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Zona Franca de Manaus 2050: empresários do Amazonas e de todo país debatem estratégias sustentáveis para a Amazônia

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09/06/2026

BRASÍLIA - O desafio de transformar a Zona Franca de Manaus (ZFM) em um modelo capaz de impulsionar a bioeconomia, reduzir desigualdades regionais e promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia esteve no centro dos debates realizados nesta terça-feira (09/6), durante a Conferência ZFM 2050 – Agenda Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.

O debate foi promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Entre os pontos destacados estão investimentos em infraestrutura, inovação, qualificação profissional e governança para garantir a expansão econômica da região nas próximas décadas.

Durante o painel de discussão do documento “Zona Franca de Manaus 2050”, o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica, do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou que o Brasil enfrenta desafios estruturais que exigem atenção especial à Amazônia.

Segundo ele, o país perdeu capacidade de crescimento nas últimas décadas e continua convivendo com profundas desigualdades regionais.

“Como economistas, falhamos ao defender que haveria uma convergência natural de renda entre as regiões. Infelizmente, o gap de desigualdade persiste”, afirmou. Holland destacou que a pobreza permanece mais elevada nas regiões Norte e Nordeste e alertou para os desafios econômicos do país.

“Atualmente, temos uma população que envelhece aceleradamente e que ainda é muito pobre. Corremos o risco de nos tornarmos um país envelhecido antes de resolvermos nossos problemas de renda”, disse.

O economista também ressaltou a importância do Polo Industrial de Manaus (PIM) para a economia regional. “O Polo é fundamental: hoje, ele emprega diretamente mais de 130 mil trabalhadores e impacta cerca de 500 mil empregos em toda a cadeia produtiva”, frisou.

Para Holland, a próxima etapa do desenvolvimento amazônico passa pela diversificação produtiva e pela criação de condições para que a bioeconomia avance além do discurso. “Não existe bioeconomia sem infraestrutura, logística e segurança energética no interior da floresta. O documento propõe uma nova governança, conectividade digital e investimentos estruturantes para transformar o potencial da biodiversidade em realidade econômica”, destacou.

Desafios permanentes

A empresária, diretora da GBR Componentes, ex-superintendente da Suframa e ex-deputada federal, Rebecca Garcia, afirmou que ainda existe uma interpretação equivocada sobre a Zona Franca e defendeu que a Amazônia seja analisada a partir de suas particularidades.

“O maior equívoco é você querer comparar a Amazônia com o resto do país. A Amazônia não pode ser comparada com uma região que tem rodovias, que tem ferrovias, que está perto do mercado consumidor e que tem infraestrutura pronta. Nós vivemos numa região que tem desafios permanentes”, declarou.

Rebecca também destacou que a Zona Franca representa um instrumento fundamental para a geração de empregos formais e para a ocupação econômica da região. “Não existe nenhuma alternativa até hoje apresentada que ocupe economicamente a Amazônia. O que a Zona Franca leva para a Amazônia Ocidental é economia formal”, afirmou.

Segundo ela, o modelo também garante recursos para pesquisa, desenvolvimento e educação, criando as bases para a expansão da bioeconomia. A empresária defendeu ainda investimentos em inovação e no fortalecimento das patentes ligadas à biodiversidade amazônica.

Ao citar o potencial econômico dos recursos naturais da região, Rebecca mencionou o caso do Ozempic, medicamento frequentemente apontado como um dos responsáveis pelo impacto econômico positivo na Dinamarca.

“Quantos produtos não estão dentro da Amazônia, já que nós temos o maior celeiro de biodiversidade do planeta que nós não conhecemos?”, questionou.

Ao defender a implementação das propostas contidas na Agenda ZFM 2050, Rebecca argumentou que a bioeconomia deve atuar como complemento ao Polo Industrial de Manaus, ampliando as oportunidades de desenvolvimento para o interior da Amazônia e agregando valor aos recursos da biodiversidade regional.

Propostas prioritárias

As principais medidas voltadas para a promoção do desenvolvimento da Zona Franca de Manaus, apresentadas na Conferência de Brasílias são:

- Nova governança do programa Zona Franca de Manaus – criação do comitê gestor de recursos (CG-ZFM);

- Investimentos em PD&I (pesquisa, desenvolvimento e inovação);

- Investimentos em projetos de infraestrutura – pavimentação da BR-319, linhão Manaus/AM-Boa Vista, Hidrovias do Madeira e Amazonas;

- Investimentos em infraestrutura de TI/TIC (tecnologia da informação e comunicação);

- Investimentos em Educação e Capacitação Profissional;

- Programa de Crédito aos microempreendedores amazônicos;

- Reintegra-Amazônia;

- Regulamentação do Fundo de Sustentabilidade e Diversificação Econômica do Estado do Amazonas;

Resultados esperados

Com a implementação da Agenda Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, a FIEAM e o CIEAM e toda a indústria do Amazonas esperam contribuir para a promoção de um novo ciclo de desenvolvimento na região amazônica brasileira. Com isso, esperam:

Mais proteção da floresta amazônica, emprego e renda para os trabalhadores, qualidade de vida, como melhoria nos IDHs dos municípios, segurança jurídica e diversificação produtiva.

Ao final do período projetado, haverá prestação de contas com relatórios e estudos de efetividade de cada programa, referenciados em instituições e profissionais independentes altamente qualificados.

Candidatos vão receber a Agenda 2050

O diagnóstico com as iniciativas voltadas à promoção do desenvolvimento socioeconômico sustentável da Amazônia, a partir do fortalecimento da Zona Franca de Manaus, será entregue aos candidatos à Presidência da República, com o objetivo de contribuir para a formulação de propostas voltadas ao futuro da região.

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