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‘Na reforma tributária, quem quer tudo, não vai ter nada’

Fonte: D24AM

Alisson Castro

As empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e o potencial das riquezas naturais atraem investimentos e tornam o Amazonas alvo do setor financeiro, segundo o presidente e sócio do banco BTG Pactual, Roberto Sallouti, que esteve em Manaus na última quinta-feira (28), mediando um debate sobre ‘Cenários Macroeconômicos’, com o economista-chefe e também sócio do BTG, Cláudio Ferraz e o sócio-diretor da Kapitalo Investimentos, Carlos Woelz.

Sallouti dirige o maior banco de investimentos da América Latina, que não possui uma agência física, além da sede, um imponente prédio na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o novo centro financeiro de São Paulo. Com o avanço da tecnologia, aposta no seu novo braço para se tornar o sexto maior banco de varejo do País, o BTG Digital, plataforma parceira da corretora +Mais A.A. Investimentos, representante do banco em Manaus e região.

Sallouti está no banco desde 1994 e é sócio desde 1998. Já foi responsável pelas áreas de renda fixa, asset management (gestão de ativos) e foi diretor de Operações. É graduado em Economia pela Wharton School da Universidade da Pensilvânia.

Grupo Diário de Comunicação – O que trouxe o BGT Pactual para Manaus?

Roberto Sallouti – Toda a pujança empresarial, todo este espírito empreendedor da região de Manaus, da região amazônica, seja com o Polo Industrial, seja com o polo turístico, são coisas que geram renda e riqueza. E esta renda e riqueza precisam ser investidas. Os empresários precisam de capital para seus investimentos. Somos especializados em investimentos há 37 anos. Nossa função é juntar os empresários que precisam de capital e os investidores que querem investir bem o seu dinheiro. A gente consegue prestar um bom serviço ao País porque isto gera renda e emprego a todos.

GDC – O senhor acredita que a reforma tributária pode ter consenso, especialmente em preservar Zona Franca, uma vez que que o Polo Industrial depende desses benefícios?

Roberto Sallouti – Eu acho que há muito pouca coisa em consenso na reforma tributária. Acho que, se a gente tiver uma ambição realista, vai ser melhor para o País. O que é uma ambição realista? Vamos juntar PIS e Confins, vamos tentar simplificar a legislação do ICMS, acabar com a ‘pejotização’ e fazer todo mundo pagar 27,5%, já está bom. Na reforma tributária, eu acho que quem quer tudo, não vai ter nada, porque não tem consenso e é um tema muito complexo. Por exemplo, as consequências para esta região, podem ser drásticas, de um lado ou para outro. Tem que haver muita cautela, porque estamos lidando com a vida das pessoas. Então, vamos passo a passo, não vamos fazer uma revolução, vamos fazer uma evolução.

GDC – De que modo a produção do Polo Industrial de Manaus influencia o setor financeiro?

Roberto Sallouti – Eu acho que influencia pela produção de riqueza. Empresas precisam se financiar e distribuir dividendos, isto faz o mercado financeiro ao seu redor crescer. Uma empresa pode se financiar em ações ou dívidas, aí você tem que ajudar o empresário a saber qual a combinação ideal de ações, de dívidas, qual o prazo, quais a garantias a oferecer e empacotar isto de tal maneira que seja bom investimento aos investidores, achar aquele equilíbrio que fica bom para todos. Acho que isto é o nosso grande diferencial.

GDC – Em 2020, o cenário econômico é mais positivo?

Roberto Sallouti – Se pegarmos a estimativa do mercado divulgado pelo Focus, do Banco Central, (pesquisa sobre projeções dos indicadores) o crescimento esperado para o ano, desde 2011 é decepcionante. Então, no início do ano, o mercado espera (Produto Interno Bruto-PIB)) 3%, aí vai baixando para zero; espera 4%, baixa de novo e chega a 1|%; quando se espera 1%, chega a menos três. Tem sido assim desde 2011, e isto gera uma frustração muito grande no empresário e investidor. E eu acho que 2020 será o primeiro ano, desde 2011, que haverá crescimento (do PIB). A expectativa, hoje, está em 2,20% e eu acho que, até o final do ano, o crescimento será acima de 2,20%.

GDC – Esta estimativa é do BTG ou do Banco Central?

Roberto Sallouti – Na verdade, é do Banco Central. Eu, pessoalmente, acho que vai ser mais para 2,5%. Aposto em mais crescimento. E isto é uma mudança porque afeta a confiança do consumidor que não vai perder o emprego, a confiança do empresário que vai ter demanda para o produto dele e esta confiança gera consumo, investimento e crescimento. Eu acho que, realmente, é transformacional.

GDC – Como o senhor avalia atual instabilidade do câmbio e como deverá ficar?

Roberto Sallouti – Estamos acompanhando um barulho de curto prazo, estamos vivendo esta instabilidade do câmbio, que é um pouco de Brasil e é também um pouco de mundo. Se você olhar o peso chileno ou o peso colombiano houve desvalorização igual ao real brasileiro também. E todo final de ano, há um movimento de acomodação dos portfólios globais. Se pegarmos dezembro do ano passado, lembramos que a primeira quinzena foi um mercado muito ruim. Aí acabou a primeira quinzena, virou o calendário, os investidores zeraram o placar. Ficou zero a zero, começou o campeonato de novo, aí começou a melhorar o mercado. Eu sou bastante otimista com as perspectivas de bolsa. Em relação ao câmbio, eu não aposto que saiu do controle. Aposto que é daqui um pouco mais para baixo.

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