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Dólar em alta afeta aquisição dos insumos importados no PIM

Notícia publicada pelo Jornal do Commercio

A escalada do dólar nos últimos dias é um fator adicional de preocupação para as lideranças do PIM. A variação cambial impacta no custo da aquisição dos insumos importados do Polo, ao mesmo tempo em que reduz a margem lucro das empresas, que vêm colecionando números de produção e vendas abaixo do esperado em 2019.

A moeda americana perdeu 1,35% de seu valor na terça (21) e fechou a R$ 4,0478, depois de subir quatro sessões seguidas. Na segunda (20), o dólar havia batido a marca de R$ 4,1033, repetindo a máxima de setembro de 2018, apesar da atuação do Banco Central. . No acumulado, a valorização é de 4,48%.

O cenário político brasileiro adverso – com as dificuldades adicionais na tramitação da Reforma da Previdência –, assim como os efeitos negativos da disputa comercial entre Estados Unidos e China, vêm impulsionando o valor da divisa estrangeira ao longo do ano, com prejuízo para os custos industriais.

A distância entre ganhos e perdas já vinha agravando para o PIM, no ano passado. A Suframa informa que o Polo elevou em 16,48% seus gastos com insumos em 2018 – de US$ 11.83 bilhões (2018) para US$ 13.78 bilhões (2019). O faturamento foi na direção contrária e caiu mais de 1,28%, ao atingir US$ 25.35 bilhões (2019) contra US$ 25.68 bilhões (2018).

Os insumos estrangeiros – e cotados em dólar – representaram 64,72% da média das aquisições da indústria incentivada de Manaus ao longo de 2018 (US$ 8.92 bilhões) – contra 62,30% no exercício anterior (US$ 7.37 bilhões). A autarquia ainda não divulgou os números deste ano.

Apesar dos reveses, o setor continua lutando para produzir, em nível nacional, conforme permitem antever dados prévios divulgados pela FGV, nesta terça (21). A sondagem informa que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria subiu 0,2 ponto em relação a abril, para 74,7%. O Índice de Confiança da Indústria, contudo, recuou 1,6 ponto e ficou em 96,3 pontos – em uma escala de zero a 200.

“Pagando para trabalhar”

“Essa subida do dólar é muito prejudicial para as operações de aquisição de partes e peças para a produção. As empresas estão absorvendo essa diferença para não perder competitividade. Muitas empresas estão praticamente pagando para continuar trabalhando”, desabafou o vice presidente da Fieam, Nelson Azevedo.

O dirigente, que também preside Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas de Manaus, avalia que se as condições macroeconômicas e políticas atuais se mantiverem ao longo do ano, até o crescimento do polo de duas rodas pode estar com os dias contados.

“É um momento difícil. Ainda não conseguimos chegar nem no patamar de três anos atrás, quando começou a crise. Temos que torcer para que a Reforma da Previdência seja feita logo, para dar maior tranquilidade ao investidor e mais equilíbrio fiscal ao setor público. Só assim, conseguiremos mais emprego e consumo”, asseverou.

Insumo nacional

O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Mario Okubo, concorda, e diz que, pelo menos por enquanto, está sendo possível para os componentistas do PIM assimilarem o custo adicional.

“Até onde será possível fazer isso, é uma incógnita. Chega um momento em que não dá mais para as indústrias cortar margens e evitar repasses para o consumidor. Mas, creio que ainda é prematuro falarmos disso”, comentou.

No entendimento de Okubo, no longo prazo, há até alguma margem para as empresas optarem por insumos nacionais para fugir da alta do dólar, desde que estes se mostrem competitivos em preços, qualidade e capacidade de fornecimento no prazo. O problema, segundo o dirigente, é que o leque de componentes brasileiros ainda é limitado.

Produto e segmento

O presidente do Cieam, Wilson Perico, ressalta que o mais importante a ser verificado nessa dinâmica é o custo de venda, ou seja, a possibilidade de repasse. O dirigente diz ainda que essa margem depende de item para item, de segmento para segmento, com maior margem de tolerância a aumentos de preços para os produtos premium.

Périco, que também preside o Sinaees, destaca que a saída para o insumo nacional é ainda mais limitada para os eletroeletrônicos (fontes, carregadores, entre outros). A maior parte dos componentes mais sofisticados e caros, a exemplo dos semicondutores, não tem produção em solo brasileiro.

“O momento atual é preocupante, mas vejo que qualquer mexida nesse sentido, se houver, será refletida apenas a partir de agosto, já que a indústria trabalha em um período antecipado ao do comércio. Temos que acompanhar o mercado para ver o que fazer, quando possível. Não é a primeira vez que passamos por isso, nem será a última”, encerrou.

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