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Perfil do Segmento de Concentrados no PIM- Nota Técnica SUFRAMA/UFAM

Sob a coordenação de Ana Maria Oliveira de Souza, os economistas Matheus Assis dos Santos Vaz e Renato Mendes Freitas, assinam a seguinte nota.

Histórico e abrangência

O segmento de concentrados de bebidas não alcoólicas está presente no Polo Industrial de Manaus desde o ano de 1990, tornando-se ao longo dos anos um dos mais importantes no cenário econômico do Estado do Amazonas.

Atualmente, o segmento é composto por 25 empresas, e de acordo com os dados do Sistema de Indicadores Industriais – SUFRAMA, estas totalizaram aproximadamente R$ 8,7 bilhões no faturamento no ano de 2017 em decorrência da produção e comercialização de concentrados, extratos, xaropes, aromas, entre outros produtos.

Quanto aos insumos, as compras registradas por essas empresas totalizaram aproximadamente R$ 718 milhões no ano de 2017. Desse total, 30,52% foram adquiridos localmente, o que evidencia uma integração muito importante para o desenvolvimento regional. Este trata-se da utilização de insumos locais, principalmente da extração de guaraná, na produção de bebidas que são consumidas em todas as regiões do país e também no exterior.

Quanto à mão de obra, em dezembro de 2017, as empresas informantes registraram um total de 571 funcionários diretos, cujos gastos com funcionários (salários, encargos trabalhistas e benefícios) totalizaram aproximadamente R$ 11,7 milhões.

Por se tratarem de produtos considerados intermediários, ou seja, necessariamente ainda passarão por um ou mais processos industriais para estarem prontos para consumo, o segmento abastece fábricas em outras regiões do Brasil e também alguns países da América Latina. O que demonstra importância para o Estado produtor, tanto em termos de renda, quanto da criação de empregos diretos, indiretos e induzidos pela renda. Além da arrecadação de impostos e da importante participação na balança comercial do Amazonas; já que é um dos principais segmentos exportadores do Polo Industrial de Manaus.

Análise Básica de Insumo-Produto.

Haja vista a importância desse segmento para o Estado do Amazonas, será exposto abaixo um ensaio utilizando a ferramenta denominada “Análise de Insumo-Produto”1. Foram realizadas simulações de Choque de Demanda, com cenários hipotéticos, visando verificar os impactos na economia do Estado quando do “fechamento” de atividade específica de produção de bebidas do Polo Industrial de Manaus, e no perfil do ano base 2006. Para tal, foram utilizadas diversas planilhas da Matriz de Insumo Produto do Amazonas/2006 elaborada e publicada pela SUFRAMA e UFAM em 2012.

  1. Cenário de Referência – realidade Macroeconômica do Estado do Amazonas em 2006:
  • O Valor Bruto da Produção – VBP alcançou R$ 88,6 bilhões, com Valor Adicionado Bruto – VAB de R$ 32,9 bilhões, sendo que R$ 12,5 bilhões representou o rendimento do fator trabalho (massa salarial) e R$ 19,8 bilhões o excedente operacional líquido mais o rendimento misto, com arrecadação de R$ 1,7 bilhões de ICMS, R$ 49,4 milhões de IPI e R$ 6,7 bilhões de outros tributos, com a Economia do Estado gerando um total de 1,4 milhões de ocupações (seja direta ou indiretamente);
  • Na simulação nesse cenário de referência com os dados da atividade de Alimentos e Bebidas através da análise de insumo-produto, pode-se verificar que o setor teve uma participação expressiva considerando que participou com 5,81% do VBP; 5,20% VAB; 5,88% da massa salarial; 4,72% do EOB/RM; 5,87% do ICMS; 6,06% do IPI; 2,99% de outros tributos e, especialmente, 10,01% de toda a ocupação gerada na economia do Amazonas em 2006.
  • Os produtos de concentrados de bebidas possuem uma representatividade média de mais de 90% de todo VBP da atividade de Alimentos e Bebidas.

  1. Simulação: Cenário 01 – Choque na Economia do Estado do Amazonas provocado pela queda da Demanda Final a partir do “fechamento” do segmento de produção de Concentrados do Polo Industrial de Manaus a partir de dados de 2017 (deflacionados pelo IPCA/IBGE) e considerando o perfil da Economia em 2006.
  • . A atividade Alimentos e Bebidas faturou cerca de R$ 9,3 bilhões em 2017, dos quais, aproximadamente R$ 8,7 bilhões se deveu à venda dos concentrados, extratos, misturas e outras substâncias consideradas atividades ligadas ao segmento de Bebidas, e aqui generalizado como Concentrado de Bebidas;
  • Desta forma, o Concentrado de Bebidas detém 92,96% do faturamento de toda a atividade de Alimentos e Bebidas;
  • No caso hipotético do CHOQUE DE DEMANDA com o “fechamento” do segmento de concentrados no PIM, a simulação resultou na queda de participação em todas as variáveis ficando a atividade Alimentos e Bebidas com apenas 0,44% do VBP; 0,39% do VAB; 0,44% do Rendimento do Fator Trabalho; 0,36% do EOB/RM; 0,44% do ICMS; 0,46% do IPI; 0,23% de Outros Tributos e 0,75% das Ocupações;
  • Desta forma, considerando os cenários e hipóteses simuladas, a extinção do segmento de Concentrado traria a perda de parte considerável de diversas variáveis, inclusive arrecadação de ICMS e outras receitas tributárias, e principalmente, mais de 100 mil ocupações em todo os Estado do Amazonas, considerando a geração de ocupações diretas, indiretas e induzidas pela renda do trabalho, que por sua vez sofreria redução de mais de 90% da massa salarial dessa Atividade. Além disso, a contribuição da Atividade de Alimentos e Bebidas para o PIB do Estado do Amazonas mais de R$ 1,7 bilhões a preços de 2006, o que representaria cerca de R$ 3,2 bilhões em 2017 (IPCA = 1,871825/2006-20017).

CONCLUSÃO

A simulação realizada neste ensaio utilizou a Análise de Insumo-Produto a partir da Matriz de Insumo-Produto (MIP/2006-AM), produzida pela SUFRAMA em parceria com a UFAM em 2012, para simular os impactos na Economia do Amazonas na hipótese de um “fechamento” do segmento de Concentrados de Bebidas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Observou-se o que o segmento em questão possui fortes encadeamentos econômicos com outros setores da Economia que são intensivos no fator trabalho, e por isso produzem impactos consideráveis na geração de ocupações diretas, indiretas e induzidas pela renda. Caso ocorra a hipótese de CHOQUE DE DEMANDA com redução total do faturamento do segmento de CONCENTRADOS poderá ocasionar uma desocupação de mais de 100 mil postos de trabalho e queda expressiva na massa salarial, bem como na arrecadação e demais variáveis.

RESSALVA: Este ensaio é apenas uma hipótese simulada e que os reais impactos podem ser de grandeza e variação diferentes dos que aqui foram estimados.

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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br

Publicada no Jornal do Commercio do dia 08.06.2018





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