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Amazonas emenda terceiro saldo negativo de empregos

Fonte: Jornal do Commercio

Marco Dassori

Impactado pela crise da covid-19, o Amazonas emendou, em maio, seu terceiro saldo negativo mensal de empregos com carteira assinada, embora a tombo tenha sido mais baixo. No total, 10.346 trabalhadores foram mandados embora, superando de longe o volume de contratações do período (5.500). Houve recuo de 1,20%, graças à extinção de 4.846 postos de trabalho, um corte menos severo do que o de abril (8.583). A maior parte das perdas (92,36%) ocorreu em Manaus (-4.476 e -1,21%).

Foi o segundo pior número do Estado para a série histórica fornecida pelo “Novo Caged”, divulgado pelo Ministério da Economia, nesta segunda (29). Também foi a queda relativa mais acentuada na região Norte (-0,58%), superando em muito a média nacional (-0,87%). A queda foi generalizada e praticamente todos os setores econômicos promoveram corte, diante do avanço da pandemia e dos impactos econômicos do isolamento social.

No acumulado dos cinco meses do ano, o resultado foi ainda pior, levando o Estado a amargar o segundo resultado negativo consecutivo em 2020, neste tipo de comparação. De janeiro a maio, foram extintos 14.190 empregos celetistas, já que as admissões (+52.903) nem encostaram nos desligamentos (-67.093). Com isso, a variação no número de postos de trabalho em relação ao estoque do exercício anterior foi negativa em 3,43%.

Todos os cinco setores econômicos listados pelo Caged fecharam no vermelho, puxados pela indústria (-1.998 vagas) – em especial pela indústria de transformação (-1.813). Foi seguida de perto por serviços (-1.767) – com destaque negativo para atividades administrativas e serviços complementares (-809) e positivo para atividades financeiras e seguros (+49).

Os outros resultados negativos registrados na passagem de abril para maio vieram comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (-575), construção (-449) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-57). Os dados do “Novo Caged” divulgados à imprensa não incluíram a variação mensal para os setores econômicos nos Estados, nem os desempenhos destes no acumulado.

Isolamento e sazonalidade

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, atribui o fato de a indústria de transformação ter sido a atividade econômica do Amazonas que mais eliminou empregos com carteira assinada em maio às medidas de isolamento social pós-pandemia, que levaram à super-estocagem e interrupção dos trabalhos no setor. O dirigente lembra que fatores pontuais também contribuíram para o resultado em algumas linhas, mas se diz otimista em relação aos próximos meses.

“Tivemos a questão da sazonalidade no segmento ar condicionado e certamente tivemos algumas pequenas empresas que podem ter sofrido e acabaram demitindo. Nossa atividade é demandada pela atividade comercial e a flexibilização do isolamento social já está movimentado a atividade na indústria. Hoje, temos 37% das empresas trabalhando a 100% da capacidade e outras 33% acima dos 60%. Apenas 4% continuam paradas. Vamos acompanhar essa retomada”, frisou.

“Perdas inevitáveis”

Em sintonia, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, diz que as perdas de postos de trabalho foram inevitáveis, embora tenha havido um grande esforço do setor industrial local para mantê-los. O dirigente ressalta que o impacto causado pela pandemia ocasionou uma queda muito forte também no faturamento, dificultando o pagamento de despesas correntes, já que as empresas tiveram muitos entraves para acessar o crédito, comprometendo também o capital de giro.

“Somando-se a tudo isso, ainda temos problemas nas aquisições de insumos e dificuldades logísticas no transporte de matéria prima e escoamento da produção na ZFM. A estatística de perda de empregos envolve todos os setores. Nossa torcida é que o governo tome medidas mais efetivas para que os efeitos econômicos negativos da crise não sejam mais devastadores no futuro. A indústria está fazendo todo o possível para que os efeitos nefastos sejam os menores possíveis para trabalhadores e empresários. Um não vive sem o outro”, afiançou.

Retomada lenta

O economista e professor da Faculdade Fipecafi, Silvio Paixão, ressalta que, como o Amazonas é “voltado para a preservação da floresta”, todos os efeitos mais contundentes em termos de empregos se darão em Manaus, que é “importante em termos de produção”. Embora a extinção de empregos tenha sido 40% menos forte do que em abril, o economista lembra que a quarentena para comércio e serviços não essenciais ainda estava valendo, o que explica os resultados piores em indústria e serviços.

“Na parte de veículos, quem deve ter sido despedido foi o pessoal da equipe de vendas, mas nem tanto na manutenção. Sem dúvida, todos os Estados ainda vão sofrer muito em junho e, se continuar nessa ‘tocada’, em julho também. Entendo que Manaus já deve ter chegado ao pior patamar em maio ou junho, mas depois deve se estabilizar e se recuperar lentamente os postos de trabalho. Infelizmente, a pandemia vai se fazer presente negativamente nos números do primeiro semestre e se fazer desconfortável no segundo”, concluiu.

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