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Estudo da CNI mostra que a fatia do Brasil nas exportações de produtos industriais cresceu para 0,61%

Notícia publicada pelo Portal da Indústria


A desvalorização do real frente ao dólar e a crise econômica ajudaram o Brasil a conquistar o mercado externo. A participação dos produtos industrializados brasileiros no comércio mundial aumentou de 0,59% em 2015 para 0,61% em 2016. Foi a primeira vez desde 2012 que a fatia do país cresceu, informa o estudo Desempenho da Indústria no Mundo, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O ganho, mesmo que pequeno, mostra o aumento da competitividade do país, avalia a CNI. Para 2017, a estimativa é que os manufaturados brasileiros mantenham a participação de 0,61% do comércio mundial.

Mesmo assim, a participação brasileira está muito abaixo da dos 11 principais parceiros comerciais do país – Estados Unidos, Argentina, China, Alemanha, México, Japão, França, Itália, Coreia do Sul, Países Baixos e Reino Unido. Na comparação com esses países, a fatia dos manufaturados brasileiros no mercado mundial em 2016 só foi maior do que a de 0,13% da Argentina. A participação da China é de 16,99%, a da Alemanha, de 10,05% e, a dos Estados Unidos, de 9,39%.

Conforme o estudo, nos últimos dez anos encerrados em 2016, a participação do Brasil no comércio mundial caiu 0,19 ponto percentual. No mesmo período, a participação do México aumentou 0,43 ponto percentual e a Argentina perdeu 0,04 ponto percentual. “A melhora do desempenho deve-se ao maior esforço exportador das empresas brasileiras, em razão da queda da demanda doméstica, e à desvalorização do real entre 2011 e 2015”, afirma o gerente-executivo de Pesquisas e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

O estudo mostra ainda que o desempenho no comércio internacional não se repetiu na produção. A participação do Brasil no total da produção industrial do mundo caiu de 2,32% em 2015 para 2,08% em 2016. A queda de 0,24 ponto percentual foi superior à queda de 0,03 ponto percentual registrada pela Argentina e de 0,02 ponto percentual do México. Mas é menor do que a perda de 0,33 ponto percentual dos Estados Unidos. Entre 2015 e 2016, a participação da China aumentou 0,85 ponto percentual.

Conforme estimativa da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), a fatia do Brasil diminuiu ainda mais em 2017 e ficou em 1,98%. “A perda de importância da produção industrial mundial pelo Brasil é uma tendência de longo prazo, observada desde o final da década de 1990. “Nos últimos 20 anos, a participação brasileira caiu de 3,26% em 1997 para 1,98% em 2017”, ressalta o estudo. Na avaliação da CNI, isso é resultado, especialmente, das deficiências na infraestrutura, do excesso de burocracia, da insegurança jurídica, a complexidade do sistema tributário e outros obstáculos que comprometem a capacidade de competição do Brasil.

EFEITOS DA CRISE - Além disso, destaca o documento, a crise econômica contribuiu para aumentar o ritmo da perda de participação do Brasil na produção industrial do mundo. De 2013, antes da crise, até 2017, quando o país superou a recessão, a participação brasileira teve uma queda de 0,56 ponto percentual. Ou seja, a perda em quatro anos representou quase metade da queda registrada nos últimos 20 anos.

Mesmo assim, o Brasil continua entre os dez maiores produtores de manufaturados do mundo. Ficou em penúltimo lugar na lista que compara o país com os maiores produtores mundiais de manufaturados. No topo do ranking está a China, cuja participação na produção mundial de manufaturados foi de 24,83%. No último lugar, atrás do Brasil, aparece a Indonésia, com uma participação de 1,84%.

As participações do Brasil nas exportações mundiais de manufaturados e no total da produção industrial mundial são indicadores da capacidade de competição do país com seus parceiros comerciais. “Para recuperar sua importância no mundo, o país precisa melhorar a competitividade. Essa melhora envolve a superação de gargalos antigos, como a baixa qualidade da infraestrutura e o complexo sistema tributário e, ao mesmo tempo, o enfrentamento de desafios novos, como a inserção na Indústria 4.0”, observa Renato da Fonseca.

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