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Recuperação gradativa é aposta para economia do AM em 2020

Fonte: Jornal Em Tempo

Em um ano marcado por recordes de alta do dólar, aprovação da reforma da previdência, início da discussão da reforma tributária, inflação e taxas de juros baixas, além do primeiro ano de um novo governo presidencial, a economia do Amazonas seguiu em marcha de recuperação lenta, mas progressiva. A expectativa é que esse cenário continue em 2020, de acordo com entidades e especialistas do setor.

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, mesmo com as oscilações internacionais que impactam os custos de produção da Zona Franca de Manaus (ZFM), a indústria amazonense responde bem e apresenta resultados positivos. “Não podemos dizer que houve crescimento porque a capacidade ociosa [o quanto uma empresa pode produzir para atingir sua capacidade de produção] das empresas da ZFM e do Brasil afora ainda é muito grande, mas, no geral, esse ano foi melhor do que o anterior”, afirma Azevedo.

A projeção do representante da Fieam é que, em 2020, o cenário para negócios seja ainda melhor. “Essa é a expectativa do empresariado do Amazonas. Estão sendo tomadas medidas que trazem segurança para o investidor. A Suframa e o Estado têm realizado suas reuniões e cada pauta é cheia de projetos de implantação, diversificação, com geração de empregos”, diz o vice-presidente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial do Amazonas apresentou saldo positivo de 1% no acumulado anual, superando 2018.

O otimismo é compartilhado pelo titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Jório Veiga. “Temos uma boa expectativa para o próximo ano com a recuperação de níveis de produção bastante interessantes e com a atração de novos negócios para o Amazonas em função da melhora da economia como um todo”, avalia.

Empregos

Em relação à geração de empregos no Estado, Veiga não acredita que em 2020 haverá um crescimento significativo na oferta de postos de trabalho na indústria. “Em função de toda automação que existe e a tecnologia que está vindo por aí, não será como já foi em outras épocas. Entretanto, alguns empreendimentos agroindustriais podem sim trazer um bom nível de emprego, em especial pelo esforço que o governo está fazendo na interiorização da economia. Acreditamos que nesse campo pode haver melhora, bem como na área de serviços”, declara o secretário.

Veiga atribui o otimismo para a economia amazonense em 2020 à melhora da condição geral do país, assim como a confiança do empresariado e controle das contas públicas.

Comércio

Já para o presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-AM), Aderson Frota, os bons índices do setor terciário devem se prolongar até 2020, em uma ‘onda positiva’ impulsionada pela confiança cada vez maior do comércio. “Os números do comércio têm se alterado de forma muito positiva, com melhora substancial do nível de confiança do consumidor e do investidor. A economia está começando a crescer, de forma acanhada, mas consistente”, afirma Aderson, que aponta um crescimento de 4% a 6% no comércio do Amazonas em 2019 quando comparado a 2018.

Entre os fatores que justificam o otimismo para o comércio em 2020, está o bom número de trabalhadores temporários que serão contratados após o final do período de festas, assim como as ações do Banco Central para facilitar a negociação de dívidas e deixar mais consumidores com crédito positivo no mercado. “Esses fatores devem contribuir para a confiança do público e estender o efeito positivo até o ano que vem”, aposta Aderson.

Necessidade de interiorização

Na avaliação do economista Wallace Meireles, a economia deve crescer em torno de 1% a 1,5% a nível nacional e um pouco mais no Amazonas, puxada pelo efeito multiplicador da ZFM. “Temos dois terços do PIB diretamente atrelado à ZFM, cujos efeitos até aqui tem se mostrado bastante promissores e imediatos, principalmente em Manaus. Você percebe quando a economia amazonense reage”, analisa o especialista.

No entanto, é necessário continuar na busca de alternativas para substituir a dependência extrema do Estado do modelo Zona Franca, diz Wallace, principalmente no interior do Amazonas que se apoia sobretudo no repasse de recursos de ordem governamental.

“É preciso transferir o conhecimento, o know-how para o interior em termos de gestão, tecnologia e processo produtivo para haver uma evolução na atividade produtiva desses municípios. É uma questão que transcende o debate do curto prazo. É um processo que aguardamos do governo que pelo menos colaborem com os investimentos em políticas para reduzir esse gap que é o problema logístico e de infraestrutura do interior do Estado”, declara o economista.

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