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06/05/2026

Incertezas Globais e Pressão Fiscal Desafiam a Indústria Brasileira em 2026

Com cenário externo sob a "sombra da guerra", especialistas apontam necessidade de ajuste fiscal para garantir estabilidade regional.

O cenário econômico brasileiro para o biênio 2026/2027 foi pauta da reunião sobre conjuntura econômica, realizada na última terça-feira (05/04) pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), que analisou o cenário nacional e regional. O encontro mensal conta com a participação do professor e economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcio Holland, e do professor da UFAM e coordenador da área de indicadores do CIEAM, Andre Costa, e foi mediada pelo presidente executivo da entidade, Lúcio Flávio Morais de Oliveira.

Entre o peso da política monetária restritiva e os estímulos governamentais de curto prazo, a economia nacional navega em águas turbulentas. No Amazonas, o reflexo é sentido diretamente na confiança do setor produtivo, que registra forte retração, enquanto o mercado aguarda os dados consolidados do primeiro trimestre.

A análise do cenário nacional, baseada nos indicadores de abril de 2026, aponta que a desaceleração econômica global, potencializada por tensões geopolíticas, forçou uma mudança na rota monetária do país. O "choque de oferta" tornou-se o principal vilão, mantendo a inflação em níveis que impedem um afrouxamento imediato dos juros.

Para Holland, o momento é de vigilância sobre os fundamentos fiscais:

"A desancoragem inflacionária que observamos atualmente não permite um afrouxamento monetário prolongado sem riscos severos. Os ajustes na taxa Selic devem ser cautelosos e totalmente dependentes da evolução dos dados. Temos um 'encontro marcado' com um forte ajuste fiscal em 2027; a credibilidade que construirmos ao longo deste ano será o único lastro para atravessarmos esse período de consolidação necessária."

No âmbito regional, o foco recai sobre o Polo Industrial de Manaus (PIM). Embora as expansões fiscais de 2026 tentem sustentar o fôlego de crescimento em torno de 2,0%, a realidade local em fevereiro mostrou desempenhos mistos. O professor Andre Costa apresentou um estudo detalhado sobre o comportamento dos principais segmentos do PIM, revelando que o mês de fevereiro foi marcado por resultados heterogêneos entre as verticais de produção.

De acordo com o estudo, o setor de televisores está em um período muito bom devido ao ano de Copa do Mundo, o que impulsiona o mercado. O setor de duas rodas mantém o bom desempenho há três anos consecutivos. Já o setor de telefonia celular demonstrou uma recuperação em relação a janeiro deste ano.

Ainda de acordo com o estudo, o setor de condicionadores de ar e de placas de circuito impresso demandam uma preocupação maior.

“Diante desses indicadores, os dados apontam que os desempenhos mistos de fevereiro tornam crucial aguardar o fechamento consolidado do primeiro trimestre para uma leitura mais precisa das tendências do ano”, ressaltou o professor.

O CIEAM reforça a importância de análises qualitativas profundas para guiar os investimentos no estado e garantir que o modelo Zona Franca de Manaus mantenha sua competitividade diante das pressões nacionais, baseando-se em dados que reflitam o efetivo desempenho do chão de fábrica.

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