12/11/2013 17:58
Sob os escombros
O discurso acadêmico passou a recompor suas bases mais intensamente a partir do final da II Guerra Mundial, quando, em nome do desafio da reconstrução dos escombros urbanos e humanos, identificação de novos espaços geopolíticos, e apropriação dos meios de geração e consolidação da riqueza focaram no Novo Mundo em geral e na Amazônia em particular. Miravam as riquezas na mobilização de criar o Instituto da Hileia Amazônica. Foi nesse movimento que o INPA foi criado, em 1952, como resposta do governo brasileiro, sob a presidência de Getúlio, às intenções expressas de alguns organismos exteriores em internacionalizar a região. Era um dos institutos, entre outros, do recém criado Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, que deveria promover essa relação fecunda entre pesquisa e prosperidade. Naquele momento, a Associação Comercial do Amazonas representava a entidade robusta da economia, promovendo o desenvolvimento regional nos diversos setores da produção, na interatividade possível com o estudo científico do meio físico e das condições de vida da região amazônica, que a academia deveria produzir, tendo em vista o bem-estar humano e os reclamos da cultura, da economia e da autonomia nacional sobre a floresta. Foi nesse espírito, ainda, que a movimentação para resgatar a Universidade foi tomando corpo.
Na cola da ZFM
Após a retomada do Estado de Direito, nos anos 80, algumas ações efetivas e muitos arroubos políticos associados à expectativa do tecido social pelo adensamento da presença acadêmica - no debate de uma economia que deixara o surto comercial de importados para a montagem de produtos para substituir a importação – surgiu a UTAM, Instituto de Tecnologia da Amazônia, que tentou mas não logrou ser universidade com enfoque tecnológico para apropriar a caixa preta e lhe conferir o tempero tropical. E a pirotecnia do ISEA, Instituto Superior de Estudos Amazônicos, que não prosperou, além da promessa da Unitrop, Universidade do Trópico Úmido, que foi deixada nas mãos de ninguém. Buscavam preencher no Estado o vazio deixado pelo governo federal nas instituições aqui mantidas. Surgiu, na sequencia, a FGV/ISAE, Fundação Getúlio Vargas e Instituto Superior de Administração e Economia, uma parceria que deu muito certo na qualificar pessoas e sistematizar conhecimentos de uma economia que se estribava e tomava dimensões crescentes a partir do polo industrial de Manaus.
Enfim (?), a UEA
Na virada do século XXI, surge a Universidade do Estado do Amazonas, com a promessa original de responder aos desafios de qualificação de um estado cuja base material que já estava sendo cobrada por seus diversos atores e, também, por seus opositores, para adensar, diversificar e interiorizar o setor produtivo e os benefícios daí decorrentes. Infelizmente, as premissas de sua concepção e definição e as promessas feitas aos patrocinadores – as empresas da Zona Franca de Manaus – de um conteúdo da grade curricular, e das diversas atividades demandadas pelo conjunto da sociedade e das bases econômicas e socioambientais, coerentes com a indústria e com seu patrimônio natural, foram deixadas de lado, para atender opções e decisões equivocadas. Voltaremos ao assunto.
A greve da Suframa
À exceção de uma paralisação em 2010, no Acre, por conta de erros de digitação da Folha de Pagamentos, esta é a primeira vez que servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus, num total de 400, reunidos em assembleia promoverão uma paralisação de alerta, que ocorrerá nos dias 21 e 22 de novembro, na semana que antecede a Feira Internacional da Amazônia na autarquia. Eles estimam provocar um prejuízo diário de R$ 200 milhões na economia e estão dispostos a esticar a reivindicação por tempo indeterminado. Com uma defasagem salarial significativa e um crescente distanciamento do governo federal da categoria, da autarquia e das demandas do modelo ZFM, a greve põe em pauta um processo de esvaziamento que esta Coluna está apontando desde março último. Eles têm poder de fogo, e estão no limite da intolerância, à luz do acúmulo de descaso, de intervenção arbitrária da União, e de uma pressão política perversa, que parece travar os bons propósitos de uma gestão açoitada por mandonismo, destrato, ambiguidade de condutas, omissões inaceitáveis, sem falar no abismo entre promessa e efetivas atitudes.
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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do Centro da Indústria do Estado do Amazonas. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br
Publicado no Jornal do Commercio do dia 13.11.2013