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Retração permanece no segundo semestre

Reportagem publicada no Jornal do Commercio

A retração no consumo continua afetando a atividade industrial no PIM (Polo Industrial de Manaus). A quatro meses para o final do ano, as fabricantes permanecem com menor demanda produtiva em volumes quase igualados aos registrados nos primeiros meses de 2017, sem qualquer previsão de impulso na produção. O escoamento de produtos estocados ao comércio, assim como o manuseio, nas linhas de produção, de itens armazenados ainda acontecem. Em cadeia, as fabricantes de componentes também sentem o desaquecimento nas atividades.

De acordo com o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, as empresas sentem uma leve melhora nas comercializações devido ao início do processo de retomada no cenário econômico nacional. Porém, ele enfatiza que o sinal de recuperação não representa retomada na atividade produtiva porque a demanda existente é atendida pelos produtos mantidos em estoques nas fabricantes de bem final. Os produtos acabados, também segregados, estão sendo escoados ao comércio.

"Há um escoamento dos produtos acabados e os pedidos começam a ser registrados pelas montadoras. Mas, esse movimento ainda não chegou aos fornecedores porque as fabricantes de bem final ainda estão trabalhando com o que está segregado", disse. "Entendemos que é um processo de recuperação lenta e que depende da resolução da situação política nacional. Os consumidores se sentem inseguros de investir. Da mesma forma, a situação gera insegurança ao ambiente de negócios", completou.

Segundo o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, o início do segundo semestre não veio acompanhado por crescimento na demanda produtiva. Ele analisa que para ter aumento produtivo é necessário haver aumento no consumo, o que conforme o empresário, só deverá acontecer quando houver equilíbrio ou aumento no volume de empregos.

Périco ainda explicou que todas as empresas trabalham com um planejamento baseado em um volume de produção para atender às vendas. Quando o fluxo não é concluído, o resultado é itens estocados.
"O que pode estar acontecendo é de as indústrias precisarem 'desovar' o que está estocado antes de iniciar nova produção. Porém, ninguém gosta de fazer estoque e as empresas trabalham cada vez mais dentro do limite com menor custo possível", frisou.

O gerente comercial da fabricante de componentes GK&B, Júlio Sato, comenta que para o início de um segundo semestre a demanda está muito abaixo do esperado, com exceção do setor de refrigeração, que segundo ele, mantém os pedidos para atender ao período sazonal. Ele informa que os melhores resultados contabilizados neste ano pela empresa são decorrentes de fechamentos de contratos para atender às empresas nacionais nos Estados de São Paulo (SP), Paraná (PR) e Santa Catarina (SC), que produzem eletrodomésticos da linha branca e ar-condicionados.

"A demanda está muito baixa, não há muita diferença em relação ao que produzimos no primeiro semestre. Se houver algum crescimento não estará relacionado ao atendimento à Manaus, mas sim ao mercado interno. Vemos que as montadoras locais de bem final estão cautelosas devido à situação econômica nacional. Estamos trabalhando com apenas 48% da capacidade instalada e 80% da fábrica está operando em um turno e duas linhas de produção no segundo turno. No total, temos 20 linhas operando", relatou.

Conforme o presidente do Simplast (Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus), Celso Zilves, o setor ainda não registrou aumento na demanda. Ele acredita que as montadoras estejam trabalhando com o material estocado.

"Com base nos indicadores, o setor está mantendo as atividades do primeiro semestre mas sem nenhuma perspectiva de melhoria no segundo semestre. As montadoras devem estar trabalhando com o estoque e sem atividade industrial em nível que resulte aumento de consumo. A única exceção é o setor de embalagens, que cresce", afirmou.

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