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​CORECON-AM discute economia do Amazonas no pós-pandemia

Osíris M. Araújo da Silva

O Conselho Regional de Economia do Amazonas (CORECON-AM) realizou na tarde desta quinta-feira, 25, a primeira videoconferência, de uma série semanal que começou a promover tendo por objetivo fundamental debater o importantíssimo tema ECONOMIA DO AMAZONAS PÓS-PANDEMIA COVID-19.

Os programas reunirão profissionais de alto nível da Universidade, da pesquisa, do governo, Suframa, além de políticos, representações das classes empresariais e das diversas categorias de trabalhadores. Todos, rigorosamente, comprometidos com a busca de soluções objetivas e viáveis relacionadas à integração setorial (agropecuária, indústria e comércio) do processo de desenvolvimento econômico do Estado e da Zona Franca de Manaus..

No primeiro programa levado a cabo na tarde de ontem, do qual este articulista atuou como mediador dos debates, tomaram parte o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento do Amazonas, Jorio Albuquerque Veiga Filho; os economistas Nelson Azevedo dos Santos, vice-presidente da FIEAM; Rodemarck de Castello Branco, professor de Economia aposentado da UFAM e consultor econômico, e do líder empresarial, também economista, Wilson Périco, presidente do CIEAM.

Além dos debatedores, a videoconferência contou com audiência qualificada. Foram postados diversos comentários com ideias e sugestões ajustadas aos objetivos das discussões promovidas. O que significa que a sociedade espera iniciativas desse porte, durante as quais possa interagir, fazer suas críticas e propor sugestões. Um vasto e promissor campo de trabalho para o CORECON-AM.

O secretário Jorio Veiga Filho, titular da SEDECTI, expôs as linhas gerais do planejamento governamental, que tem como estrutura de sustentação, políticas públicas para enfrentar a pandemia mundial. Ênfase dada ao projeto Biopolis Amazonas, um projeto “guarda chuva”e uma narrativa de desenvolvimento econômico no qual o programa Rota da Biodiversidade é um dos vários eixos que a Sedecti está trabalhando.

O secretário Veiga Filho especificou as linhas gerais que estão sendo articuladas com vistas a promover a integração da bioeconomia e suas complexidades, onde se inserem produção de alimentos, turismo ecológico, mineração, manejo florestal sustentável, o pólo gás-químico. O objetivo maior é legitimar, mesmo 53 anos depois, o tripé conceituado no Art. 1o do DL 288/67, que estabelece criar, no interior da Amazônia Ocidental, um pólo agropecuário, industrial e de prestação de serviços, sabendo-se que esta disposição da lei até hoje não foi cumprida.

Nessa mesma linha o vice-presidente da FIEAM, Nelson Azevedo do Santos, com base em sua larga experiência como economista, executivo e empresário bem sucedido no Polo Industrial de Manaus, acredita ser este o momento exato de o governo estadual, ao lado da Suframa, das representações empresariais e classes políticas trabalhar a busca de soluções, promover a reestruturação da política de incentivos vigente de sorte a ajustá-la aos padrões tecnológicos da Indústria 4.0 e à necessidade de integração setorial e complementar da nova matriz econômica do Amazonas e da ZFM.

Para o economista Rodemarck Castello Branco, com base em sua larga visão de professor e consultor econômico que acompanhou passo a passo a evolução da política de incentivos fiscais, a ZFM deu certo. Embora parcialmente. Isto devido a questões de fundo menosprezadas pelo governo. O que o levou a ressaltar a necessidade de estudar cenários futuros buscando, assim, definir objetivos e metas, no horizonte 2073.

Qualquer cenário haverá de estar voltado ao fortalecimento do PIM no padrão da indústria 4.0, integrado à bioeconomia, que apresenta grande potencial de crescimento na região. O governo terá, obrigatoriamente, para a viabilização dessa nova matriz econômica promover uma revolução, segundo Castello Branco, nos campos do ensino técnico-profissional e da canalização de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação ( P,D&I).

O presidente do CIEAM, Wilson Périco, por seu turno, acredita que a Zona Franca de Manaus tem árduo caminho a percorrer para viabilizar a integração do Polo Industrial de Manaus (PIM) aos padrões tecnológicos impostos pela Revolução Industrial 4.0. Não obstante, o CIEAM é cem por cento comprometido com a integração setorial da nova ZFM resultante da incorporação da bioeconomia e suas complexidades ao processo de interiorização do desenvolvimento sustentável do Amazonas. A hipótese, segundo Périco, diz respeito ao elenco de oportunidades e alternativas que se ajustem ao PIM como evolução de processos tecnológicos industriais e bioeconômicos.

Também chamou a atenção para o iminente risco de desemprego que já contamina diversas empresas do Polo. A razão é simples, acrescenta: devido aos ajustes tecnológicos que a pandemia do covid-17 está induzindo em relação aos processos produtivos, as empresas irão produzir duas vezes mais do que hoje, gerando menos emprego. Em síntese, a pandemia, simplesmente, vem antecipando inovações que inevitavelmente iriam ocorrer bem mais à frente.

O maior desafio, para Wilson Périco, consiste em como acomodar as mudanças. Os debatedores do programa acreditam que o caminho tem, ao menos, duas vertentes fundamentais: a) geração de novas atividades, além muro da capital, isto é, extra PIM; e b) investir na qualificação de pessoas para os novos postos de trabalho a serem gerados pela nova matriz econômica do Estado.

Nesse sentido, o Amazonas e a ZFM estão dependentes de planos de desenvolvimento, de programas, projetos e metas de Estado, não de governo. Que se mantenham independentemente das cores partidárias do titular que assuma o Executivo. Nosso comprometimento, como define Nelson Azevedo, é com o Amazonas, com o nosso futuro, com nosso desenvolvimento.

O político, se não tiver grandeza de estadista não deixa marcas duradouras em sua passagem pelo poder público. Como as estações, vêm e vão.

Manaus, 25 de junho de 2020.

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