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Um ministro que 'brinca' com assunto sério

Editorial publicado pelo Jornal Acrítica

Mais uma vez o ministro da Economia, Paulo Guedes, destrata a Zona Franca de Manaus (ZFM) e o faz em plateia de encontro nacional que pode, a partir da série de posicionamentos do governo federal via o principal representante da política econômica, ser a interlocutora na campanha de combate dessa agência de desenvolvimento. As controvérsias governamentais quanto à Zona Franca não contribuem em nada para resolver questões de fundo da ZFM e por consequência do Estado do Amazonas no que diz respeito a um plano de desenvolvimento adequado para as suas características.

Ao falar em um encontro na Bahia, o ministro Paulo Guedes se referiu ao sistema tributário brasileiro como cheio de maluquices e a ZFM, embora não a tenha citado, é vista por ele como uma dessas maluquices. A forma primária de tratamento de temas sérios que dizem respeito à vida dos brasileiros de outras regiões vem se tornando recorrente e nela estão implícitas indicações de como serão tratados esses assuntos, qual é a lógica que tende a prevalecer.

A ideia de tratar desiguais da mesma maneira percorre a maioria dos modelos de planos de desenvolvimento do Brasil. Pequenas mudanças de percursos foram feitas, mas estas não chegaram a se consolidar até por produzirem reações fortes de regiões que tradicionalmente comando a tomada de decisão sobre investimentos, lugares e como serão feitos. Há reforço, nesse momento, a essa postura na medida em que posicionamentos governamentais apontam para o estabelecimento de política de governo que prestigie os espaços já prestigiados e submeta demais as sobras apresentadas como grande gesto para com regiões menos desenvolvidas.

Os parlamentares que compõem a bancada do Amazonas no Congresso Nacional têm responsabilidade constitucional na defesa dos interesses da Amazônia e, notadamente, do Amazonas. Precisam repudiar as recorrentes declarações de desrespeito do ministro da economia em relação à ZFM, feitas direta ou indiretamente, e, precisam agir sistematicamente no sentido de posicionar os interesses socioeconômicos que esse modelo de desenvolvimento sustenta no Estado. A ZFM tem problemas, sim, tem, precisam ser tratados, analisados, sim precisam, mas com responsabilidade e maturidade administrativa e não transformando essa agência em chacota governamental. Os efeitos da tomada de decisão sobre o Polo Industrial de Manaus repercutem diretamente na vida de mais de aproximadamente 4 milhões de pessoas.

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