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ZFM, mãos à obra​

Nelson Azevedo
Vice-presidente da FIEAM

e-mail: nelson.azevedo @fieam.org.br

O convite do governador Wilson Lima endereçado às entidades do setor produtivo merece aplausos e reflexão. Aplausos pela importância da iniciativa que busca somar sugestões e partilha de propostas para este momento delicado de definições. A reflexão fica por conta da importância de trabalharmos em parceria transparente e colaborativa. Essas duas premissas implicam na certeza de iminentes acertos. O gestor público sabe as dificuldades da gestão em tempo de crise, e o setor produtivo tem aprendido a fazer mais com menos recursos nesta crise prolongada e indefinida.

Temos uma agenda alentada para cumprir. E temos também a promessa de que esta reunião seja permanente e bimestral. Em tempo de crise, as soluções fluem ao sabor das necessidades prementes e nós não podemos ficar esperando as iniciativas federais para nos adequarmos aos ditames da União, e ao emaranhado de problemas que a economia tem acumulado.

Merece destaque a questão da infraestrutura. Precisamos promover um mutirão de parcerias entre o setor privado e a academia no sentido de encontrar soluções inovadoras que tornem competitiva a produção e a distribuição dos produtos fabricados em Manaus.

Precisamos reduzir custos de infraestrutura, ajustar alternativas energéticas, reduzir carga tributária da comunicação e estabelecer taxas de transporte mais razoáveis na planilha de custos. Não podemos esquecer que a cabotagem historicamente é a nossa modalidade mais inteligente de logística de transporte. Foi assim desde a economia da borracha. Soluções nós temos e certamente vamos aplicá-las na medida em que a parceria de entidades e governo amplie seus resultados e acertos. Temos uma demanda reprimida para modernizar nossas hidrovias. Sabemos da urgência que o balizamento esquecido das hidrovias representa. Da mesma forma, sabemos da urgência que a dragagem do leito dos rios significa. Infelizmente nunca mais ouvimos falar do Plano Nacional de Transporte e Logística.

Somente aqueles que aqui vivem sabem dizer onde o sapato aperta. Nosso representante em Brasília, o engenheiro Saleh Hamdeh compartilhou relato que ilustra o descompasso e o descaso habitual da burocracia de Brasília. Ele participou nesta semana dos debates sobre o Plano Dubai para a Amazônia, uma ficção de conteúdo e uma irresponsabilidade na forma de divulgação. O debate se deu em audiência pública, realizada na quarta-feira (3)na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS), na Câmara dos Deputados. Ali foi explicitado que o tido Plano Dubai para a Amazônia não passava de ficção e de um apanhado de idéias, cujo eixos estamos cansados de
debater, e sempre esbarramos em gargalos burocráticos, marcos legais restritivos, e falta de recursos para investimentos. Com isso, o que sobrou foi uma mensagem distorcida para o mercado, que certamente gerou enorme insegurança aos investimentos e empregos da ZFM. Algo lamentável.

Entra governo e sai governo e não se sabe o que fazer com a Amazônia.O mundo sabe o que fazer, adoraria ter a oportunidade de fazê-lo com efetividade e competência. E nós continuamos a depender de Brasília para definir nossos rumos. Eis porque o convite do governo do Estado para um trabalho em parceria sinaliza inteligência e criação de oportunidades de que tanto precisamos. Mãos à obra!

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