07/07/2026
Encontro conduzido pelo presidente executivo da entidade contou com análises do economista Marcio Holland (FGV) e do professor André Costa (UFAM), traçando paralelos entre os desafios nacionais e a performance do Polo Industrial de Manaus.
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) realizou a sua 19ª reunião sobre análise da conjuntura econômica Brasil - Amazonas. O encontro, aberto e conduzido pelo presidente executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, reuniu especialistas para debater os principais indicadores econômicos que impactam o país e a Região Norte, em um momento de transição e incertezas nos cenários nacional e internacional.
A reunião contou com as contribuições técnicas do economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcio Holland, responsável por desenhar o panorama macroeconômico nacional; e do responsável pela área de indicadores da entidade e professor da Universidade Federal do Estado do Amazonas (UFAM), André Costa, que detalhou a performance regional, com foco no Polo Industrial de Manaus (PIM).
Cenário Nacional: Entre Estímulos, Inflação e Risco Fiscal
A análise de Marcio Holland trouxe luz aos complexos desafios enfrentados pela economia brasileira. Em sua apresentação, o economista da FGV delineou um cenário de "ritmo de acomodação", mas que, ainda assim, "cresce mais do que o esperado".
Entre os pontos de atenção nacional, Holland destacou a "inflação desancorada" e as expectativas sobre os impactos do fenômeno climático El Niño na economia. O "risco fiscal" também foi um tema central, com o alerta de que a relação Dívida/PIB "segue crescendo e preocupa cada vez mais".
O economista projetou uma desaceleração do PIB brasileiro de 3,4% em 2024 para 2,3% em 2025. Para o período de 2026-2029, as projeções se mantêm em torno de 2,0%, mas com viés de indefinição para 2027, destacando a necessidade de acompanhar os impactos da reforma do Imposto de Renda (IR) e de programas sociais, além das medidas a serem adotadas pelo governo.
Cenário Regional: Recuperação em Dólar e Alerta no Setor Mecânico
Em contrapartida, a análise do professor André Costa (UFAM) focou na realidade do PIM e seus setores, revelando um faturamento de mais de R$ 70 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, o que representa um crescimento de 4,5% em comparação ao mesmo período de 2025.
Quando analisado em dólares, o crescimento é ainda mais expressivo. Esse ganho relevante em dólares demonstra a capacidade de recuperação e resiliência das indústrias locais frente às flutuações cambiais.
Apesar da performance positiva acumulada, o mês de abril de 2026 registrou um crescimento de 9,7% em relação a abril de 2025, mas com uma queda em comparação a março de 2026, indicando oscilações mensais que exigem monitoramento constante.
Os destaques setoriais positivos ficaram por conta das indústrias de Eletrônicos, Informática, Químico e Termoplástico, que impulsionaram o faturamento do PIM. Já o setor Mecânico foi apontado como o destaque negativo do período.
As conclusões do professor André reforçam que, apesar do ganho em dólares, as indústrias do PIM enfrentam o desafio de superar a inflação em reais. Os dados setoriais ligam um sinal de alerta para o setor Mecânico, especificamente para o segmento de Ar Condicionado (A/C). Entretanto, de forma geral, a análise aponta para uma retomada da confiança na economia local.
O presidente executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, reiterou o compromisso da entidade em promover esses espaços de debate e troca de conhecimento.
"A análise de conjuntura é fundamental para que possamos compreender os rumos da nossa economia e tomar decisões estratégicas para o desenvolvimento da indústria no Amazonas e no Brasil. É com diálogo, conhecimento e união que construiremos um futuro mais próspero e sustentável para o nosso setor", afirmou Lúcio Flávio.
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