30/03/2020
Eduardo Mazurkyewistz*
Na linha de frente contra o coronavírus está uma gama imensa de profissionais. Os da saúde, dispensam
apresentações. Eles estão mais expostos e correm os maiores riscos para conter a pandemia e tratar as pessoas
que contraíram a doença. E para subsidiar essa área vital, atuam também no front os profissionais do setor
industrial, entre os quais, do ramo de embalagens.
O apelo, por parte das autoridades de saúde, para que a população se resguarde em casa, aumenta e se faz necessário a cada dia para conter a disseminação do vírus. Mas, se indústrias como a de embalagem de papelão ondulado, pararem as suas atividades, haverá desabastecimento que impactará sobremaneira, inclusive, a área de saúde. Isso porque o setor atende com seus produtos, as indústrias farmacêuticas, hospitalares e de itens de limpeza e higiene pessoal, cargas essas essenciais para que o combate ao coronavírus continue sendo feito de forma firme. As embalagens de papelão também são necessárias para que a parcela de pessoas que tem a possibilidade de permanecer em casa não fique desguarnecida e possa receber, em domicílio, itens essenciais como alimentos, remédios, além de compras de e-commerce.
Segundo dados da ABPO (Associação Brasileira do Papelão Ondulado), no primeiro momento de crise, as vendas
de embalagens para alimentos, medicamentos, higiene e limpeza, que normalmente representam entre 70% e
80% das expedições, cresceram. Porém, à medida que os Estados decretaram a suspensão de atividades de
variados segmentos, o desempenho foi contido.
Há a necessidade de que não haja desabastecimento para que o colapso não seja ainda maior, uma vez que, sem
embalagem, o medicamento, os insumos hospitalares e os alimentos – itens de ordem essencial – não chegam ao
consumidor final. Mas, para isso, é extremamente necessário também que as indústrias garantam a segurança de
seus funcionários ao mesmo tempo em que asseguram a operação em suas fábricas. As ações de higienização
devem ser intensificadas – medida que, aliás, deve ser permanente mesmo ao fim da pandemia, para que outros
tipos de vírus sejam evitados. É importante reestruturar os turnos de trabalho para evitar aglomerações, assim
como disponibilizar transporte para os funcionários que não possuem carro, evitando que os profissionais usem o
transporte público e fiquem expostos à grande quantidade de pessoas.
As autoridades governamentais e a população podem contar com a indústria, tanto no reforço de ações para que o coronavírus não se alastre como na garantia de que não faltará produto de necessidade básica. Estamos trabalhando intensamente para que a população possa ficar em casa.
*Eduardo Mazurkyewistz é empresário do setor de embalagem de papelão ondulado