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Estamos abandonando o modelo de substituição das importações, diz Troyjo

Fonte: Exame

Juliana Elias

Depois de décadas de políticas de industrialização por substituição das importações, ou seja, de incentivos internos e barreiras aos produtos vindos de fora para que os fabricantes nacionais se desenvolvam, o Brasil trabalha, agora, para abandonar esse modelo e se desenvolver por meio de acordos internacionais e da ampliação de seu comércio com o resto do mundo.

É esta a visão que está no centro do pensamento e das principais políticas do atual governo, de acordo com o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo.

Ele menciona movimentos recentes relevantes como o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e a empreitada do Brasil de entrar para a OCDE, entidade que reúne os países desenvolvidos, como parte dessa estratégia. A ideia é promover a abertura econômica e ampliar a corrente de comércio do país – isto é, o volume de mercadorias importadas e exportadas – como principal motor do desenvolvimento, em substituição a políticas protecionistas do passado.

“Estamos quebrando essa lógica”, disse Troyjo, que falou na manhã desta quarta-feira (19) durante evento do banco BTG, em São Paulo. “O Brasil apostou, historicamente, no modelo de substituição de importações para se industrializar; foi assim que deixou de ser uma economia cafeeira para ser o maior parque industrial do Cone Sul nos anos 1980”, disse.

“Foi também o que fizeram diversos outros países, como a Coreia do Sul, para ajudar suas empresas a andarem pelas próprias pernas. Mas, na Coreia do Sul, era uma maneira de ajudar essas empresas a se tornarem exportadoras, e não de criar benefícios para poucos grupos internos.”

De acordo com ele, é pouco produtivo criar incentivos para a indústria nacional sem acordos com compradores de peso. “China e Coreia do Sul tiveram acordos preferencias com os Estados Unidos, por exemplo. Não adianta fazer uma zona de incentivo, como a Zona Franca de Manaus, sem garantir o acesso a um grande mercado. Os benefícios em troca dos incentivos são pequenos.”

De acordo com Troyjo, o comércio exterior brasileiro sempre foi muito pequeno se comparado a outros países de perfil semelhante – “em poucos momentos tudo o que o Brasil importa e exporta foi mais do que um quarto do PIB” –, e ter uma economia mais diversificada e competitiva passa por reduzir as barreiras que impedem essa proporção de aumentar. “É mais barato comprar um vinho Argentino em Hong Kong do que em São Paulo, há algo de errado”, disse.

O acordo celebrado entre Mercosul e União Europeia no ano passado, após 20 anos de negociações, deve caminhar no sentido de reduzir tarifas de importação entre os dois blocos e aumentar o volume de compras e vendas entre os dois lados.

Outro esforço importante, afirma o secretário, tem sido no sentido de firmar acordos bilaterais com países específicos, no sentido tanto de derrubar mutuamente tarifas de importação quanto de estimular o comércio entre as partes. A visita recente do presidente Jair Boslonaro à Índia, acompanhado de Troyjo, foi parte desse esforço.

“Também estamos com negociações com Canadá, Coreia do Sul e Sinagapura”, afirmou. “O acordo com a União Europeia também nos abriu outras portas, como a possibilidade de acordo com países europeus de alta renda que não utilizam o euro, caso da Suécia, Islândia e Liechtenstein.”

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