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Ajuste-se ao ambiente

Augusto Barreto Rocha (*)

Não há um novo mundo pós-pandemia. Há um novo mundo a cada segundo e precisamos nos ajustar a ele. Haverá garantias ou apoio suficiente do Governo para pessoas, empregos ou empresas? Não. Devemos ficar em casa? Não sei. Há pessoas que podem e há pessoas que não podem. Quem pode, fique. Quem não, pode, não fique, pois não há força que lhe dará de graça a água ou o pão, necessários para a sua vida. Institivamente você já deve (ou deveria) saber disso: não teremos suporte, como sempre.

Há nas discussões do presente um conjunto amplo de afirmativas e tentativas de retirada da liberdade de todos nós, com imposições de regras e soluções sem contrapartida de um mínimo raciocínio ou troca que faça sentido. Usa-se o medo, as leis, as polícias, os fiscais, os seguidores, as seitas, e tudo o mais, para nos impor regras que em sua maior parte não fazem sentido com a lógica ampla e sistêmica.

Após ler um documento produzido por professores da Ufam e da UFMG, compreendi algo mais sobre o problema da Covid-19 no Amazonas. Sinto falta de dezenas de documentos como aquele, produzidos por estatísticos e institutos reconhecidos, como o IBGE. Também sinto falta de documentos com forte base matemática, como os que poderiam ser produzidos e divulgados pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Por que este tipo de documento não é amplamente divulgado? Será que é porque afirmações repetitivas são ótimas para criar e tanger manadas?

Fico surpreso com tanta gente falando em ciência, mas que não usam a mínima lógica científica para tomar decisões ou apontar rumos. Não usam sequer uma lógica de aprendizado recente, em quem podem confiar e em quem não pode confiar. Quem lhe ajuda ou quem lhe atrapalha. Seguimos no mundo da fofoca, onde o ruído e força bruta obscurecem a liberdade e a vida.

Em 2019, em uma pesquisa do IBOPE, que mede o Índice de Confiança Social, há uma indicação que 50% das pessoas confiam no Governo Federal e 44% nos Governos Locais. Isso diz bastante, em especial quando se olha o complementar 50% não confiam ou 56% não confiam. A mesma pesquisa diz que confiamos 85% na família.

Não existe crise de liderança. Simplesmente, como bebês, não sabemos o que queremos. Ou criamos o futuro que nos interessa viver ou seremos conduzidos para a escravidão, a morte ou a fome. Faremos isso com o trabalho e os nossos braços ou viveremos na opressão sofrida ou impetrada? Cada um faz suas escolhas a cada dia e, querendo ou não, arcará com os resultados das ações tomadas. Em minha vida adulta nunca vi ninguém me dar nada de graça. É uma pequena amostragem, mas será que com a sua vida foi diferente?

*Augusto Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, Coordenador da Comissão de Logística do CIEAM.

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