu não só em notebooks, incluindo as linhas Yoga e Legion, de alta performance, mas também em acessórios.

A Asus adaptou sua linha de produção para dar mais espaço aose menos aos smartphones. “Quase dobramos a produção de notebooks em relação a 2019”, diz Henrique Costa, gerente de produtos da empresa que produz em regime terceirizado junto à Foxconn, em Jundiaí. “Como 2020 foi ano dos notebooks tomamos a decisão certa”.

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