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Diretrizes para a Amazônia

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04/12/2013 10:50

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos - CGEE, uma organização não-governamental formada pelos melhores pensadores em desenvolvimento, sustentabilidade, inovação e planejamento do país, elaborou um texto - Diretrizes Estratégicas para o Fundo Setorial Amazônia, CT-Amazônia, que foi endossado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Trata-se de um texto de análises, discussão e recomendações - denso de conteúdo e oportuno para o debate sobre o futuro da economia regional amazônica – que foi apreciado e deliberado nesta segunda-feira na última Reunião do CAPDA, o Conselho gestor dos recursos de Pesquisa e Desenvolvimento para a Amazônia, como diretrizes de Ciência, Tecnologia e Inovação para a região. A própria deliberação traz consigo reflexões em torno dos novos rumos geopolíticos, e é carregada de um sentido alentador. Algo que traduz, aos poucos, uma inquietação e que sensibiliza atores federais que definem alternativas de investimentos para este pedaço desconhecido do país. Há um destaque emblemático no documento que descreve "um falso dilema" a ser entendido no âmbito da discussão do modelo ZFM: "No caso da Amazônia, um projeto de desenvolvimento sustentável exige a superação do falso dilema desenvolvimento X conservação. Ao lado das áreas protegidas, é urgente conceber e implementar um novo modelo de desenvolvimento capaz de utilizar – sem destruição – o seu capital natural para gerar e distribuir riqueza para as populações regionais, a região e o País."
 
Adensamento e interiorização

Como promover essa discussão e sua integração com o Polo Industrial de Manaus? Antes de mais nada, é preciso deixar registrado que este debate só é possível e exequível do ponto de vista da viabilidade de suas premissas a partir da existência, da consolidação e diversificação do modelo ZFM. É uma economia que se avalia a si mesma e percebe em sua dinâmica o imperativo de sua interiorização como mecanismo de revitalização e adensamento. O documento da CGEE tem por base uma iniciativa que considera as recomendações do Livro Azul, o vade-mécum de C&T&I para a região, da qual fez parte o próprio INPA e as orientações sábias da saudosa professora Bertha Becker, que reclama a inadiável necessidade de implantar estabelecimentos de produção ao longo dos entroncamentos estratégicos e logísticos para atenuar as condições de abandono das populações ribeirinhas. Essa premissa é paradigma para transformação de inventários de pesquisa em planos de negócios coerentes com as vocações específicas de cada calha de rio ou biomas florestais.

A base energética

É impensável, por exemplo, planejar produção sem energia. O INPA conhece, desde a crise do petróleo dos anos 70, o teor energético de 18 oleaginosas que podem fazer funcionar motor de ciclo Diesel sem mistérios, incluindo o motor de rabeta, uma invenção amazonense que ajudou o caboco a viajar mais depressa. Combustível na Amazônia vale ouro. Para entregar um litro de óleo em Pernambuco, uma comunidade do Alto Juruá, 800 km de Manaus, a distribuidora gasta 4 litros no transporte. Produzir supõe promover a produção de fonte alternativa de energia com a produção de energia solar e/ou biocombustível, para viabilizar agroindústria de guaraná, fitoterápicos, cosméticos, consorciando extrativismo sustentável com cultivo de várzea de ciclo rápido. Existem recursos para isso. Basta um entendimento proativo e efetivo entre os programas traçados pela CGEE e o BNDES, gestor dos recursos de pesquisa e fomento do Fundo Amazônia. O BNDES tem uma multidão de técnicos para dizer que não consegue aplicar na floresta um recurso que veio de doação, a maior parte externa, do governo da Noruega.
 
Cadeias da bioindústria

Os demais fundos de P&D e das diversas agências precisam integrar um plano articulado, principalmente com as cooperativas agrícolas que já trabalham com cadeias produtivas. Em 2012, a AFEAM, agência estadual de fomente, usando fundos próprios e aqueles recolhidos junto às empresas do Polo Industrial de Manaus, possibilitou que dezenas de empreendedores no beiradão amazônico avançassem cadeias produtivas de guaraná, castanha, açaí, banana, mandioca, malva e juta, entre outras oportunidades que podem virar bionegócios de monta. É a cadeia produtiva atrelada à cadeia do conhecimento, que a pesquisa e a inovação podem oferecer. Este ano, ao promover a aproximação da Universidade do Estado do Amazonas com o chão de fábrica, com os atores da economia regional, CIEAM/FIEAM começam a estreitar ações, partilhar energia e experiência para desenhar novas matrizes de negócios, na expectativa de interiorizar oportunidades, equilibrar a distribuição da riqueza e integrar o esforço de um desenvolvimento humano mais adequado. Faz sentido avaliar a economia da várzea, a produção de fibras vegetais, por exemplo, em padrões ousados como aqueles que consolidaram a civilização das margens férteis do rio Nilo. Por que não olhar sob essa perspectiva as pesquisas e retomar os resultados de tantas décadas de investigação feitas pelo INPA nas fecundas várzeas amazônicas?
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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do Centro da Indústria do Estado do Amazonas. Editor responsável: Alfredo MR Lopes, nesta edição contou com a participação do consultor do Cieam Saleh Hamdeh.  cieam@cieam.com.br

Publicado do Jornal do Commercio do dia 04.12.2013

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