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Qual é o papel do Economista na Amazônia?

Coluna BrasilAmazônia Agora

“É assim que devemos tratar o profissional da Economia, aquele que é capaz de decifrar, consolidar e defender performances de instituições e modelagens de desenvolvimento que criam emprego, geram crescimento econômico e tem por meta ajudar a construir na Amazônia uma civilização da prosperidade e da sustentabilidade, como tem sido a economia da Zona Franca de Manaus, há mais de meio século.” Alfredo MR Lopes

NELSON AZEVEDO (*) NELSON,AZEVEDO@FIEAM.ORG.BR •

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Vivemos na capital do Amazonas, no coração da floresta amazônica, o maior bioma tropical do planeta, com 1/5 da água doce da Terra, e 1/5 da biodiversidade florestal existente, bases essenciais de uma bioeconomia promissora. Aqui funciona uma economia baseada em contrapartida fiscal há 52 anos, a Zona Franca de Manaus, onde recolhemos R$14,5 bilhões para os cofres federais no último ano, mas não sabemos exatamente quantos empregos geramos na cidade, no Estado, na região e no Brasil. Tínhamos uma estimativa de 120 mil postos de trabalho no Polo industrial de Manaus antes da crise de 2014 e calculávamos 600 mil vagas indiretas de trabalho. Qual a metodologia desta estimativa num Estado em que a ZFM responde por 80% de toda a economia gerada no Amazonas?. Qual metodologia utilizada para essa especulação? Ao economista compete aferir/diversificar os formatos dessa contagem. Cabe a ele questionar a formatação de indicadores e propor alternativas. Ele é o profissional das métricas, dos percentuais de desempenho e das premissas necessárias para suas mudanças e, sobretudo, para o florescimento da economia em sua modelagem da sustentabilidade.

Conhecimento da realidade - Para formular, detalhar, criticar e interpretar indicadores, a propósito, exige-se do economista um alentado conhecimento da realidade, uma percepção holística do tecido social, e uma capacidade de, a partir desse entendimento, formular cenários, resolver problemas e indicar saídas. Nesse contexto, a Economia, longe de ser uma Ciência Exata, como a Matemática, é uma Ciência Social, ou seja, de compreensão da sociedade, de sua estrutura e funcionamento e, especialmente, de sua história. E História com caixa alta. Ninguém consegue planejar indicadores sem conseguir mergulhar no memorial econômico. É vital entender como se deu a formação da riqueza, da importância do poder público e dos estragos de sua intromissão autoritária na realidade econômica da Amazônia, o sonho de consumo das grandes civilizações.

Familiaridade com a História - Cabe ao economista que atua na Amazônia conhecer os antecedentes econômicos do Ciclo da Borracha, as relações comerciais e a formação da Economia a partir da abertura da navegação no território amazônico para a comunidade internacional, no século XIX. Só assim faz sentido a importância da economia gomifera, suas oportunidades perdidas e a migração de sua estrutura capitalista para o Sudeste e um consequente fortalecimento da cafeicultura. Essa viagem que passa pelo I Ciclo da Borracha (1880 a 1910), a estagnação e o II Ciclo da Borracha (1942 a 1945), onde a economia de guerra determinou a nova mobilização do braço nordestino. E quais são as lições e os reflexos dos novos caminhos da Amazônia, a partir de então, entre eles, o surgimento da ZFM e seu projeto focado em Comércio, Agricultura e Indústria, em fevereiro de 1967?

Em conformidade com a Lei - O desafio, portanto, ontem e hoje, é consolidar métricas, sobretudo neste momento de insegurança jurídica – o economista precisa trabalhar com advogados para assegurar as condições de estabilidade do estatuto legal – que ronda as empresas do Polo Industrial de Manaus, que usufruem 8,5% do bolo fiscal do Brasil. E quais são as métricas de que se tem urgência? Recentemente, buscando promover esse debate na comunidade dos economistas, afirmamos em artigo publicado no DCI, em São Paulo, e numa entrevista publicado no Jornal do Comércio do Amazonas, que a ZFM responde por 1,8 milhão de empregos, diretos e indiretos, no Estado de São Paulo, onde funcionam as empresas que fabricam insumos, partes e peças para o Polo Industrial de Manaus, cujo montante de investimentos, segundo dados da Receita, é três vezes o investimento básico da ZFM, no Polo industrial. Essa especulação causou burburinhos e levou em conta as estimativas de 2014, já que depois dessa crise, uma das preocupações era buscar fazer mais com menos empregos para sobreviver à recessão.

Modelagens do Desenvolvimento - É claro que se trata de uma estimativa especulativa. Mas temos urgência de desenvolver uma metodologia para precisar este indicador, entre outros. Precisar esses dados é um projeto dos economistas e uma tarefa emergencial do poder público. Afinal, o dado, num país que tem 14 milhões de desempregados, quem gera mais emprego tem que ser respeitado como instituição sagrada. É assim que devemos tratar o profissional da Economia, aquele que é capaz de decifrar, consolidar e defender performances de instituições e modelagens de desenvolvimento que criam emprego, geram desenvolvimento econômico e tem por meta ajudar a construir na Amazônia uma civilização da prosperidade e da sustentabilidade, como tem sido a economia da Zona Franca de Manaus, há mais de meio século.

(*) Nelson é economista, empresário, vice-presidente da FIEAM, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

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