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Setor produtivo quer convencer Amazonino a não extinguir a Seplan

Reportagem publicada no Amazonas Atual

Membros do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas) e da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), se reuniram na tarde desta segunda-feira, 9, com outras entidades de classe do comércio, da indústria e da sociedade civil, para traçar uma estratégia de mobilização contra a proposta de extinção da Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico).

O conselho e os empresários querem levar ao governador Amazonino Mendes estratégias de desenvolvimento a fim de que a possível extinção da Seplan não aconteça. O governo quer transformar a secretaria eni um órgão da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda). Na última sexta-feira, 6, foi realizada a primeira reunião para discutir esse assunto, na sede do Corecon.

Na avaliação das entidades, essa mudança pode ameaçar o futuro do desenvolvimento econômico do Estado e as ações de planejamento do Polo Industrial de Manaus, além de acarretar prejuízos aos profissionais tanto da economia, quanto da administração e da contabilidade, já que essas très áreas caminham juntas na área do planejamento estratégico.

A Seplan tem como missão desenvolver o sistema estadual de planejamento e coordenar as políticas 1 públicas de desenvolvimento socioeconômico do Amazonas. Hoje, dentre as suas atribuições, tem o papel de elaborar, acompanhar e avaliar o Plano Plurianual, que é o planejamento econômico do Estado por quatro anos; formular e executar estratégia de crescimento econômico, contemplando a inovação tecnológica e a busca do pleno emprego; como ainda apoiar a implantação de empresas geradoras de emprego e renda e realizar estudos e pesquisas de acompanhamento da conjuntura socioeconômica para subsidiar a formulação de políticas públicas.

Para o presidente do Corecon e vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, extinguir essa importante e estratégica secretaria é retroceder nas ações de planejamento e de desenvolvimento do Estado. "Entregar unia estrutura de planejamento ao órgão arrecadador é temeroso, porque pode se focar apenas na arrecadação, não funcionando nem unia coisa nem outra. Planejar é totalmente diferente de arrecadar. Por isso, queremos traçar nessa reunião um planejamento conjunto para apresentarmos o mais rápido ao governador Amazonino Mendes", explicou.

O presidente da Fecomercio (Federação do Comércio), Roberto Tadros, sugeriu que, eni comissão, as entidades possam externar ao governador que é incompatível unir Seplan com Sefaz. "Sefaz é tributarista. A função é outra", afirmou.

De acordo com o presidente da Associação dos Consultores, José Laredo, o novo governo deve conhecer a fotografia do modelo de desenvolvimento do Amazonas, que está na base do contrato de risco, seja com máquinas, equipamentos e tecnologia, com a promessa do Estado de uso fruto futuro dos incentivos fiscais. "Qual a fotografia realista do nosso modelo? Será que o governador tem essa percepção concreta? O nosso modelo de desenvolvimento está decaindo, com os investimentos fixos eni produtos de implantação e de diversificação. Precisamos vender esse modelo, com ações sistemáticas de venda. Isso precisa ser dito", disse Laredo.

"Temos que destacar o papel da Seplan como captadora de empreendimentos para a região", disse o representante da Associação Comercial do Amazonas, Pedro Mendonça, explicando o referencial da secretaria quando um novo empreendedor deseja instalar-se no Amazonas.

Antônio Medeiros, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina, completou que é muito importante a união de todos os órgãos e entidades na busca de unia solução para esse impasse, principalmente, nesse período de crise econômica. "Estamos à disposição para ajudar na construção dessas estratégias".

Na primeira reunião feita no Corecon, o professor da Universidade Federal do Amazonas e consultor, economista Rodemarck Castelo Branco, reforçou que a Seplan não deve ser extinta, unia vez que as atividades de planejamento devem buscar analisar a questão da Zona Franca de Manaus, que passa hoje por uni momento de crise, que é não apenas de conjuntura, mas estrutural. "A convergência tecnológica irá fazer no médio prazo alguns produtos fabricados na Zona Franca de Manaus desaparecerem. Diante disso, temos que traçar cenários para os próximos anos e de que forma atingir esses objetivos, com novas alternativas para o polo industrial, adequadas à nova revolução industrial".

Também participaram dessa reunião consultores projetistas, representantes do Conselho Regional de Administração, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Comitê Cidadão e Associação Comercial do Amazonas

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