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Colapso na saúde do Amazonas gera mobilização

  • Postado em: 15/01/2021
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Fonte: Jornal do Commercio

Manaus vive uma situação desesperadora com o avanço da pandemia do novo coronavírus. Além da superlotação de leitos, falta agora oxigênio nos hospitais e muitos pacientes estão sendo levados para tratamento em outras regiões do País. E isso tem sido uma das principais medidas na tentativa de salvar vidas.

Existe uma operação de guerra. Governos das três esferas do poder público, indústria e parlamentares se mobilizam para normalizar o quanto antes o fornecimento de gás medicinal tão essencial aos acometidos pela Covid-19.

A Justiça engrossa a grande mobilização para tentar evitar que morra mais gente. Determinou que duas empresas regularizassem o fornecimento de oxigênio para a rede pública e às unidades hospitalares da rede privada.

Grandes produtoras de oxigênio, a White Martins e a Nitron da Amazônia foram acionadas judicialmente para regularizar o abastecimento, mas alegam não poder suprir as demandas porque os pedidos cresceram assustadoramente nos últimos dias na região.

Na terça-feira (12), o volume do produto utilizado nos hospitais da rede pública de saúde de Manaus foi mais de 11 vezes superior à média diária habitual de consumo, levando praticamente a um colapso na rede distribuidora local.

Na visita recente que fez a Manaus, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a cidade enfrenta “a crise do oxigênio”, com cilindros e isotanques sendo transportados às pressas em aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para evitar o colapso hospitalar.

“Toda a produção da White Martins no Brasil está impactada. É uma luta conseguirmos oxigênio medicinal em qualquer lugar”, afirmou o ministro. “Por essas razões, Manaus terá prioridade na campanha de vacinação que deve começar no dia 20 de janeiro em todo o País”, acrescentou Pazzuelo.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), divulgou uma nota, comunicando que a White Martins havia informado já estar operando no limite da sua capacidade de produção. “O consumo já tinha quintuplicado, sobretudo por causa do aumento do número de leitos em hospitais”, disse ele.

De forma extrajudicial, ontem, a SES-AM (Secretaria de Saúde do Amazonas) notificou 11 empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) a entregar seus estoques de oxigênio para o enfrentamento à Covid-19. A determinação do secretário de Estado de Saúde, Marcellus Campêlo, tem como base as leis 13.979/20 e 8.080/90.

“Em qualquer caso, havendo recalcitrância do particular, fica autorizado o imediato uso de força policial, além de outras medidas coercitivas e restrições de direito juridicamente admitidas, observada a moderação no emprego da força e a proporcionalidade dos meios para evitar danos desnecessários ao bem requisitado no presente”, diz um dos termos do documento divulgado pela SEA-AM. E que acrescenta: “A requisição vigera até que sejam sanadas as razões que a determinaram”.

As indústrias notificadas foram a Gree Eletric, Moto Honda, Yahama Motor, Electrolux, TPV, Whirlpool, Sodecia da Amazônia, Denso Industrial da Amazônia, Caloi, Flextronics International e Cometais.

Até o fechamento desta edição, a Samsung havia confirmado que doaria seu estoque de gás medicinal, mas não disse qual seria a quantidade do produto a ser doado para as unidades hospitalares.

A Honda também divulgou nota informando que doou 14 cilindros de oxigênio, sendo 12 unidades para a Cema (Central de Medicamentos do Amazonas) e as outras duas para o HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas).

Nesta sexta-feira (15), mais oito cilindros de oxigênio devem ser doados pela Honda à Cema, segundo comunicado da empresa. A montadora ressalta que a “união de esforços e recursos é a maneira mais eficiente para apoiar as comunidades e profissionais de diversos setores que seguem na linha de frente do combate ao coronavírus”.

Consultada, a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) ficou de avaliar a requisição da SEA-AM e confirmar se outras empresas tomariam a mesma iniciativa da Samsumg e da Honda, mas sua assessoria não retornou às ligações, até ontem.

A direção da White Martins informou que está deslocando carregamentos de outros locais para suprir as demandas do Amazonas. O oxigênio é o item de socorro imediato aos pacientes que chegam às unidades hospitalares com dificuldades respiratórias.

“É uma demanda sem precedentes. Estamos nos esforçando ao máximo, além da nossa capacidade, para não deixar faltar o produto na região”, comunicou a assessoria da White Martins.

Repercussão

A verdade é que nunca se viu um cenário tão adverso na área de saúde. A capital do Amazonas ocupa, hoje, as manchetes dos principais jornais e sites do mundo. Além do Brasil, a crise sanitária repercute em todos os países, chamando a atenção da comunidade internacional.

Em Brasília, o senador Omar Aziz (PSD-AM) mobilizou toda a bancada para socorrer o Amazonas com oxigênio medicinal. Em nome dos oito deputados federais e dos outros dois senadores, ele solicitou ao governo federal para trazer cilindros de gás a Manaus.

“O Amazonas clama por socorro e agora só o governo federal com as Forças Armadas pode abastecer o Estado com oxigênio”, disse Omar Aziz

O senador amazonense avalia que é hora de união para o enfrentamento à Covid-19. E ressalta que a bancada federal está unida, pressionando o governo federal, para socorrer o Amazonas.

“O Estado viveu ontem (quinta-feira, 14), o seu pior dia desde o início da pandemia, com várias mortes por falta de oxigênio”, acrescentou Omar, fazendo um apelo também à população para que fique em casa e não se exponha ao vírus. “Vamos investir na prevenção para salvar mais vidas”, afirmou.

Um boletim da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas) aponta que de 1º a 12 de janeiro, houve 2.221 internações de pessoas em Manaus, necessitando de oxigênio medicinal.

No pico da doença no Estado, em abril do ano passado, foram internadas 2.128 pacientes. A média móvel de mortes cresceu 183% no Amazonas nos últimos 7 dias. Até essa quarta-feira (13), mais de 219 mil pessoas haviam sido infectadas pela Covid em todo o Estado, e mais de 5,8 mil morreram por complicações da doença.

Hoje, mais de 204 pacientes estão na fila de espera por leitos. Esses números, porém, aumentam diariamente à medida que a pandemia de coronavírus avança, levando o governo do Amazonas a decretar o toque de recolher das 19h às 6h.

Desta vez, é assustadora, mais avassaladora, a disseminação do novo coronavírus. Em 5 de dezembro do ano passado, Manaus registrava 403 pacientes hospitalizados, sem incluir as internações no interior, o que representa, só em um mês, um crescimento de 340% na quantidade de pessoas ocupando leitos hospitalares na capital.