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Recuperação em nível recorde

Reportagem publicada no Jornal do Commercio

O Amazonas teve a maior arrecadação do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o segundo melhor desempenho do principal tributo do Estado desde novembro 2014, período de realização da Copa do Mundo. Segundo o governador David Almeida, houve um crescimento de 30,63% no mês de agosto, em comparação ao ano passado. Os dados foram anunciados, nesta sexta-feira, durante a abertura da Semana da Pátria no Amazonas, no Complexo Turístico da Ponta Negra, zona Oeste de Manaus.

Segundo a Secretaria Estadual de Fazenda, a arrecadação de agosto foi cerca de R$ 170 milhões maior que a do ano passado, saindo de R$ 552,9 milhões para R$ 722,3 milhões. "Isso também fruto da organização do setor fiscal do Estado, que está mais eficiente, sem ter que aumentar imposto e sem terror fiscal", disse o governador.

"É dessa forma que temos administrado o Amazonas, buscando otimizar nossas receitas, fazendo os investimentos. No mês de maio, quando assumimos estava menos de 9% em relação ao mesmo período do ano passado. E já nos meses de junho a agosto obtivemos o crescimento. Isso é, sem dúvida alguma, fruto das ações que tomamos, e esse é o rumo que queremos dar para o Estado. Essa curva crescente vai continuar e esperamos ao final, da nossa curta administração, um Amazonas melhor do que recebemos", destacou o governador.

David Almeida também ressaltou que os resultados positivos na arrecadação foram frutos de mudanças na administração estadual. "No ano passado houve um incremento de muitas receitas no Amazonas, como depósitos judiciais, repatriações e empréstimos. Em nossa gestão não tivemos nenhuma dessas receitas, o que houve foi a mudança na forma de arrecadar e de movimentar os recursos, de equilibrar a economia, de fomentar os pequenos negócios, de colocar recursos na economia com o pagamento do 13º, dos fornecedores, das obras que estão acontecendo".
De acordo com Gonzaga Ló, secretário executivo da Sefaz, a expectativa das indústrias é de uma considerável melhora da economia do país, o que garante um reaquecimento da indústria.

Crescimento imperceptível aos setores
Segundo Ataliba Filho, presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), esse crescimento não chega a ser impactante para o comércio, pois não trouxe geração de empregos no Estado.

"Esses números dizem respeito ao aumento de consumo que se deu por conta do recebimento do FGTS inativo, de parte do 13º salário, das datas comemorativas, então tudo isso fez com que as pessoas comprassem mais, porém, muito do que vimos foi a maioria das pessoas quitando suas dívidas, então eu acredito que será difícil manter esse crescimento", comentou o presidente da ACA.

Para o economista e vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas), Nelson Azevedo, este momento exige cautela por parte dos empresários, pois, esse aumento na arrecadação não tem a ver com o aumento da produção, mas apenas da venda do que já estava produzido.

"Não deu para a indústria sentir esse aumento na arrecadação, nós apenas vendemos o material que estava estocado, não houve produção, nem tão pouco contratações vultuosas que fizessem o setor perceber esse crescimento", disse Azevedo.

A empresária Eunice Freire, 53, proprietária do Salão de Beleza Spaço Delas, na zona Centro-Oeste da capital, não viu 2017 como um bom ano para os negócios. Segundo ela, a procura pelos serviços caiu em 70% o que tem dificultado se manter de portas abertas.

"Nós tínhamos ano passado cerca de quinze colaboradores, atualmente temos apenas cinco profissionais, muitos optaram por fazer atendimento a domicílio por conta da falta de clientes, mas a gente entende que a crise financeira, foi um fator determinante para nossa queda, porque as pessoas precisam se segurar, daí na hora de escolher, elas preferem pagar as contas, comer, se locomover e os serviços de beleza não são prioritários, eu só não sei até quando vamos conseguir nos segurar", desabafou a empresária.

Segundo Ló, apesar dos setores não sentirem tanto esse aumento, o Governo tem uma estimativa mais otimista, justamente, por este, estar sendo um ano de crescimento e não de decréscimo.

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