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Economia espera mais impactos negativos do coronavírus

Fonte: Jornal do Commercio

O impacto da epidemia do novo coronavírus configura um cenário preocupante para a economia global. A iminência de uma possível crise já é motivo de preocupação para vários setores. O setor supermercadista, por exemplo, já se prevê impacto no setor. Nesse horizonte, a Abras (Associação Brasileira de Supermercado), que estimava um crescimento nas vendas para este ano de 4,2%, diminuiu a expectativa para 3,9%.

A informação foi divulgada na última quarta-feira pelo jornal Valor Econômico logo após uma coletiva da associação onde foi apresentado o balanço de 2019 e as projeções para 2020. O volume de vendas superou as expectativas do setor em 2019, com crescimento real de 3,62%, descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

“A incerteza com os efeitos do vírus no Brasil levou o departamento de economia a ser conservador”, disse João Sanzovo Neto, presidente da Abras, ao Valor Econômico.

O vice-presidente da Amase (Associação Amazonense de Supermercados), Edilson Rufino, concorda que a situação deva gerar efeitos negativos para vários setores e se não fossem os riscos em torno da gravidade do que o vírus representa, o mercado estaria mais tranquilo.

“Se realmente isso perdurar, a tendência é que fique ainda mais baixo do que se projeta, arrisco algo em torno de 0,5%. O presidente da Abras ainda foi mais otimista ao estimar esse percentual. Eu calculo grandes prejuízos caso essa situação avance”.

Para ele, o reflexo vai travar toda a logística brasileira e toda a cadeia será afetada “não vamos conseguir exportar e nem importar as mercadorias, o dólar sobe, os commodities também. Mas vamos aguardar que as coisas não cheguem a esse nível”..

O economista Marcus Evangelista explica que caso tenhamos uma abrangência maior da epidemia, vários segmentos entrarão em colapso. “O setor de supermercados seria um deles pois as fábricas suspenderiam as suas produções e em consequência, faltaria produtos nas prateleiras. Sem produtos para a venda, o próximo passo seria o encerramento das postas até a normalização da cadeia de abastecimento. Em paralelo, sem produtos, a população ficaria sem alimentos”, esclarece.

Para quem produz os commodities, o cenário é positivo, um exemplo, é a demanda pela proteína animal, conforme o economista Vitor Nunes, é o caso da China com um grande déficit na produção vai precisar comprar proteína animal de algum lugar então, o Brasil é uma das opções e isso tende a fazer o preço subir muito. “Isso afeta os donos de supermercados que basicamente terão que repassar o preço”.

De acordo com o economista, o consumidor na ponta final é quem mais vai sofrer por conta do reajuste no preço da proteína. Já em relação a outros insumos, ele diz que tem pouquíssima relação “do jeito que está hoje essa é a principal consequência”.

Um dos segmentos mais afetados é a indústria já que a China é uma grande produtora de insumos eletrônicos “imagina todo o parque fabril parar por conta disso, é complicado, ela é tanto uma produtora quanto consumidora. Seriam perdas bem significativas”, concluiu economista.

Comércio

A agência de notícias Reuters, divulgou uma matéria sobre a repercussão do coronavírus no comércio mundial. De acordo com o texto, a OMC (Organização Mundial de Comércio) informou que o desempenho do comércio global apresentou-se frágil neste início de ano, e as impressões, é que o cenário fraco mantenha-se reduzido ainda mais pelo novo coronavírus.

Conforme indicador de comércio de mercadorias do órgão comercial houve uma queda de 95,5 ante leitura de 96,6 registrada em novembro. Leituras inferiores a 100 indicam crescimento do comércio abaixo das tendências de médio prazo.

No texto, a OMC disse que o novo número não leva em consideração os desenvolvimentos mais recentes, como o surto do novo coronavírus, que pode diminuir ainda mais as perspectivas do comércio.

O comércio mundial de mercadorias caiu 0,2% ano a ano no terceiro trimestre de 2019, informou a OMC, com uma possível retomada no quarto trimestre.

No entanto, seus novos dados indicaram que essa recuperação não será sustentada, com um declínio agora parecendo provável no período de janeiro a março de 2020.

“O indicador de perspectivas comerciais da OMC é um composto de dados sobre pedidos de exportação em pesquisas de negócios, frete aéreo, transporte de contêineres, produção e vendas de automóveis e comércio de componentes eletrônicos e materiais agrícolas, principalmente madeira. Ele foi projetado para identificar pontos de virada e avaliar o ímpeto do crescimento do comércio global, em vez de fornecer uma previsão específica de curto prazo”, diz o texto.

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