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​Conflitos geopolíticos elevam incerteza global, mas indústria do Amazonas projeta novo ciclo de crescimento

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10/03/2026

Escalada de tensões internacionais pressiona mercados e eleva volatilidade, enquanto recorde histórico de faturamento do PIM sustenta expectativas positivas para 2026

O cenário econômico internacional passou por uma mudança brusca nas primeiras semanas de 2026. O que antes era visto pelos analistas como um período de relativa estabilidade deu lugar a um ambiente de forte volatilidade, impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus efeitos sobre os mercados globais.

O aumento das incertezas foi intensificado após o avanço do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, que provocou um choque de oferta global e impactou diretamente o mercado de energia. O preço do barril de petróleo Brent, que vinha sendo negociado na faixa de US$ 67 a US$ 68, saltou para cerca de US$ 120 em contratos futuros, pressionando custos logísticos e elevando o chamado VIX — índice de volatilidade do mercado financeiro conhecido como “índice do medo”.

Segundo o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Márcio Holland, a rápida deterioração do ambiente internacional ilustra o nível de imprevisibilidade que passou a marcar a economia global neste início de ano.

“Estamos vivendo uma alteração muito abrupta do que prevíamos semanas atrás. O mercado passou de uma situação de relativa monotonia para um estado de incerteza séria, impulsionado por um choque de oferta global altamente inesperado. Esse ‘índice do medo’ elevado reflete justamente a dificuldade de prever os próximos passos, sobretudo diante da volatilidade política e das tensões internacionais”, avaliou.

No Brasil, os reflexos começam a aparecer principalmente na curva de juros e nas expectativas de crescimento econômico. No caso do Amazonas, os impactos se manifestam de forma particular na dinâmica industrial, com o surgimento de um descasamento entre produção e vendas que resultou em aumento de estoques em alguns segmentos do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Apesar da instabilidade externa, os indicadores regionais apontam um panorama mais resiliente para a indústria instalada no Amazonas. Dados consolidados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e analisados pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) mostram que o PIM encerrou 2025 com um resultado histórico.

O faturamento nominal do polo alcançou R$ 228 bilhões, o maior já registrado, aproximando-se também do recorde histórico em moeda estrangeira. Em dólares, o desempenho se aproximou da marca de US$ 41 bilhões registrada em 2011, considerada até então o ápice da série histórica.

Para o professor André Costa, Coordenador da Área de Indicadores do CIEAM, a transparência e a consolidação dos dados regionais permitem uma leitura mais precisa do desempenho da indústria amazonense, mesmo em um ambiente global desafiador.

“No Amazonas, temos um nível de transparência superior ao restante do país graças aos relatórios consolidados da Suframa, que utilizamos para alimentar nosso painel de dados. Embora esses números por vezes divirjam das referências do IBGE, eles confirmam que vivemos um momento de recorde histórico. Em 2025, atingimos R$ 228 bilhões de faturamento nominal e conseguimos ‘beliscar’ o recorde de 41 bilhões de dólares registrado em 2011, um feito bastante relevante considerando o comportamento do câmbio”, explicou.

Ainda de acordo com o Coordenador, os indicadores de confiança, importações e produção seguem consistentes e sustentam projeções positivas para o próximo ciclo econômico da indústria.

“Olhando para frente, os dados de motocicletas, importações e confiança reforçam nosso otimismo. A perspectiva para 2026 é de mais um ano de alta performance, com manutenção do bom desempenho em motocicletas e condicionadores de ar e uma recuperação importante em eletrônicos de consumo, como TVs e celulares, impulsionada por eventos de grande mobilização econômica, como a Copa do Mundo e o período eleitoral”, destacou.

Entre turbulências internacionais e indicadores regionais robustos, o desafio para a indústria amazonense em 2026 será navegar entre dois mundos bem diferentes: um mercado global nervoso e imprevisível, e um polo industrial que segue mostrando capacidade de adaptação, escala produtiva e relevância estratégica para a economia brasileira.

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