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Emprego continua em baixa na indústria do PIM com 87.596 trabalhadores

Notícia publicada pelo Jornal do Commercio

Marco Dassori

O Polo Industrial de Manaus (PIM) continua em crise na geração de emprego. O desempenho da mão de obra foi pior no mês de novembro do ano passado. O resultado está nos Indicadores de Desempenho divulgados na quarta (6), pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). A média de trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados no Distrito Industrial foi de 87.596, 0,68% abaixo da marca do mês anterior (88.208) e 2,76% inferior ao registrado 12 meses antes (90.083).

O resultado só fica positivo quando se compara o acumulado até novembro de 2018 (87.974) com igual intervalo do ano anterior (86.883), que dá uma diferença de 1,25%. Mesmo assim, o saldo dos 11 meses do ano passado deixaram um déficit de 838 vagas ocupadas na indústria incentivada de Manaus: foram demitidos 22.441 trabalhadores e contratados apenas 21.603.

“As empresas só conseguem trabalhar com contratos temporários e a rotatividade no setor está mais alta. Os empregos efetivos diminuíram e os salários e direitos também. Isso prejudica não apenas o trabalhador, mas a economia da região”, concluiu o presidente do Sindmetal (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), Valdemir Santana.

Faturamento

O desempenho na geração de mão de obra contrasta com o faturamento da ZFM. A indústria do PIM faturou mais em reais no acumulado até novembro de 2018, mas ainda não conseguiu um saldo positivo nas vendas em dólares.

Em moeda nacional, houve salto de 13,90%, de R$ 75,2 bilhões (2017) para R$ 85,7 bilhões (2018), superando o consolidado nos 12 meses de 2017 (R$ 82,07 bilhões). Convertido em dólares, o faturamento foi 0,30% menor, com US$ 23.5 bilhões (2018) contra US$ 23.6 bilhões (2017).

Responsável pela maior fatia das vendas do PIM (R$ 24,4 bilhões e US$ 6.7 bilhões), o polo eletroeletrônico também avançou apenas reais (+9,89%) e recuou em dólares (-2,89%), contribuindo para puxar para baixo a média da indústria incentivada da ZFM (Zona Franca de Manaus).

Dos 22 segmentos industriais listados pela Suframa, apenas nove fecharam no azul, com destaque para bens de informática (17,75% em real e 2,82% em dólar); duas rodas (20,75%; 5,52%); termoplástico (21,65%; 5,92%), bebidas (15,98%; 1,58%) e metalúrgico (20,25%; 4,69%).

“A alta em reais não é motivo para soltar foguetes. A indústria passa por recuperação lenta e apenas em alguns segmentos isolados. Torço para que tenhamos fechado empatados nas vendas em dólares em 2018. Acho difícil acreditar que tenha havido crescimento”, declarou o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva.

Indagado sobre as perspectivas para este ano, o dirigente se diz preocupado, diante das notícias mais recentes sobre as propostas do governo federal e os efeitos sobre a ZFM. “Temos que ser otimistas, mas fica difícil o empresário ter segurança diante das incertezas da Reforma Tributária. Não se sabe se levarão em conta a Zona Franca, as disparidades regionais ou mesmo a Constituição”, lamentou.

Já o titular da Suframa recebeu os números de novembro com otimismo. “É mais uma prova de resiliência do modelo no enfrentamento de crises. Esperamos que essa retomada de crescimento seja consolidada em 2019”, frisou o superintendente, no texto distribuído à imprensa.

Verão aquecido

De acordo com a Suframa, os artigos do PIM com maior incremento de produção foram condicionadores de ar convencionais (84,52%), telejogos (48,95%), microcomputadores portáteis (42,57%), aparelhos GPS (37,43%), barbeadores (25,49%), unidades condensadoras para split system (22,27%) e motos (19,80%).

Em faturamento, os destaques vieram de TVs com tela de cristal líquido (R$ 16,2 bilhões e US$ 4.5 bilhões), motos (R$ 9,3 bilhões e US$ 2.56 bilhões), celulares (R$ 9,1 bilhões e US$ 2.50 bilhões) e condicionadores de ar split (R$ 2,79 bilhões e US$ 767.4 milhões), entre outros.

O presidente executivo da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), José Jorge do Nascimento Junior, destaca que o verão no Sul do país – onde está situada a maior clientela do Polo – aqueceu as vendas de condicionadores de ar, cuja produção nacional está concentrada em apenas duas fábricas do PIM.

O dirigente informa que as vendas de TVs (12,3 milhões), outro item exclusivo da ZFM, ficaram abaixo das projeções iniciais (12,5 milhões), mas superaram a revisão de estimativa da entidade (11 milhões), em meados de 2018. Vale notar que Eletros tem de 50% de seus associados instalados em Manaus.

“Não temos fabricantes de celulares e de computadores entre nossos associados. Mas, avalio que esses números foram puxados pela Black Friday e pelo aquecimento de mercado pós-eleição, muito em decorrência do consumidor brasileiro se sentir mais seguro e otimista”, ressaltou.

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